A NOITE EM QUE MEDINA PEDIU PASSAGEM
Tem noites que nascem para a história. Noites em que a Estrela Solitária parece descer do céu para escolher um dos seus. E nesta jornada pela Copa Sul-Americana, contra o Independiente Petrolero, o escolhido teve nome e sobrenome: Medina. O que vimos não foi apenas um gol. Foi um manifesto. Um grito de quem chega para dizer: eu estou aqui, e a responsabilidade não me assusta.
Quando ele recebeu a bola, o tempo pareceu parar. O passe veio de um companheiro que flutuava entre a ponta e o meio, mas a genialidade foi toda dele. Diante do goleiro Gutiérrez, um mortal talvez chutasse de primeira. Medina, não. Com a frieza dos predestinados, ele dançou. Um drible seco, um corpo no chão, e a bola mansa, obediente, rolando para o fundo da rede. Um golaço. O gol que abriu os caminhos e quebrou a retranca boliviana.
Mais do que os três pontos, a atuação de Medina foi um recado direto. Com a sombra da ausência de Danilo pairando sobre o time, o jovem pisou na área com a autoridade de um veterano. Ele não pediu a vaga, ele a tomou para si. Foi a luz que precisávamos em meio a um primeiro tempo de ansiedade e cruzamentos infrutíferos.
DOMÍNIO ALVINEGRO, PACIÊNCIA DE MONGE
Que ninguém se engane: foi um massacre. Um monólogo do Glorioso. O time boliviano veio com uma única proposta: se defender. Montaram um muro, uma retranca ferrenha que testou a paciência do povo do Fogão. O nosso goleiro? Foi um espectador de luxo, um torcedor com a melhor visão do campo, já que o adversário não conseguiu sequer acertar um chute em nossa direção. Isso mesmo, nenhuma finalização no alvo.
O primeiro tempo foi um exercício de ataque contra defesa. A bola passeava de um lado para o outro. Pela esquerda, os cruzamentos choviam na área, quase todos perfeitos, mas nossos atacantes não conseguiam completar. Arthur Cabral, bem marcado, lutava por um espaço que não existia. Villalba, com sua velocidade e voluntariedade, era uma faísca de perigo constante, chegando a carimbar a trave nos acréscimos da primeira etapa, num lance que fez o grito de gol morrer na garganta.
Apesar do domínio territorial, a bola não entrava. O time parecia ansioso, apostando em uma fórmula que não surtia efeito. Era o Botafogo sendo Botafogo: dominante, mas nos fazendo sofrer até o último instante. A posse era nossa, as chances eram nossas, mas o placar teimava em não se mover.
O SANGUE NOVO QUE INCENDIOU O JOGO
Se o primeiro tempo foi de paciência, o segundo foi de explosão. E ela veio do banco. O técnico percebeu que era preciso mais do que cruzamentos. Era preciso gente com fome de gol, gente que entrasse na área para decidir. E foi exatamente o que aconteceu. As substituições mudaram a cara da partida e trouxeram o alívio que a torcida alvinegra tanto esperava.
O nome da mudança foi Tucu. Ele entrou e, com poucos minutos, mostrou como se faz. Apareceu como um centroavante clássico na área para receber um cruzamento rasteiro, vindo do nosso lado direito, e empurrar para as redes. O segundo gol, o gol da tranquilidade. E ele não parou por aí. Foi dele o passe para Correa no lance que originou o terceiro gol, uma finalização que desviou no zagueiro e matou o goleiro. Tucu foi o gás que o motor do Fogão precisava.
Nem todas as trocas, porém, surtiram o mesmo efeito. O substituto de Montoro, por exemplo, entrou e pouco acrescentou. Já quem entrou no lugar de Arthur Cabral não teve a mesma estrela, errando as oportunidades que teve. Por outro lado, o jogador que substituiu Villalba deu um novo ânimo, arriscando chutes e mostrando personalidade. É o futebol, meus amigos. Um dia de glória para uns, um dia de aprendizado para outros.
ANÁLISE INDIVIDUAL: OS DESTAQUES E AS DÍVIDAS
Além da noite mágica de Medina, outros guerreiros vestiram a camisa com honra. A nossa zaga foi soberana. Um de nossos defensores teve uma partidaça, atento nas coberturas, não deixando ninguém passar. Outro quase marcou um gol no primeiro tempo, parando apenas em uma defesa milagrosa de Gutiérrez. Segurança total lá atrás.
No meio, a peça mais recuada do setor foi um leão. Fez interceptações cruciais e recuperou bolas que garantiram a manutenção da nossa pressão. Mais uma atuação sólida para a conta, mostrando que é peça fundamental neste time titular. Correa, por sua vez, mostrou inteligência ao participar do segundo gol e ao finalizar no lance do gol contra. Foi participativo e importante.
Na frente, nem todos tiveram o mesmo brilho. Habilidoso, um de nossos pontas teve muita dificuldade para furar o bloqueio no primeiro tempo. Villalba, como dito, foi pura vontade e velocidade, mas precisa caprichar um pouco mais no último toque, seja no passe ou na finalização. São detalhes que, em jogos mais duros, fazem toda a diferença.
No fim, a vitória foi incontestável. Uma demonstração de força do Alvinegro de General Severiano na Sul-Americana. Uma noite para celebrar o surgimento de um novo protagonista e a força de um elenco que, quando acionado, sabe resolver. A estrela brilha, e com Medina, parece ter encontrado um novo brilho para nos guiar. E você, torcedor, o que achou? Medina já é o dono da posição?
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.