A Estrela Solitária brilha onde a Conmebol determina, mas nesta semana, ela foi salva de um cenário de guerra. O que era para ser uma batalha de futebol em Sucre, na Bolívia, se transformou em uma operação de resgate logístico, tirando o nosso Botafogo de um país à beira do colapso.
Até domingo, a programação era clara: enfrentar o Independiente Petrolero pela Copa Sul-Americana em solo boliviano. Contudo, três dias antes do apito inicial, a ficha caiu na entidade máxima do futebol sul-americano. O jogo foi movido às pressas para Assunção, no Paraguai. A razão? A Bolívia está em chamas.
De Sucre a Assunção: O Alívio para o Glorioso
A decisão da Conmebol não foi um capricho. Foi uma medida de segurança urgente. Imagine nossos guerreiros, nossa delegação, desembarcando em um país paralisado por protestos, com aeroportos bloqueados e um clima de insegurança que remete a uma guerra civil. Seria uma irresponsabilidade sem tamanho.
O palco da nossa próxima glória continental agora será o Estádio La Huerta, casa do Libertad, em Assunção. A partida contra o Independiente Petrolero está confirmada para esta quarta-feira, às 21h. Longe do caos, que a mística alvinegra possa operar em paz.
O Estopim do Caos: Gasolina, Preços e Fúria Popular
Mas o que acontece na Bolívia? O povo foi às ruas para pedir a renúncia do presidente Rodrigo Paz, eleito em novembro de 2025. Seis meses de governo foram suficientes para incendiar a nação. Paz, que é filho e sobrinho-neto de ex-presidentes, teve uma ascensão meteórica, saindo de apenas 4,3% nas pesquisas para vencer a eleição.
Ele surgiu como uma voz moderada de direita em um cenário de crise econômica, com recessão, desabastecimento de combustíveis e uma esquerda fragmentada. O partido do então presidente Luis Arce, o Movimento ao Socialismo (MAS), estava rachado entre Arce e o icônico ex-presidente Evo Morales (2006-2019).
A lua de mel de Paz com o povo, se é que existiu, durou pouco. O governo aplicou medidas que fizeram o preço da gasolina explodir em 86% e o do diesel em inacreditáveis 163%. Para piorar, denúncias de distribuição de gasolina adulterada se espalharam, acendendo o pavio da revolta popular.
Guerra Política com Nome e Sobrenome: Paz vs. Morales
A resposta do povo foi imediata: ruas tomadas. A do governo, trágica: repressão policial. Isso só fez o conflito escalar. Bloqueios de estradas em La Paz, a capital administrativa, se tornaram a principal arma dos manifestantes. Camponeses, sindicatos e diversos grupos sociais, muitos ligados a Evo Morales, agora exigem a cabeça de Rodrigo Paz.
O governo boliviano não hesita em apontar o dedo. Para eles, Evo Morales é o grande articulador por trás dos protestos, acusando-o de financiar o movimento com dinheiro do narcotráfico. A tensão é máxima.
No último sábado, o presidente Paz lançou a “Operação Corredor Humanitário”, uma demonstração de força com cerca de 2.500 policiais e 1.000 militares para liberar as vias. O resultado foi um campo de batalha: gás lacrimogênio, explosivos e pedras para todos os lados. Esse é o país onde o nosso Fogão iria jogar.
Logística do Impossível e a Decisão da Conmebol
Com as principais cidades em pé de guerra, a logística para um evento internacional se tornou impossível. O Aeroporto de Chimoré, em Cochabamba, foi fechado por apoiadores de Evo Morales, que temiam uma eventual prisão do ex-presidente. Com aeroportos bloqueados e sem garantia de segurança, a Conmebol agiu.
A situação era tão grave que não foi um caso isolado. A partida entre Always Ready e Mirassol também foi retirada da Bolívia e levada para o Paraguai, onde o time brasileiro venceu por 2 a 1. A nossa partida foi a próxima da fila a ser salva do caos.
Para o torcedor alvinegro, fica o alívio. A instituição Botafogo foi protegida. A batalha agora é dentro das quatro linhas, em campo neutro, onde o que importa é a bola na rede e a garra de nossos jogadores. Que o Glorioso use a tranquilidade de Assunção para impor seu futebol e trazer mais uma vitória para casa. A Estrela Solitária não nasceu para ser ofuscada por conflitos alheios. Vamos, Fogão!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.