A dolorosa matemática da instabilidade
Enquanto o nosso próximo adversário, o Flamengo, vive a tranquilidade de um trabalho contínuo sob o comando do português Leonardo Jardim, o Botafogo sangra. A matemática, torcedor alvinegro, é cruel e expõe a ferida aberta em General Severiano. Desde que o rival contratou seu técnico em março, o Glorioso já viu três nomes diferentes à beira do gramado. Três comandantes, três filosofias, um caos que se reflete em campo.
Os números não mentem e doem na alma. Jardim completou 30 jogos pelo clube da Gávea, ostentando um aproveitamento de 68,8%. Do nosso lado, no mesmo período, foram 32 partidas de pura agonia, divididas entre Martín Anselmi, Franclim Carvalho e o interino Rodrigo Bellão. Nosso aproveitamento somado? Míseros 54,2%. Uma diferença que grita a falta de projeto, de paciência e de rumo.
A Era Anselmi e a cicatriz do 3 a 0
A valsa das cadeiras começou quando Leonardo Jardim desembarcou no Rio. Naquela época, nosso comandante era o argentino Martín Anselmi. A promessa de um futebol moderno se desfez em uma passagem curta e de resultados pífios. Em 18 jogos, seu aproveitamento foi de apenas 42%.
Mas o que marcou a ferro e fogo a sua passagem foi a humilhação dentro do nosso Nilton Santos. Uma goleada de 3 a 0 para o maior rival, uma tarde para esquecer, que ainda assombra a memória do povo do Fogão. Aquele jogo foi o prego no caixão de sua credibilidade. Anselmi ainda cambaleou por mais cinco partidas, mas a demissão era um destino inevitável. A Estrela Solitária parecia mais solitária do que nunca.
Bellão, o bombeiro da casa, e a breve esperança
Com a saída do argentino, a diretoria recorreu a uma solução caseira. Rodrigo Bellão, técnico do sub-20, foi chamado para apagar o incêndio. Em sua primeira missão como interino, o saldo foi misto, mas com um lampejo de dignidade. Sofremos uma derrota para o Athletico, é verdade, mas conseguimos vitórias importantes sobre Mirassol e, principalmente, sobre o Vasco.
Vencer um clássico, mesmo em meio à turbulência, deu um respiro à torcida alvinegra. Bellão mostrou que conhecia o peso da camisa e o que significava lutar pelo Glorioso. Foi um breve momento em que a esperança, ainda que tímida, ousou aparecer em nossos corações.
Franclim Carvalho: bons números, futebol questionável
A diretoria, no entanto, optou por um novo nome. Chegou Franclim Carvalho, que ficou à frente do time por 22 jogos. Numericamente, sua passagem não foi ruim, fechando com 56,1% de aproveitamento, o melhor entre os três. Os resultados vinham, mas o futebol… ah, o futebol não convencia.
A torcida, que entende a mística alvinegra, sabe que não basta vencer. É preciso jogar com a alma, com a entrega que a nossa história exige. A paciência acabou de vez após a Copa, quando as atuações pioraram e a gota d’água veio na forma de uma goleada sofrida para o modesto Cienciano, pela Copa Sul-Americana. A demissão foi a consequência de um time que tinha resultados, mas não tinha identidade.
O retorno do interino e a missão contra os gigantes
E assim, o carrossel gira mais uma vez. Com a saída de Franclim, Rodrigo Bellão retorna ao comando, novamente como interino. O destino, sempre ele, nos reservou um roteiro dramático. Em seu retorno, uma vitória por bravura contra o mesmo Cienciano no jogo de volta, que infelizmente não foi suficiente para evitar a eliminação. Logo depois, uma derrota dolorida por 3 a 2 para o Athletico.
Agora, o planejamento do clube é o mais botafoguense possível: lançar o jovem técnico aos leões. Bellão terá a missão de comandar o Fogão na sequência mais complicada do ano, contra Flamengo e Palmeiras. É a aposta na garra de um homem da casa contra a desorganização que impera nos bastidores. É a nossa realidade, torcedor. Enquanto outros planejam, nós sobrevivemos na base da paixão e da fé. Que a Estrela ilumine o caminho de Bellão e dos nossos guerreiros em campo. Precisaremos de um milagre.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.