BARBOZA DESABAFA EM ADEUS: ‘NINGUÉM VAI APAGAR MINHA HISTÓRIA!’

Emocionado, zagueiro argentino se despede do Niltão, rebate críticos e reafirma seu lugar eterno na história do Glorioso. Um desabafo de quem honrou o manto.

Um Adeus em Meio à Glória: A Tarde de Barboza no Niltão

A tarde deste domingo (17) no Estádio Nilton Santos foi um daqueles momentos que só o Botafogo é capaz de nos proporcionar. A euforia de uma vitória maiúscula, um 3 a 1 incontestável sobre o Corinthians, se misturou com a melancolia cortante de uma despedida. No centro de tudo, um guerreiro: o zagueiro Alexander Barboza, que pisou pela última vez no gramado sagrado do Niltão como um dos nossos.

Enquanto Arthur Cabral vivia sua tarde de rei com um hat-trick sensacional, os holofotes, ao apito final, se voltaram para o argentino. Em uma entrevista emocionante ao canal ‘Sportv’, Barboza não conseguiu conter as lágrimas e abriu o coração, em um desabafo que ecoou por todo o povo do Fogão.

‘Uma Mistura de Sentimentos’

Com a transferência já acertada para o Palmeiras, o zagueiro confessou o turbilhão que sentia. Não é fácil dizer adeus à casa que te acolheu por dois anos e meio. Não é fácil deixar para trás a Estrela Solitária que também passou a brilhar em seu peito.

“Eu sabia que esse seria meu último jogo aqui no Nilton. Então, a realidade é que é uma mistura de sentimentos, né? De felicidade, mas também de tristeza, porque eu vivi muitas coisas aqui”, declarou o jogador, com a voz embargada. A felicidade da vitória, a tristeza da partida. A dualidade que define a alma botafoguense.

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E ele fez questão de cravar seu nome em nossa história, com a mesma força com que defendia nossa área: “Eu fui campeão aqui. Eu tô na história do clube, o clube também tá na minha história”. E está mesmo, Barboza. Quem veste essa camisa com honra, jamais é esquecido.

‘Ninguém me Deu Nada de Presente’

A jornada do argentino em General Severiano não foi um conto de fadas desde o início. Longe disso. Ele relembrou as dificuldades, a barreira do idioma, a adaptação da família e, principalmente, os momentos amargos no banco de reservas. Momentos que testam o caráter de qualquer um.

“O meu começo no clube não foi muito fácil. Eu passei por um momento no qual não jogava, eu queria sair”, confessou. Mas aqui, na terra da superação, ele encontrou forças. “Depois, graças a Deus e ao meu trabalho, eu consegui dar a volta por cima. Aqui ninguém me deu nada de presente. Eu ganhei, o que eu ganhei, eu ganhei. Eu ganhei meu lugar no time. Eu ganhei tudo com trabalho, com sacrifício”.

Esse é o espírito que a torcida alvinegra reconhece. A raça, a entrega, a vontade de vencer na marra. Barboza entendeu o que é ser Botafogo. Ele não apenas vestiu a camisa, ele a suou, a honrou, a sentiu na pele.

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Um Recado Direto aos Críticos

Mesmo em um momento de despedida e carinho, o zagueiro não se furtou a responder as críticas que sofreu, especialmente após a eliminação na Copa do Brasil. Com a sinceridade que sempre o caracterizou, ele mandou um recado direto e reto.

“Eu sou um cara que me entrego. E sempre tem caras, ou tem pessoas que não vão reconhecer, mas eu fico com o bom, sempre tento ver o lado bom das coisas”, iniciou, antes de disparar a frase que selou sua passagem: “E acho que ninguém vai apagar a história que eu construí aqui. Assim sejam cinco, seis idiotas que pensem diferente. Eu sinto o carinho do torcedor e isso para mim é muito gratificante”.

É isso, xerife! A voz da arquibancada, do verdadeiro torcedor que vive e respira o Glorioso, falou mais alto. E essa voz sempre reconheceu sua entrega. As críticas de ocasião se perdem no vento, mas a história fica.

Futuro no Palmeiras, mas Respeito ao Fogão

Questionado sobre seu próximo passo, a ida para o rival paulista, Barboza mostrou a postura que se espera de um profissional sério e de um homem grato. Ele admitiu que o futuro é no Alviverde, mas o presente ainda pertence à Estrela Solitária.

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“Tô feliz, e não vou falar ainda de Palmeiras nem de nada, porque ainda tenho mais dois jogos para fazer de Sul-Americana. Então, de Palmeiras, falarei no Palmeiras, quando seja a minha apresentação lá”, encerrou, demonstrando um respeito que muitos que partem não têm.

Faltam dois jogos. Duas batalhas pela América do Sul onde esperamos ver, pela última vez, a garra do nosso zagueiro argentino. Barboza se vai, mas deixa uma lição: com trabalho, respeito e coração, seu nome fica gravado em nossa mística alvinegra. Obrigado, guerreiro!

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.