A Batalha do Morumbis: Um Desafio para a Alma Alvinegra
Ser botafoguense é entender de quebra-cabeças. É saber que a cada semana, a vida nos impõe um novo desafio, uma nova peça fora do lugar que precisamos, com paixão e inteligência, encontrar um encaixe. E neste sábado, às 17h, no palco do Morumbis, nosso general Franclim Carvalho tem em mãos o quebra-cabeça mais complexo da temporada até aqui.
Pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Glorioso encara o São Paulo não apenas como um adversário, mas como um teste à resiliência do nosso espírito. Com desfalques que parecem ter sido escolhidos a dedo pelo destino para testar nossos nervos, a missão é uma só: pontuar. E para isso, o comandante português terá que mostrar toda a sua genialidade tática.
Uma Defesa em Pedaços, Uma Fé Intacta
Os golpes foram duros, torcedor. A começar pela zaga, onde a ferida da saída de Barboza, agora oficialmente no Palmeiras, ainda está aberta. Como se não bastasse perder um pilar, também não teremos o xerife Bastos, entregue ao departamento médico por conta de uma lesão muscular.
O cenário é de terra arrasada? Para outros, talvez. Para nós, é de reinvenção. A boa notícia vem na forma de Ferraresi. Após um acordo com o São Paulo, que envolve o atacante Artur, nosso zagueiro venezuelano está liberado e deve formar a dupla de zaga com o jovem e promissor Justino. É a juventude e a raça tomando a frente!
Nas laterais, mais problemas. Mateo Ponte e Alex Telles, donos das posições, estão fora por suspensão. É o tipo de situação que faria qualquer time tremer. Mas aqui é Botafogo! Vitinho, com a garra de sempre, assume a direita. Na esquerda, a mística alvinegra se faz presente na dúvida: a experiência de Marçal ou o fôlego de Caio Roque? Franclim ainda pode surpreender, usando Marçal na zaga e deslocando Justino. As cartas estão na mesa.
O Coração do Time: Quem Assume o Meio-Campo?
Se a defesa é um desafio, o meio-campo é o epicentro do furacão. O adeus iminente de Danilo, nosso maestro, afastado para ser negociado, deixa um vácuo de criatividade. E para completar, Medina, o cão de guarda incansável, também cumpre suspensão pelo terceiro cartão amarelo.
É aqui que a estrela do nosso técnico precisa brilhar mais forte. E ele já deu o tom. Questionado sobre o substituto de Medina, Franclim mostrou que não tem medo de ousar. Nas palavras do próprio comandante, após a vitória na Sul-Americana:
“O Medina não temos (suspenso) e fez muitos jogos como primeiro volante. Temos Hugo, Wallace Davi, Montoro, Edenilson, Santi Rodríguez, Justino… desses vão jogar dois. Ainda não sei quem vai jogar. Pelas características do jogo, podemos arriscar um pouco mais e jogar com um segundo volante como Santi. É diferente um jogador como Santi ali. Foi mais pela forma como estava o jogo e não pensando no jogo do fim de semana.”
O que isso significa, povo do Fogão? Significa que temos opções e um treinador que lê o jogo! A vaga está aberta, com Justino podendo ser adiantado, Newton e Edenilson como opções de força, e até mesmo a improvisação de Santi Rodríguez, um toque de ousadia que pode surpreender o adversário.
Enquanto isso, uma luz surge onde havia sombra. Huguinho, que entrou na vaga de Danilo, impressionou. Deu consistência, marcou e iniciou jogadas. Sua manutenção é quase certa, e quem agradece é Montoro, que com mais liberdade, cresceu de produção e se aproximou da área. A briga por uma vaga no setor promete ser intensa e elevar o nível de quem entrar.
Provável Escalação do Botafogo: O Time da Batalha
Diante de tantas peças móveis, montar o time titular é um exercício de futurologia. Mas, com base nas informações e nas palavras do técnico, o Glorioso deve ir a campo com uma formação moldada na superação. Confira o esboço do exército alvinegro:
- Zagueiros: Ferraresi e Justino
- Lateral Direito: Vitinho
- Lateral Esquerdo: Marçal (ou Caio Roque)
- Meio-Campo: Huguinho, Montoro e uma vaga disputada entre Newton, Edenilson e Santi Rodríguez.
- Ataque: Kauan Toledo e Villalba (com outras opções disponíveis)
Ataque: Nossa Esperança de Gols
Se a defesa e o meio preocupam, o ataque é onde nossa esperança se renova. Mesmo sem o talento de Matheus Martins, outro lesionado, este é o setor que menos causa dores de cabeça. Kauan Toledo mostrou serviço e personalidade nos últimos jogos, e Villalba segue sendo uma arma poderosa.
O ataque é a nossa ponta de lança, a prova de que, mesmo remendado, o Botafogo sempre será perigoso. É neles que depositamos a fé para balançar as redes e calar o Morumbis.
Não será fácil. Nunca é. Mas é na adversidade que a Estrela Solitária brilha mais forte. É com um time de guerreiros, montado na base da superação, que vamos para mais uma batalha. Botafogo é isso aí. Pra cima deles, Fogão!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.