A Dor de uma Derrota que Nós Mesmos Causamos
Tem noites que o futebol parece um roteiro cruel, escrito por um rival. E a noite desta 18ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026 contra o Bahia foi uma dessas. Uma derrota que dói na alma, não pela força do adversário, mas pela sensação amarga de que fomos nossos próprios carrascos. Em campo, vimos o Glorioso ser sabotado por erros primários, infantis, que não condizem com a grandeza da nossa Estrela Solitária.
O que era para ser um passo adiante na competição se transformou em um pesadelo. E o pior: um pesadelo anunciado por falhas individuais grotescas. Não há tática que resista, não há torcida que aguente. Saímos de campo com a certeza de que a derrota tem nome e sobrenome, carimbada em lances que ficarão na memória pelo motivo errado.
A Irresponsabilidade que Mudou o Jogo: O Cartão de Neto
Tudo começou a desmoronar em um ato de pura imaturidade. O goleiro Neto, que até então fazia uma partida segura com boas defesas no início, decidiu ser o protagonista da forma mais patética possível. No primeiro tempo, com o time se ajeitando, ele cometeu o pecado capital: uma expulsão infantil por xingar o árbitro.
É inacreditável. Um profissional, vestindo o manto sagrado do Botafogo, deixar seu time com um a menos por falta de controle emocional. A partir daquele cartão vermelho, a estratégia do nosso treinador foi para o lixo. Todo o plano de jogo, toda a preparação, comprometida por um impulso irresponsável. Deixou na mão não só os dez companheiros que ficaram, mas uma nação inteira de botafoguenses.
O Gol Contra Bizarro que Selou o Caixão
Como se não bastasse jogar com um a menos, o destino nos reservou um segundo golpe, ainda mais bizarro. Ferraresi, que até então fazia uma partida correta, sem sustos, decidiu coroar sua atuação com um lance de várzea. Um recuo de bola completamente equivocado para o goleiro Raul, que também foi muito mal no lance. A bola morreu no fundo da nossa própria rede.
Foi o gol de empate do Bahia, um presente inacreditável que abriu a porteira para a virada deles logo em seguida. Ferraresi, que vinha sendo seguro, apagou tudo de bom que fez com um erro grotesco. E Raul, que entrou na fogueira após a expulsão de Neto e até fez uma boa defesa inicial, falhou feio no momento crucial. Uma sucessão de erros que selou nosso destino na partida.
Um Golaço Solitário em Meio ao Caos
Nem tudo foi trevas. Em meio ao deserto de ideias e ao mar de erros, uma Estrela Solitária brilhou intensamente, ainda que por um instante. Tivemos um momento de pura magia, um golaço para lavar a alma. O jogador dominou com a classe que esperamos de quem veste nossa camisa, limpou a marcação com um drible seco e soltou uma bomba de longe, na gaveta. Indefensável.
Atuando como primeiro volante, ele foi um porto seguro, um gigante que não errou passes e mostrou como se joga com a seriedade que a partida pedia. Foi o único suspiro de esperança, a prova de que há qualidade neste elenco. Mas um golaço não vence jogo sozinho, especialmente quando outros remam contra.
Os Coadjuvantes do Quase e da Decepção
O resto do time viveu uma montanha-russa de emoções e frustrações. Tivemos um jogador que deu um bom chute, mas viu Erick, do Bahia, salvar em cima da linha. O grito de gol ficou entalado. Outro articulou bem no meio, se apresentou, mas o time já sentia o peso de ter um a menos.
Vimos um de nossos atacantes enfiar uma bola primorosa para Matheus Martins, que parou em grande defesa de Ronaldo, o goleiro adversário. Em outro momento, o mesmo jogador furou uma bola cara a cara. Aquele “quase” que machuca. Medina teve sua chance, mas desperdiçou. Outros, como o atleta que entrou no fim, mal tiveram tempo de mostrar serviço.
Até mesmo quem tentou, como o jogador que deu dois bons chutes, um defendido por Ronaldo e outro rente ao travessão, sentiu a dificuldade. Ele tentou dar dinâmica, mas era uma luta inglória. No fim, a imagem que fica é a de um time que lutou, tirou bola em cima da linha, mas que sucumbiu aos próprios erros. A bola nas costas que nosso defensor tomou no gol da virada resume a noite: desatenção e tragédia. Até quando, Fogão? A torcida alvinegra merece mais. Muito mais.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.