Um Soco no Estômago em Pleno Niltão
A noite de segunda-feira (24) era para ser de festa, de reencontro com a vitória em nosso templo sagrado. Mas o que a torcida alvinegra presenciou foi mais um capítulo doloroso nesta temporada. O placar de 3 a 2 para o Athletico-PR, em pleno Estádio Nilton Santos, pela 24ª rodada do Brasileirão, soa como uma punhalada no coração de cada botafoguense.
Vimos Santi Rodríguez lutar, brigar e marcar duas vezes, mostrando uma garra que deveria contagiar a todos. Mas do outro lado, João Cruz e um inspirado Viveros, que também balançou as redes duas vezes, transformaram nossa casa em palco para a festa deles. A cada gol sofrido, um silêncio pesado tomava as arquibancadas, um sentimento de ‘de novo não’ que nos assombra.
A Análise Surpreendente de Rodrigo Bellão
Após o apito final, enquanto a torcida do Fogão digeria mais um resultado amargo, o técnico interino Rodrigo Bellão foi aos microfones. E suas palavras, no mínimo, geraram debate. Para o comandante, o problema do Glorioso não é o que parece. Ele descarta que a crise seja de ordem psicológica.
Em sua análise, Bellão tentou encontrar um copo meio cheio em meio ao deserto. Ele citou a reação da equipe mesmo com o placar adverso e o número de chances criadas como provas de força. “Pra mim, uma questão que acaba não sendo psicológica. Como a gente teve uma sequência negativa, isso acaba levando a um aflorar de nervos pela partida. Eu procuro olhar por outro lado: mesmo com o placar adverso, a gente ainda consegue criar muitas chances, buscar, fazer dois gols ali no final e terminar muitas jogadas”, afirmou o treinador.
‘O Desempenho Não é o Problema’
A frase mais forte, e talvez mais polêmica, veio na sequência. Bellão praticamente isentou a atuação do time da culpa pelo resultado, colocando o foco em outra questão. Para ele, a bola simplesmente não está entrando, e os ajustes para que isso aconteça são o que separam o Botafogo de dias melhores.
“Eu acho que a equipe já está em processo de se levantar. Eu vejo a equipe criando chances, então a gente precisa continuar buscando alguns ajustes. Atitude não faltou para a equipe, a equipe buscou”, declarou, antes de cravar: “Faltam alguns ajustes para que a gente consiga equilibrar e o resultado começar a acontecer. Eu acho que não é o desempenho, acho que o resultado é o que está faltando”.
É uma visão otimista, talvez até necessária para quem está dentro do vestiário. Mas para nós, nas arquibancadas e diante da TV, fica a pergunta: um bom desempenho pode existir sem um resultado positivo? Criar chances e não convertê-las, enquanto o adversário é letal, não seria parte de um desempenho ruim?
Uma Defesa que ‘Não Foi Frágil’?
Outro ponto que causou estranheza na análise de Bellão foi sua defesa do sistema defensivo. Sofrer três gols em casa, para muitos, é sinônimo de fragilidade. Mas o técnico interino discorda. Ele argumenta que os gols sofridos foram em momentos de transição, e não de falha posicional com o time postado.
“Eu não achei que a gente foi frágil defensivamente pelo momento quando a gente está sem a bola. A gente acabou tomando gols em transição, então eram momentos de mudança do comportamento”, explicou. Ele chegou a citar nominalmente jogadores para embasar seu ponto de vista.
“Acho que tanto o Justino quanto o Ferraresi conseguiram evitar muitas transições ali e bolas nas costas do lado deles”, disse Bellão, elogiando a dupla de zaga por, segundo ele, controlar uma das principais armas do Athletico-PR. A percepção do comandante parece distante da agonia vivida pelo povo do Fogão a cada ataque paranaense.
O Futuro de Santi e Matheus Martins
Em meio ao caos do resultado, um assunto que paira sobre General Severiano é a possível saída de jogadores importantes. Santi Rodríguez, o herói solitário da noite, e Matheus Martins, estão envolvidos em negociações que podem tirá-los do clube.
Questionado sobre como lidaria com a situação, Bellão foi direto e pragmático. A mensagem é clara: enquanto forem jogadores do Botafogo, serão utilizados. “Enquanto eles estão no Botafogo e vestindo a camisa…”, disse o treinador, indicando que conta com a dupla até o último segundo. É um alento saber que, ao menos em campo, a entrega deles ainda é esperada e valorizada, como provou a grande atuação de Santi.
Agora, resta a nós, fiéis da Estrela Solitária, processar mais essa noite difícil. A visão do treinador diverge da nossa, mas o amor pelo clube nos une na mesma angústia e na mesma esperança de que, em breve, não apenas o desempenho, mas principalmente o resultado, volte a sorrir para o Glorioso.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.