A Dor da Injustiça: O Desabafo de um General
Há derrotas e derrotas. Algumas são meros acidentes de percurso. Outras, no entanto, carregam o peso amargo da injustiça, o gosto de fel de uma batalha onde o inimigo não vestia apenas a camisa adversária. Foi com esse sentimento que a nação alvinegra assistiu à virada cruel do Bahia por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, neste domingo. E foi com a voz embargada de indignação que o nosso comandante, Franclim Carvalho, transformou sua coletiva de imprensa em um manifesto.
Sem rodeios, sem meias palavras. A primeira resposta de Franclim não foi sobre tática ou sobre o gol contra de Ferraresi. Foi um soco na mesa, um grito de basta contra o que ele definiu como um sistema de ‘dois pesos e duas medidas’. O técnico do Glorioso não se escondeu e apontou o dedo para a arbitragem, a grande protagonista sombria de uma noite que deveria ser apenas de futebol.
‘Dois Pesos e Duas Medidas’: A Fúria Contra a Arbitragem
A ira de Franclim começou direcionada ao quarto árbitro, Lucas. Segundo o nosso técnico, a autoridade do banco teve um comportamento inaceitável com sua comissão técnica. ‘Quero fazer uma ressalva porque me parece importante. Não parece que qualquer membro da equipe de arbitragem possa ou tenha capacidade de dizer para se dirigir a minha comissão técnica e dizer ‘agora não falem mais comigo’ ou ‘agora não me peçam mais faltas”, desabafou o comandante, conectando a atitude prepotente ao momento que antecedeu o gol de empate do adversário.
Para Franclim, a questão é de capacidade. ‘Se não tem capacidade para gerir os dois bancos, não pode falar essas declarações. Se não tem capacidade para engolir e encaixar o jogo não pode fazer isso’, sentenciou. Mas o alvo principal era o árbitro de campo, um velho conhecido do Botafogo. Franclim relembrou a partida contra a Chapecoense, pela Copa do Brasil, apitada pelo mesmo juiz. Naquela ocasião, com o Fogão pressionando, o árbitro foi conivente com a cera do goleiro adversário. Agora, contra o Bahia, o critério mudou drasticamente.
‘Eu disse isso: ‘Está correto o que você fez hoje’. Se são oito segundos, são oito segundos. Está certíssimo. Mas teria que ter feito o mesmo no jogo da Copa’, revelou Franclim sobre sua conversa com o árbitro. A incoerência é o que machuca. A aplicação seletiva da regra. ‘A gente não pode ter dois pesos e duas medidas’, bradou o técnico, ecoando o sentimento de cada botafoguense. Mesmo com toda a revolta, ele fez questão de ressaltar: ‘Eu não estou a justificar o resultado pelo árbitro’. Uma nobreza que, francamente, a arbitragem não merecia.
A Expulsão de Neto: ‘É Culpado, Impensável’
Em meio ao caos gerado pela arbitragem, um momento de destempero. Neto, nosso guerreiro, foi expulso no final do primeiro tempo após xingar o árbitro. O estopim foi a marcação de um escanteio bizarro, após o juiz punir nosso goleiro por demorar mais de oito segundos para repor a bola em jogo — o mesmo critério que ele ignorou no jogo da Copa. Contudo, para Franclim, a razão não justifica a reação.
O técnico foi duro e justo em sua análise, sem passar a mão na cabeça do jogador. ‘Sobre o lance do Neto, não me referi ao lance da expulsão, mas sim ao escanteio. (…) por essa razão o Neto é culpado. Não pode fazer isso, é impensável’, afirmou. A sinceridade do nosso comandante é um pilar. ‘Por mais que esteja nervoso não pode perder o controle. O Neto sabe que errou’. Uma lição dolorosa, que nos custou um homem em campo e, talvez, o resultado.
O Gramado ‘Fraco’ e o Drama de Ferraresi
Como se não bastasse a arbitragem, outro vilão entrou em cena: o gramado da Fonte Nova. Franclim não poupou críticas ao campo de jogo, classificando-o como ‘fraco’. ‘Esse gramado é fraco. Mas é para nós e para o Bahia, que talvez esteja mais acostumado. O gramado prejudica os atletas do Botafogo e do Bahia, que têm muita qualidade’, analisou, em uma crítica que serve ao futebol brasileiro como um todo.
E foi nesse cenário adverso que o destino se mostrou cruel com um dos nossos. Ferraresi, em um lance de pura infelicidade, marcou o gol contra que selou a derrota. O abatimento do zagueiro era visível, a dor de um erro que custou caro. Mas aqui, a postura do nosso General foi de amparo. ‘Ele errou, se sentiu culpado. Ficou afetado, é um ser humano. Gosto muito dele, teve um lance infeliz’, disse Franclim, abraçando seu jogador no momento mais difícil.
’15 Monstros em Campo’: O Orgulho que Fica
Apesar da dor, do resultado adverso e da revolta, uma chama de orgulho arde no peito da torcida alvinegra. E essa chama foi alimentada pelas palavras finais de Franclim Carvalho. Ele exaltou a entrega de seus comandados, que lutaram até o último segundo. ‘Nós tivemos 15 monstros dentro do campo que fizeram tudo para sair com resultado diferente’, declarou.
O técnico lembrou que, com onze jogadores, o Botafogo era superior, com um golaço de Hugo e uma chance de Medina salva em cima da linha. Mesmo com dez, a equipe não se entregou, criando oportunidades com Matheus Martins e Mateo Ponte. ‘Perdemos no fim. Nós já ganhamos no final, mas hoje perdemos no final. Não quero falar de injustiça ou justiça. Quero falar dos 15 monstros que tiveram em campo’, finalizou.
Essa é a essência do Botafogo. Cair lutando, de pé. A derrota dói, a arbitragem revolta, mas o compromisso demonstrado em campo é o que nos dá esperança. Como disse o próprio Franclim: ‘Com este compromisso e esta atitude vai ser difícil bater o Botafogo daqui para frente’. Que ouçam bem. A Estrela Solitária pode até ser momentaneamente ofuscada, mas seu brilho jamais se apaga. Seguimos juntos, Fogão!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.