Uma vitória com sabor de cobrança
A noite de quarta-feira (20) deveria ser de pura celebração em General Severiano. Vitória por 3 a 0 sobre o Independiente Petrolero, pela 5ª rodada da Copa Sul-Americana, 13 pontos no Grupo E e a liderança quase garantida. Mas para o nosso comandante, Franclim Carvalho, a perfeição é uma busca incessante. Em vez de sorrisos, o que vimos foi a face de um líder que enxerga além do placar. Para ele, o Glorioso tinha uma missão: golear. E, na sua visão, falhamos.
Isso não é pessimismo, torcedor alvinegro. Isso é a mentalidade que separa os bons dos campeões. É a chama que mantém a Estrela Solitária brilhando forte. Enquanto muitos se contentariam com o placar elástico, nosso técnico viu os detalhes, as chances perdidas, e soube que o Fogão pode e deve ser ainda mais avassalador.
Um bombardeio de 41 tiros e a ‘fúria’ do Mister
Os números não mentem. O Botafogo foi um rolo compressor. Foram impressionantes 41 finalizações ao longo dos 90 minutos. Um massacre tático e técnico. O problema? Do outro lado, havia um goleiro, Jhohan Gutiérrez, que parecia ter incorporado uma entidade. O arqueiro do time boliviano fez simplesmente 16 defesas, operando milagres e sendo, sem dúvida, o destaque da partida, mesmo com a derrota.
E foi exatamente essa ineficácia que tirou Franclim do sério. Na coletiva de imprensa, o desabafo veio forte, como um trovão em noite de jogo no Nilton Santos. “Não podemos fazer só três gols. Claro que o adversário joga e tem méritos. Temos que ter mais eficácia e qualidade na frente, no momento de finalizar. Fizemos três e tínhamos obrigação de fazer mais”, declarou o comandante, sem meias palavras.
A frustração era palpável. “Fico chateado e os jogadores também. Eles são os primeiros a fazer gol”, completou. Essa é a mentalidade que queremos! Um time que não se acomoda, que sente a dor de cada gol perdido como se fosse uma derrota. Franclim ainda deu pistas táticas sobre a partida, explicando as funções de seus jogadores: “O Villalba é um jogador de atacar profundidade, Cabral tem mais conforto no apoio. Encontramos formas de ligar diferentes”.
Virando a chave: São Paulo no caminho e um meio-campo a ser refeito
Com a classificação na Sul-Americana bem encaminhada — basta um tropeço do Caracas-VEN contra o Racing-ARG nesta quinta (21) para sermos líderes de vez —, as atenções se voltam para o Brasileirão. No sábado (23), temos um duelo de gigantes contra o São Paulo, no Morumbis. E o Mister já tem uma dor de cabeça para resolver.
O volante Medina, peça fundamental no esquema, está suspenso. Questionado sobre quem entra, Franclim listou um exército de opções, mostrando a força do nosso elenco:
- Hugo
- Wallace Davi
- Montoro
- Edenilson
- Santi Rodríguez
- Justino
“Desses que disse vão jogar dois. Ainda não sei quem vai jogar”, afirmou, mantendo o mistério. Mas ele deixou escapar uma possibilidade que anima a torcida alvinegra: “Pelas características do jogo, podemos arriscar um pouco mais e jogar com um segundo volante como Santi. É diferente um jogador como Santi ali”. Será que vem aí um Fogão mais ofensivo contra o tricolor paulista?
A Estrela se renova: A base ganha força com o Comandante
Em meio a tantas cobranças e decisões táticas, uma notícia enche o coração do povo do Fogão de esperança. Franclim Carvalho deixou claro que está de olho na nossa base. Com as ausências de Matheus (Martins) e Júnior (Santos), a porta se abriu para novos talentos.
“O Wallace e o Caio tinham treinado conosco alguma vezes… Wallace e Arthur Novaes estão a trabalhar conosco. Confiamos nesses atletas que tem feitos grande trabalho no sub-20”, revelou o técnico. Ele sabe, no entanto, que a transição exige cuidado: “O contexto é diferente, a exigência é diferente”.
Mas a frase que define a filosofia de Franclim e que deveria ser cravada nos muros de General Severiano é esta: “Olhamos para ele da forma que olhamos para outros atletas. Tenham 18 ou 36, para mim é igual. É uma questão de rendimento”. É isso! No Botafogo de Franclim Carvalho, não há espaço para medalhões acomodados ou promessas que não entregam. Joga quem rende, quem honra o manto. A mística alvinegra agradece.
Agora, com o último compromisso da fase de grupos da Sula marcado para quarta-feira (27) contra o Caracas, na Venezuela, o foco é total na maratona que vem pela frente. E com um líder tão exigente no comando, a torcida pode ter certeza: a complacência não vestirá a camisa do Glorioso.