Uma Vitória com Gosto de ‘E Se?’
A noite de quarta-feira (20) deveria ser de pura celebração. E foi, mas com um asterisco do tamanho do Nilton Santos. Vencemos o Independiente Petrolero por 3 a 0, lá no Estádio Tigo La Huerta, e cumprimos nosso papel na Copa Sul-Americana. A Estrela Solitária brilhou, sim. Mas, para o torcedor que sentiu o jogo na alma, ficou a sensação agridoce, aquele pensamento incômodo: era para ser uma goleada histórica, um massacre para lavar a alma.
Os números não mentem, povo do Fogão. Foi um bombardeio, uma blitzkrieg alvinegra. Mas a bola, teimosa, insistiu em não entrar. Deixamos o campo com três pontos, mas com a pulga atrás da orelha, imaginando o que aconteceria se esse festival de gols perdidos ocorresse contra um adversário de maior calibre. Botafogo é isso aí: até na vitória, o coração do torcedor é testado.
Um Massacre Estatístico, Um Placar Tímido
Vamos aos fatos, porque eles contam uma história impressionante. Segundo os dados do ‘Sofascore’, tivemos a bola em nossos pés por quase 70% do tempo. Trocamos quase 600 passes, envolvendo o adversário boliviano em uma dança que só nós sabíamos os passos. O resultado dessa dominação? Surreais 41 finalizações!
Sim, você não leu errado. Quarenta e uma tentativas de gol. Foi o nosso maior registro em toda a temporada. Do outro lado, um herói improvável chamado Jhohan Gutiérrez. O goleiro deles fez simplesmente 16 defesas, algumas milagrosas, e saiu de campo com uma nota 10 na plataforma de estatísticas. Ele foi o paredão que impediu uma humilhação histórica. Só o nosso garoto, Kauan Toledo, finalizou 11 vezes. Foi um massacre, uma pressão avassaladora que, infelizmente, não se traduziu na mesma proporção no placar final.
A Fúria do General: Franclim Carvalho Cobra a Pontaria
O primeiro gol só saiu aos 26 minutos, com Cristian Medina, quando já havíamos empilhado uma coleção de chances claras. A porteira abriu, mas não escancarou. Apenas no apagar das luzes, Jordan Barrera e Correa ampliaram para dar números finais ao jogo. E é aí que mora o perigo.
Nosso comandante, Franclim Carvalho, não se deixou levar pela vitória. Com a seriedade que o caracteriza, ele fez questão de cobrar o time. O recado foi claro e direto: em um jogo como esse, a obrigação era ter feito mais gols. “Tínhamos obrigação”, disse o Mister. Essa mentalidade vencedora, que não aceita nada menos que a perfeição, é o que queremos ver. Ele sabe, e nós sabemos, que em fases mais agudas de qualquer competição, uma chance perdida pode significar a eliminação. Não há margem para o desperdício no futebol de alto nível.
Sangue Novo e a Bênção do Mister: A Garotada Pede Passagem
Se o ataque titular pecou pela falta de pontaria, a noite serviu para reafirmar uma certeza: a nossa base vem forte. Franclim Carvalho não tem medo de lançar os moleques na fogueira. Ele manteve a base que venceu o Corinthians, mas com Kauan Toledo na vaga de Kadir. No ataque, Huguinho ganhou a posição do afastado Danilo, e Caio Valle também entrou, totalizando três crias do sub-20 em campo.
E a confiança do treinador é total. Em suas palavras, a idade é apenas um número no RG. O que vale é o rendimento. “Confiamos nesses atletas, que têm feito grande trabalho no sub-20. O contexto é diferente, a exigência é diferente. Estamos satisfeitos. Vamos tentar que esses atletas continuem no ritmo e no caminho que estão. Olhamos para eles da forma que olhamos para outros atletas. Tenham 18 ou 36 anos, para mim é igual. É uma questão de rendimento”, declarou o técnico. Nomes como Justino e Wallace Davi também estão no radar, mostrando que o futuro do Glorioso está sendo semeado em General Severiano.
De Olho na Liderança e no Calendário Insano
Com os três pontos, o Fogão chegou a 13 no Grupo E da Sul-Americana. A liderança e a vaga direta podem vir já nesta quinta-feira (21), caso o Caracas tropece contra o Racing na Argentina. É hora de secar! Mas não há tempo para descanso.
A chave vira rapidamente. No sábado (23), temos um duelo de gigantes pelo Brasileirão contra o São Paulo, no Morumbis. Um jogo pesado, fora de casa, que exigirá a pontaria que faltou ontem. E na sequência, na quarta-feira (27), fechamos a fase de grupos da Sula contra o próprio Caracas, na Venezuela. A vitória de ontem foi o primeiro passo, mas a caminhada é longa e árdua. É preciso calibrar o pé e o coração, pois as verdadeiras batalhas ainda estão por vir. A torcida alvinegra estará, como sempre, jogando junto.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.