A Alma do Botafogo Resplandece no Nilton Santos
A tarde deste domingo (17) não foi apenas sobre uma vitória. Foi sobre identidade. Foi sobre honra. Foi sobre o que significa vestir o manto sagrado do Botafogo. Em um Nilton Santos que pulsava, o Glorioso atropelou o Corinthians por 3 a 1, em uma partida que lavou a alma do povo do Fogão e nos catapultou para a oitava colocação do Brasileirão.
Mas os três pontos, conquistados com a classe de um hat-trick monumental de Arthur Cabral, foram apenas parte da história. O que ecoou de verdade em General Severiano foram as palavras e as atitudes do nosso comandante, Franclim Carvalho. Ele nos lembrou, em atos e em verbo, o que é o Botafogo.
Um Adeus Digno de um Guerreiro: ‘Barboza é um dos nossos’
Enquanto a torcida ainda celebrava, o técnico português fez questão de prestar uma homenagem que nos encheu de orgulho. O foco era o zagueiro Barboza. Em seus últimos momentos com a nossa Estrela no peito, ele recebeu o reconhecimento que merece, o carinho de quem sabe o que é lutar pelo clube.
Nas palavras do próprio Franclim Carvalho, a emoção transbordou: “Barboza é um dos nossos, está aí cravado nas paredes porque contribuiu para os títulos do Botafogo. E até o último dia vai honrar essa camisa, esse manto, como fez hoje. É um homem, um senhor.”
O mister não parou por aí, agradecendo o reconhecimento que partiu das arquibancadas. “Fiquei muito satisfeito com o reconhecimento dos torcedores ao Barboza. Obrigado por tudo que fez pelo nosso Botafogo e continuará fazendo por mais dois jogos”. Isso é Botafogo. Reconhecer quem nos honra, quem sangra em campo por nós. Barboza, você é eterno.
A Explosão do Rei Arthur e a Garra de um Menino
Claro, não podemos deixar de falar do homem da partida. Arthur Cabral. Que tarde! Três gols, um mais bonito que o outro. Aos 6 e aos 31 minutos do primeiro tempo, ele soltou duas bombas, dois petardos que fizeram o goleiro Hugo Souza ser um mero espectador. Chutaços indefensáveis. A Estrela Solitária brilhou através dos pés do nosso camisa 19.
O Corinthians até tentou reagir, marcando com Rodrigo Garro aos 10 minutos e acertando nossa trave com Raniele aos 41, mas a tarde era alvinegra. Era de Arthur Cabral. O técnico Carvalho, sempre exigente, celebrou, mas já projetou o futuro: “Estou feliz pelo Cabral, que pode e deve fazer mais gols. Digo isso desde a primeira coletiva.” É essa a mentalidade!
E ao lado do artilheiro consagrado, um menino surgiu. Huguinho, de apenas 19 anos, foi lançado aos leões em sua primeira partida como titular no Brasileirão. E jogou como um veterano. Uma atuação de gala, que encheu os olhos do treinador e de toda a torcida alvinegra. “Também estou muito satisfeito com Huguinho, que fez seu primeiro jogo como titular no Brasileiro”, afirmou o comandante, orgulhoso de sua aposta.
A Bomba Sobre Danilo: ‘Não Queria no Grupo Quem Não Estava com a Cabeça’
E foi aqui que Franclim Carvalho provou ser o líder que o Botafogo precisa. A ausência mais sentida, a do nosso protagonista da temporada, Danilo, foi explicada sem rodeios. O jogador, que está prestes a ser convocado por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, alegou problemas pessoais e que não estava em condições de jogar.
A resposta do nosso técnico foi a de um verdadeiro guardião da instituição Botafogo. Forte, direta e inegociável. “Danilo ontem conversou comigo no treino. Ele deu o ponto de vista dele, e eu dei o meu. Hoje de manhã me comunicou que não estava com cabeça para participar da partida, e eu comuniquei à diretoria que não queria no grupo um atleta que não estava com cabeça.”
Uma lição. Uma declaração de princípios. Carvalho continuou, deixando claro o que importa: “O grupo é o mais importante, e vocês sabem a importância que o Danilo tem nessa equipe. Os jogadores já sabem a minha forma de pensar. No lugar dele, jogou o Huguinho, um dos melhores em campo, se não o melhor”.
Ninguém é maior que o Botafogo. Ninguém. Enquanto um jogador decide não jogar, um menino da base agarra a oportunidade com unhas e dentes e se torna um dos melhores em campo. Isso é a mística alvinegra em sua forma mais pura.
Esta é a Nossa Cara!
Depois daquela atuação apática contra a Chapecoense, o próprio técnico admitiu: “aquela não era a nossa cara”. Hoje, ele reencontrou o time que deseja. “Essa de hoje é a nossa cara. E falei isso para os jogadores. É preciso ser paciente sem a bola”, concluiu.
A vitória por 3 a 1 foi o resultado. Mas a mensagem foi muito maior. A mensagem é de um Botafogo com alma, com comando, com honra e com um futuro brilhante, seja com heróis que se despedem, artilheiros que reencontram o caminho do gol ou meninos que nascem para a glória. Botafogo é isso aí!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.