A Dor de um Domingo no Maracanã
O apito final soou como uma sentença. Outra vez. A derrota por 3 a 0 para o Flamengo neste domingo (30), em um Maracanã que parecia zombar da nossa agonia, foi muito mais do que um placar elástico. Foi a materialização de um pesadelo que se recusa a terminar. Esta foi a terceira derrota consecutiva do Glorioso no Brasileirão, um punhal cravado no coração da torcida alvinegra que já não sabe mais de onde tirar forças.
A memória do nosso último triunfo na competição parece uma miragem distante. Foi em 26 de julho, um magro, mas valioso, 1 a 0 contra o Cruzeiro. Desde então, a Estrela Solitária parece ter perdido o seu brilho, imersa em uma escuridão de resultados adversos e, pior, de uma frustração que corrói a alma: a de um time que luta, que mostra lampejos de reação, mas que morre na praia.
A Ferida Aberta que Começou na Cordilheira
Para entender a profundidade da nossa crise, é preciso voltar no tempo. A semente do caos foi plantada longe do Rio de Janeiro, em uma noite fatídica pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. A goleada humilhante de 6 a 1 sofrida para o Cienciano foi o golpe que abalou as estruturas de General Severiano. Não foi apenas uma derrota; foi um vexame que expôs todas as nossas fragilidades.
Aquele resultado absurdo aumentou a pressão sobre o então técnico Franclim Carvalho a níveis insustentáveis. O ar ficou pesado, a confiança se esvaiu. O que se seguiu foi a crônica de uma demissão anunciada. A equipe, já abalada, não conseguiu se reerguer e, na partida seguinte, sucumbiu novamente, desta vez por 1 a 0 para o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro.
A Queda do Comandante e a Missão Impossível de Bellão
Após o revés contra o Vitória, não havia mais clima. Franclim Carvalho foi demitido, e a batata quente caiu no colo de Rodrigo Bellão. Promovido interinamente, sua primeira missão era quase um milagre: reverter a goleada na Sul-Americana. O Fogão até fez sua parte no jogo de volta, vencendo por 1 a 0, uma vitória com gosto de nada. O placar agregado selou nossa eliminação precoce e dolorosa.
Desde então, Bellão segue no comando, um general tentando reorganizar suas tropas em meio a uma tempestade. A pressão por resultados é brutal, e o calendário, impiedoso, nos jogou na cova dos leões, com uma sequência de adversários da parte de cima da tabela. A missão de Bellão não é apenas vencer; é restaurar a alma de um time que parece ter esquecido como se faz para balançar as redes.
O Filme Repetido: Luta, Reação e a Ineficiência que Mata
Os dois últimos jogos são a prova cabal do nosso drama. Contra o Athletico-PR, no nosso Nilton Santos, perdemos por 3 a 2. A defesa, mais uma vez, foi uma porta aberta, sofrendo três gols. No entanto, no segundo tempo, o time mostrou brio. Fomos para cima, criamos volume, pressionamos o adversário até o limite. Mas de que adianta o domínio se a bola não entra? Apenas na reta final, com o coração na boca, Santiago Rodríguez marcou duas vezes, tarde demais para evitar a derrota.
Contra o Flamengo, a história se repetiu de forma ainda mais cruel. Um primeiro tempo apático, com a defesa novamente batendo cabeça e permitindo que Samuel Lino abrisse o placar com uma facilidade irritante. Na segunda etapa, o roteiro de sempre: o Glorioso melhorou, aproveitou a queda de ritmo do rival, pressionou, rondou a área. Mas a pontaria… ah, a pontaria. Ela nos abandonou. Enquanto nós desperdiçávamos chances, o adversário, com uma eficiência cirúrgica, matou o jogo em contra-ataques, com Lino marcando de novo e Carrascal fechando a conta.
É este o ponto que nos tira o sono, fiel da Estrela. O Botafogo reage. O Botafogo mostra que tem sangue correndo nas veias. Mas o time não consegue ser letal. Criamos momentos de superioridade, mas não os transformamos em gols. E no futebol, quem não faz, leva. E nós temos levado, golpe atrás de golpe.
E Agora? O Gigante Palmeiras no Nosso Caminho
Como se o cenário já não fosse dramático o suficiente, o próximo desafio é gigantesco. No domingo (6), receberemos o Palmeiras, líder da competição, no Nilton Santos. Será mais um teste de fogo para a alma alvinegra e para a capacidade de Rodrigo Bellão de encontrar uma solução para essa ineficiência crônica.
A pergunta que ecoa em cada botafoguense é: vamos assistir ao mesmo filme de terror pela terceira vez seguida? Ou será que, diante da nossa gente, o Fogão finalmente conseguirá aliar a reação com a eficiência? A torcida fará sua parte, como sempre. Mas é hora do time responder em campo. Chega de quase. Chega de morrer na praia. É hora de vencer.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.