A Verdade Dói, Nação Alvinegra
As vitórias no campo, por vezes, escondem as batalhas travadas nos bastidores. Após a importante vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians, um momento que deveria ser de pura celebração foi também de revelações amargas. Alexander Barboza, o zagueiro que por tantas vezes vestiu nosso manto com garra, abriu o coração e a ferida de sua saída para o Palmeiras. E a verdade, torcedor, é mais dura do que imaginávamos.
Em uma conversa franca e dolorosa com a imprensa, Barboza desfez a imagem de ‘mercenário’ que alguns tentaram pintar. Sua saída não foi um desejo, mas uma necessidade imposta pela situação crítica do nosso Glorioso. Uma prova de amor agridoce, um sacrifício em nome do coletivo.
“Vá embora, queremos receber”
Imagine a cena, fiel da Estrela. Um jogador, peça importante do elenco, ouvindo dos próprios companheiros, em tom de brincadeira, um pedido desesperado. “Barboza, vá embora, queremos receber (o salário)”, revelou o zagueiro. A frase, dita em tom jocoso, carrega o peso de uma realidade financeira que assola General Severiano.
A situação era clara e foi dita sem rodeios. “O Botafogo precisava de dinheiro. Precisava pagar o salário dos jogadores. Ligaram para mim falando que eu precisava ir embora”, confessou Barboza. Ele não foi vendido, ele foi a solução encontrada para que a engrenagem não parasse de girar. “Graças a Deus recebemos e em breve vamos receber o direito de imagem também. Tomara que tudo se solucione logo para o Botafogo. É um clube muito grande que não merece passar por isso.”
Um Sacrifício, Não uma Traição
Para aqueles que ousaram chamar Barboza de mercenário, a resposta veio como um soco no estômago. O zagueiro, que tinha contrato até o fim de 2026, deixou claro que o dinheiro não foi o fator decisivo. Pelo contrário.
“Se eu fosse sair, seria no final, quando estivesse livre (no mercado). (A saída) Não foi por dinheiro, porque, se saísse no final do ano, eu receberia muito mais dinheiro”, explicou. “Muitos me chamam de mercenário, mas eu não fui; senão teria saído no final do ano e ficado com muito mais grana para mim. Mas eu decidi ajudar meus companheiros e o clube decidiu me vender para pagar o salário dos jogadores e quitar outros compromissos.”
O jogador que chegou ao Fogão de graça em 2024, agora se despede gerando uma receita de quase 4 milhões de dólares. Um negócio que, em suas palavras, foi feito para ajudar o clube que o acolheu.
A Renovação Travada e a Falta de um Projeto
Mas por que a situação chegou a esse ponto? Barboza também lançou luz sobre as negociações de sua renovação, que estavam paradas. Os motivos eram simples e justos, do ponto de vista de um atleta que anseia por glórias.
“Minha renovação estava parada porque eu pedi a segurança de que não seria vendido, como aconteceu com outros jogadores, e também queria ter certeza de que o clube teria um projeto ganhador, porque ficar aqui para lutar contra o rebaixamento e para não ganhar nada… eu sou um jogador que gosta de ganhar”, desabafou.
O clube, infelizmente, não pôde lhe dar essas garantias. Com a renovação travada e a necessidade urgente de caixa, a decisão foi tomada. “A realidade é que eu não me senti valorizado e, quando não me sinto valorizado, o melhor é dar um passo em outra direção.” Uma declaração forte, que ecoa o sentimento de muitos botafoguenses que veem o potencial do clube ser minado por crises financeiras.
Um Adeus com a Consciência Limpa
A saída de Alexander Barboza deixa um gosto amargo. Perdemos um zagueiro de qualidade, um jogador que compreendeu a mística alvinegra. Mas seu último ato foi, talvez, o mais botafoguense de todos: um sacrifício pelo bem maior, para que a Estrela Solitária continue a brilhar, mesmo em meio à escuridão da recuperação judicial. Que sua sinceridade sirva de lição e de alerta. O Botafogo é gigante e precisa ser tratado como tal.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.