A noite foi de glória, de virada, de afirmação continental. O Botafogo venceu o Caracas por 3 a 1 e cravou seu nome no topo, como a melhor campanha geral da Copa Sul-Americana. Uma campanha irretocável de 16 pontos em 18 possíveis. Motivo para festa? Sim. Mas não para o nosso comandante, Franclim Carvalho. Em um discurso que mistura o orgulho do feito com a sede insaciável pela perfeição, o técnico mandou o recado: a Estrela Solitária pode e deve brilhar ainda mais forte.
Em vez de se embriagar com o sucesso, Franclim fez questão de colocar os pés do elenco no chão. A vitória veio, mas o início do jogo foi um susto que o torcedor alvinegro conhece bem. A sinceridade do técnico é um bálsamo e um alerta. É a mentalidade de quem não se contenta com pouco, de quem enxerga um gigante mesmo quando outros veem apenas um time cumprindo tabela.
“Não estou satisfeito com o primeiro tempo, estou pouco mais satisfeito com o segundo, mas temos margem para melhorar”, cravou o treinador em sua coletiva. Uma frase que ecoa em General Severiano como um mantra. Vencer é obrigação, mas convencer é a nossa busca.
Um tempo para esquecer, outro para sonhar
Quem viu o primeiro tempo sentiu aquele calafrio na espinha. O Glorioso apático, com pouca criação e, para piorar, sofrendo um gol de bola parada. A mística alvinegra parecia ter tirado folga. O próprio Franclim detalhou a frustração: “Fizemos um primeiro tempo abaixo da nossa capacidade. Tivemos um chute para fora com Barrera. Precisamos criar mais chances. Nós tomamos um gol de bola parada.”
Mas o Botafogo é isso aí. É a Fênix que renasce das cinzas quando todos menos esperam. O segundo tempo foi a antítese do primeiro. Foi o Fogão que a gente ama: intenso, agressivo, avassalador. “O segundo tempo foi completamente diferente, foi de um ritmo mais alto e criamos mais chances e fizemos três gols”, analisou o técnico. A virada, com protagonismo de Joaquín Correa e Kauan Toledo, não foi apenas um resultado, foi uma declaração de intenções.
Ainda assim, a cobrança permaneceu. “Não podemos dar a chance do adversário criar dificuldade, eles poderiam ter feito 2 a 2 nos minutos finais e nos complicar”, alertou Franclim. Perfeccionismo? Não. É a mentalidade de campeão que tanto pedimos.
A Estrela Solitária brilha mais forte que todas
Cinco vitórias e um empate. Dezesseis pontos. A melhor campanha entre todos os participantes. E, como cereja do bolo, a eliminação do Racing, que a mídia insistia em chamar de favorito. Franclim não deixou a oportunidade passar.
“Toda a mídia falava do favoritismo do Racing, mas é preciso mostrar dentro do campo. Nós passamos em primeiro, ficamos satisfeitos por ser o melhor primeiro, mas agora é pensar no Bahia”, disse, com a tranquilidade de quem sabe o valor do trabalho. Enquanto outros falavam, o Botafogo fazia. O resultado? O Caracas, nosso adversário da noite, passou em segundo, e o tal favorito argentino ficou pelo caminho junto com o Independiente Petrolero. Isso é Botafogo!
O técnico também fez questão de valorizar o adversário, mostrando respeito. “O Caracas tem o mérito de ter passado a fase de grupos em segundo lugar. Tem bons jogadores, tem jogadores na frente muito perigosos […] É uma equipe que tem bons valores individuais e coletivamente mostrou que mereceu passar.” Respeito aos adversários, confiança no próprio taco. É assim que se constrói uma campanha vitoriosa.
Gestão de elenco: a cabeça já está no sábado
Muitos torcedores se perguntaram: cadê o Ferraresi? Com a classificação já garantida, Franclim optou por poupar um dos seus pilares defensivos, escalando Ythallo e Justino. Apenas Vitinho, dos titulares habituais, começou jogando. E a explicação do técnico mostra que o planejamento está em dia.
“O Ferraresi é um jogador que eu já conheço de Portugal. É um jogador que nós gostamos muito […] Não jogou hoje única e exclusivamente porque vai jogar no sábado”, revelou Franclim. O foco já virou. A Sul-Americana está encaminhada, mas o Brasileirão chama. O próximo desafio é contra o Bahia, e ter nosso xerife descansado é fundamental.
Essa gestão inteligente do elenco, pensando jogo a jogo e competição por competição, é o que pode nos levar longe. Mostra que há um plano, uma estratégia. E que cada peça é importante nesse xadrez.
O orgulho de um Glorioso na Copa do Mundo
A coletiva ainda teve tempo para um momento de puro orgulho alvinegro: Danilo. O técnico celebrou a convocação do nosso jogador para a Copa do Mundo, um feito que transcende o atleta e se torna uma vitória para o clube.
“Esperávamos que fosse chamado para a Copa e foi, e ainda bem que assim valoriza o trabalho do jogador, mas também de todo o grupo do Botafogo e do clube”, comentou Franclim, fazendo questão de dividir os méritos. “E há mérito das pessoas que acreditaram nele quando o contrataram há um ano atrás, que apostaram nele e depois lhe deram espaço para ele mostrar sua qualidade.”
Essa é a prova de que o trabalho em General Severiano está no caminho certo. Revelar, valorizar e ver nossos atletas brilhando nos maiores palcos do mundo. A estrela de Danilo é um pedaço da Estrela Solitária que vai iluminar o maior torneio do planeta.
A noite foi longa, vitoriosa e, acima de tudo, instrutiva. A liderança geral nos dá a vantagem de decidir em casa no mata-mata. Mas a cobrança do nosso técnico nos dá a certeza de que a acomodação não tem espaço no Nilton Santos. O povo do Fogão pode dormir tranquilo: temos um comandante que deseja a glória tanto quanto nós.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.