Uma Vitória com Gosto de ‘Quase’
Torcedor alvinegro, respire fundo. Nós vencemos. Os três pontos na Sul-Americana estão na conta e a classificação para as oitavas de final está ali, batendo na porta. Mas que noite, meus amigos. Que noite de agonia e alívio. O placar de 3 a 0 contra o Independiente Petrolero não conta nem metade da história de uma partida onde o Glorioso chutou, martelou, pressionou e… perdeu gols. Muitos gols.
Foram 34 finalizações que não entraram. TRINTA E QUATRO. É um número que assombra, que nos faz arrancar os cabelos, mas que também mostra o volume de jogo avassalador que o time de Franclim Carvalho impôs. Foi um monólogo, um massacre que, por capricho da bola e pelas mãos do goleiro adversário, não se transformou em uma goleada histórica.
A Sinfonia de um Homem Só: Medina, o Maestro da Noite
Em noites assim, quando o coletivo peca na hora de matar o jogo, a genialidade individual precisa aparecer. E ela apareceu. Vestindo a camisa 6, que um dia foi de gigantes, um argentino chamado Medina decidiu que a Estrela Solitária brilharia através dele.
Escalado para a difícil missão de substituir Danilo, Medina não tentou ser uma cópia. Ele foi autêntico. Foi ‘o cara’ do meio-campo. Correu, marcou, distribuiu e, quando a bola teimava em não entrar, ele resolveu com a classe dos predestinados. Recebeu na entrada da área, limpou o goleiro com uma frieza de cirurgião e tocou para o fundo do gol. Um golaço que abriu a porteira e a nossa alma.
Foi a prova de que a mística alvinegra encontra seus heróis nos momentos mais inesperados. Enquanto o ataque se afogava em chances perdidas, foi um volante que nos deu a tranquilidade.
O Bombardeio Alvinegro: 37 Tiros e um Goleiro Iluminado
Vamos aos números, porque eles são brutais. O Botafogo finalizou 37 vezes na partida. Só no primeiro tempo, foram 19 chutes contra um retumbante ZERO do time boliviano. Foi um ataque contra defesa do primeiro ao último minuto. Um rolo compressor que amassou o adversário sem piedade.
No entanto, a pontaria… ah, a pontaria. Arthur Cabral, que vinha de uma tarde mágica com um hat-trick, viveu uma noite apagada, de desencontros com o gol. O jovem Kauan Toledo, em sua primeira chance como titular sob o comando de Franclim, mostrou personalidade, mas também que precisa calibrar o pé. As chances apareceram, mas a bola insistia em não beijar as redes.
E é preciso dar o braço a torcer: o goleiro deles, Johan Gutiérrez, teve uma atuação de gala. Se não fosse por ele, estaríamos falando de um placar de tênis. Suas defesas impediram o que era para ser uma goleada acachapante, transformando o bombardeio do Fogão em ‘apenas’ três gols.
O Dedo do Mister: Franclim e a Tática do Rolo Compressor
Franclim Carvalho mandou o time a campo num 4-3-3 claro, com a intenção de usar a velocidade nas pontas. A escalação que iniciou a batalha foi: Neto; Ponte, Ferraresi, Barboza e Alex Telles; Huguinho, Medina e Montoro; Villalba, Kauan Toledo e Arthur Cabral.
A ideia era explorar os espaços com Villalba e Kauan Toledo, mas a retranca boliviana congestionou o jogo. A solução? Acionar a lateral. Alex Telles virou uma avenida de criação pela esquerda, com cruzamentos precisos que, infelizmente, não eram convertidos. O primeiro gol, de Medina, curiosamente, nasceu pelo meio, quebrando a lógica do bloqueio adversário.
No segundo tempo, vendo a agonia do gol perdido e o risco desnecessário de uma vantagem magra, o mister agiu. Sacou quem não estava bem e colocou sangue novo. Barrera e Tucu Correa entraram para incendiar o jogo. E funcionou. Em jogada de Ponte, Tucu ajeitou para Barrera, o camisa 30, ampliar. Logo depois, o próprio Tucu chutou e a bola, após desvio, morreu no gol. A vitória estava selada.
O Grito de Gol que Custou a Sair
Apesar do domínio total, o sentimento na arquibancada e no sofá era de um incômodo palpável. Como pode um time criar tanto e não matar o jogo? O próprio Franclim lamentou, afirmando que a equipe tinha “obrigação de fazer mais”. E ele está certo. Contra adversários mais qualificados, tamanho desperdício será fatal.
Mas hoje, o que fica é o dever de casa cumprido. A vitória veio, a classificação está encaminhada. Foi uma noite para testar os nossos corações, para nos lembrar que ser Botafogo é viver no limite da paixão e da agonia. Vencemos. E isso, no fim das contas, é o que importa. Que venham as oitavas, mas com a pontaria calibrada, pelo amor de todos os Deuses do futebol!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.