Botafogo é isso aí. É ir do inferno ao céu e de volta ao purgatório em questão de segundos. Na 17ª rodada do Brasileirão de 2026, contra o São Paulo, vivemos mais um capítulo dessa saga que só o povo do Fogão entende. Uma noite que teve de tudo: falha grotesca, superação, um golaço redentor e um erro que vai assombrar os sonhos da torcida alvinegra. A estrela brilhou, mas também viu sombras assustadoras.
O time entrou em campo com uma proposta ousada do nosso comandante, talvez ousada demais. Um esquema ofensivo que, na prática, virou um convite para o São Paulo. O campo parecia um latifúndio, com espaços que deixariam qualquer um de cabelo em pé. E eles aproveitaram. O gol de Luciano, logo no início, foi um soco no estômago, nascido de uma falha de posicionamento que não pode acontecer. Mas este é o Glorioso. Cair é permitido, mas levantar-se é obrigatório.
No segundo tempo, a história mudou. As peças foram ajustadas, o time ganhou corpo, alma e, principalmente, vontade. Fomos para cima, encurralamos o adversário e fomos recompensados. Mas, como sempre, o destino nos reservou um final de roteiro dramático, com um herói improvável e um vilão que ninguém esperava.
Os Piores da Noite: Insegurança e um Erro que Dói na Alma
É duro apontar o dedo, mas há noites em que é impossível não fazê-lo. A atuação de alguns jogadores foi um peso que quase nos afundou por completo.
- Neto: Que noite infeliz. Uma falha clamorosa no gol do São Paulo, daquelas que congelam o sangue. Mostrou uma insegurança que se espalhou pela defesa durante todo o jogo. Fez uma boa defesa no segundo tempo, é verdade, mas a mancha do gol sofrido ficou.
- Chris Ramos: Ah, Chris Ramos… O que dizer? Entrou aos 41 do segundo tempo. Tinha a chance de se tornar o herói, de gravar seu nome na história do confronto. Kadir fez uma jogada de gênio, cruzou na medida, a bola encontrou Chris Ramos livre, com o gol escancarado. A torcida já gritava o gol da virada. E ele… ele isolou. Um chute pavoroso, por cima do gol. Uma chance perdida de forma inacreditável, que transformou a euforia em desolação.
A Defesa em Combate: Entre a Luta e a Desatenção
Nossa linha de zaga foi um reflexo do próprio jogo: momentos de pura garra e outros de desatenção fatal. Uma montanha-russa de emoções.
- O xerife contra Calleri: Tivemos um defensor que foi para a guerra contra Calleri e, na maior parte do tempo, saiu vencedor. Foi o que mais combateu, um leão. Ainda assim, a ansiedade em alguns lances o traiu, levando a escolhas erradas.
- A falha no gol: No lance do gol de Luciano, a linha defensiva dormiu. Um zagueiro ficou parado, dando condição para o atacante rival. Outro saiu mal para marcar o pivô. Erros fatais que nos custaram caro.
- A superação na lateral: Um dos nossos laterais sofreu horrores com as investidas de Artur no primeiro tempo. Parecia perdido. Mas, no segundo tempo, se reencontrou. Melhorou na marcação, começou a apoiar o ataque com qualidade e foi dele a cabeçada difícil que deu origem ao nosso gol de empate. Mostrou o espírito do Fogão!
O Meio-Campo: Do Caos à Reorganização Gloriosa
O primeiro tempo do nosso meio-campo foi um filme de terror. Espaços, erros de passe, uma sensação de que havia apenas um jogador tentando marcar. Mas o técnico viu, e mudou.
- O carregador de piano: Um dos nossos volantes parecia uma ilha no primeiro tempo. Sozinho na marcação, precisou se desdobrar e, compreensivelmente, não jogou bem. Cometeu erros e não conseguiu fechar os espaços. No segundo tempo, com a entrada de Edenilson, ganhou companhia e cresceu absurdamente.
- Improvisado e perdido: Outro atleta foi escalado fora de sua posição, como um segundo volante, e sofreu. A marcação foi seu calcanhar de Aquiles, deixando avenidas para o adversário. Com a bola no pé na segunda etapa, ao menos, conseguiu ajudar na distribuição.
- Apagado em campo: Kauan, que tem talento, simplesmente não conseguiu jogar. Foi engolido pela marcação e pouco contribuiu, sendo substituído.
A Luz no Fim do Túnel: Kadir e o Golaço de Barrera!
Quando a noite parecia perdida, duas estrelas brilharam intensamente. A entrada de Kadir e Barrera mudou a face do Botafogo e nos deu a esperança que precisávamos.
- Kadir, o motorzinho: Entrou no intervalo e foi o nome da virada de chave. O Glorioso era outro time com ele em campo. Com uma força física impressionante e muita movimentação, ele incendiou o jogo. Foi dele a jogada espetacular que deveria ter terminado com o gol da virada de Chris Ramos. Merecia ter saído de campo com aquela assistência na conta.
- Barrera, o salvador!: Que estrela! Entrou no lugar de Kauan com uma missão: salvar o Botafogo. E ele cumpriu. Com um golaço, uma pintura, ele nos arrancou da beira da derrota e colocou fogo no jogo. Um chute que foi um grito de desabafo de toda a nação alvinegra. Obrigado, Barrera!
No fim, o empate teve sabor de derrota pela chance perdida, mas também de vitória pela reação que mostramos. O técnico errou na estratégia inicial, mas teve a humildade e a visão para corrigir a rota e foi recompensado. Este é o Botafogo. Capaz de nos levar da agonia ao êxtase em um piscar de olhos. Que a garra do segundo tempo seja a regra, e não a exceção. A Estrela Solitária segue brilhando, mesmo nas noites mais turbulentas.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.