A noite de domingo no Nilton Santos deveria ser apenas de festa. Uma vitória categórica por 3 a 1 sobre o Corinthians pela 16ª rodada do Brasileirão, com a Estrela Solitária brilhando forte. Mas o apito final trouxe uma cena que partiu o coração do povo do Fogão. Alexander Barboza, nosso xerife, desabou em lágrimas, consolado pelo técnico Franclim Carvalho e por todo o elenco. E na zona mista, a bomba: um desabafo brutal que expõe os bastidores frios do futebol.
Em uma declaração que ecoará por General Severiano, o zagueiro argentino revelou que sua saída não foi um desejo seu, mas uma imposição. O Glorioso, segundo ele, forçou sua transferência.
A verdade nua e crua: ‘Tinham que se livrar de mim’
Com a sinceridade que sempre demonstrou em campo, Barboza contou sua versão dos fatos, e ela é dolorosa. O interesse de Palmeiras e Cruzeiro existia, mas o jogador não sabia dos detalhes até ser pego de surpresa.
“Chegou Palmeiras, Cruzeiro, muitos interessados. Perguntaram as condições. Eu não sabia de nada, até que um dia ligaram para o meu empresário falando que eu tinha de ir embora”, iniciou o zagueiro, descrevendo o choque. “(Eu disse) Como assim? (E meu empresário falou que o clube disse) ‘Tem que ir embora, estamos recebendo uma proposta por ele, é muito bom para o clube e ele tem que ir embora’.”
A justificativa do clube, segundo o relato? Dinheiro. “E falaram que sabiam que eu queria sair de graça no fim do ano e que o clube precisava de dinheiro”, continuou Barboza. Mas a história não parou aí. A ganância parecia falar mais alto.
“Três dias depois, voltaram a ligar para o meu empresário que eu não devia ir para o Palmeiras e sim para o Cruzeiro, pois o Cruzeiro daria mais dinheiro. Eu falei ‘querem se desfazem de mim de qualquer jeito'”, finalizou o guerreiro, com uma frase que resume o sentimento de ser tratado como mera mercadoria.
As lágrimas de um adeus forçado
A emoção em campo, após a vitória, ganhou um novo significado com as palavras do argentino. Aquele choro não era apenas de despedida, mas de um adeus que ele não escolheu. Como o Botafogo não joga mais no Niltão até a pausa para a Copa do Mundo, aquela foi sua última dança em nosso templo sagrado.
Ver nosso capitão, um jogador que honrou o manto, ser consolado em campo por Franclim Carvalho e seus companheiros, sabendo agora o que se passava em seu coração, torna a cena ainda mais emblemática. Foi o adeus de um líder que foi rifado pela diretoria.
Os bastidores da negociação
A apuração da ESPN traz os detalhes frios por trás do drama. A negociação com o Palmeiras foi fechada em R$ 18 milhões. O contrato, pasmem, foi assinado no dia 1º de maio. O documento leva a assinatura de cinco pessoas: Leila Pereira (presidente do Palmeiras), nosso presidente da SAF Durcesio Mello, os dirigentes Alessandro Brito e Danilo Caixeiro como testemunhas, e… o próprio Barboza.
O jogo contra o Corinthians foi o 12º do zagueiro no Brasileirão, exatamente o limite para que ele possa atuar por outro clube na competição. Uma matemática fria que mostra como tudo foi planejado para se livrar do nosso xerife.
A agenda final do nosso guerreiro
A torcida alvinegra terá, talvez, apenas mais uma chance de ver Barboza em campo com a nossa camisa. Os planos, segundo a imprensa, são de utilizá-lo na partida contra o Independiente Petrolero. Depois, a Estrela Solitária perde um de seus guardiões.
- Independiente Petrolero (F): 20/05, 21h (de Brasília) – CONMEBOL Sul-Americana
- São Paulo (F): 23/05, 17h (de Brasília) – Brasileirão
- Caracas (F): 27/05, 19h (de Brasília) – CONMEBOL Sul-Americana
Fica a dor e a revolta de ver um jogador identificado ser descartado dessa forma. Barboza se vai para o Palmeiras a partir de 20 de julho de 2026, mas seu nome e sua raça ficarão na memória do torcedor que viu um guerreiro ser tratado como um número. Obrigado por tudo, Xerife. O Botafogo é isso aí, feito de paixão, e sua história aqui não será apagada.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.