A verdade nua e crua de um adeus forçado
O chão se abre sob os pés da torcida alvinegra. Em um misto de gratidão e profunda indignação, nos despedimos de um dos pilares do nosso time campeão. O zagueiro Alexander Barboza não é mais jogador do Botafogo. O destino é o Palmeiras, em uma transação de US$ 4 milhões, o equivalente a cerca de R$ 20 milhões. Mas o valor, caro torcedor, é o que menos importa. O que dói na alma é o motivo, a forma, a frieza de uma negociação que expõe as nossas feridas.
Não foi um pedido para sair. Não foi uma proposta irrecusável que balançou o atleta. Foi uma ordem. Uma necessidade crua do clube, que, segundo o próprio jogador, precisava de dinheiro para quitar os salários do elenco. A Estrela Solitária, que brilhou tanto em 2024, parece ofuscada por uma realidade financeira que nos obriga a vender nossos heróis para manter as contas em dia.
O desabafo que ecoa em General Severiano
Se a mensagem nas redes sociais foi um polido “OBRIGADO BOTAFOGO”, as palavras ditas na zona mista do Nilton Santos, após a vitória sobre o Corinthians, foram um soco no estômago do povo do Fogão. Ali, o homem por trás do guerreiro se abriu, e a verdade veio à tona, sem filtros, sem assessoria de imprensa. Uma verdade que precisa ser ouvida.
Nas palavras do próprio Barboza: “O clube precisa de dinheiro, precisava pagar o salário dos jogadores e ligaram para mim falando que eu tinha que ir embora porque a minha renovação no clube estava parada. Com a renovação travada, o clube decidiu que o melhor era me vender e falou para mim: ‘tem que ir embora’.”
O golpe final? A falta de escolha. “Me deram as opções de Palmeiras e Cruzeiro. O clube escolheu quem dava mais dinheiro. A realidade é que eu não me senti valorizado”, declarou o argentino. Como pode um campeão brasileiro e da Libertadores não se sentir valorizado? Essa frase ecoa como um trovão em uma noite de tempestade sobre o nosso Glorioso.
Os números e as glórias de um xerife
Barboza não foi um jogador qualquer. Ele vestiu nossa camisa com a raça que a torcida exige. Foram 123 jogos defendendo o nosso escudo com uma entrega absoluta. Um xerife na zaga que ainda contribuiu com quatro gols e quatro assistências. Sua liderança foi fundamental para as conquistas que lavaram a nossa alma.
Ele estava lá, em campo, erguendo os troféus mais importantes de 2024:
- Campeonato Brasileiro
- Libertadores da América
Sua última partida com o manto sagrado foi na quarta-feira, na vitória imponente por 3 a 0 sobre o Independiente Petrolero, pela Copa Sul-Americana. Um adeus em campo com a cabeça erguida, mas com o coração já sabendo que aquele seria o último ato.
Obrigado, Xerife. E agora, Botafogo?
A sexta-feira, dia 22, marcou a despedida oficial nas redes, com um vídeo e uma mensagem curta de agradecimento. “Hoje encerro meu ciclo no clube, apenas palavras de agradecimento a todos que participaram da minha passagem por aqui.OBRIGADO BOTAFOGO.” Uma mensagem protocolar que esconde a dor da verdade revelada dias antes.
Fica a gratidão por tudo que Alexander Barboza fez pelo Botafogo. Sua honestidade no adeus, expondo a situação, talvez tenha sido seu maior serviço ao clube fora de campo. Ele nos deu um vislumbre doloroso dos bastidores. A torcida alvinegra agradece pela raça, pelos títulos e pela coragem de dizer a verdade.
Mas a pergunta fica no ar, assombrando os corredores de General Severiano: até quando seremos reféns de uma gestão que precisa vender seus campeões para pagar as contas? A estrela brilha no peito, mas a alma do botafoguense sangra. Obrigado, Barboza. E que os deuses do futebol olhem pelo futuro do nosso Fogão.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.