A Noite em que a Paciência Acabou
A noite desta segunda-feira (24) tinha um roteiro, mas ele foi rasgado e queimado em pleno gramado do Nilton Santos. A derrota por 3 a 2 para o Athletico-PR, na 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi muito mais do que um placar adverso. Foi a gota d’água, o estopim que incendiou as redes sociais e fez explodir a fúria do povo do Fogão. O alvo da ira tem nome e sobrenome: Rodrigo Bellão. O comandante interino sentiu o peso da Estrela Solitária e a cobrança de uma torcida que não aceita mais improvisos.
O que se viu foi um time sem alma, perdido em campo e refém dos próprios erros. E para a torcida alvinegra, a responsabilidade recai diretamente sobre as escolhas do homem que estava à beira do campo. A sensação é de que o Glorioso precisa, urgentemente, de um comandante, não de um aprendiz.
13 Minutos de Terror e um Apagão Inexplicável
Basta olhar para o relógio para entender o tamanho do desastre. Em apenas 13 minutos, o castelo de areia que sustentava alguma esperança desmoronou. Um apagão total. Primeiro, um erro grotesco na saída de bola entregou o ouro para o adversário, e João Cruz não perdoou, abrindo o placar para o Athletico-PR. A torcida mal teve tempo de respirar, de processar o golpe.
Pouco depois, como um replay do pesadelo, outra falha defensiva primária. A bola nos pés de Viveros, que com a frieza de um carrasco, ampliou a vantagem. Dois gols sofridos da mesma forma, em um intervalo de tempo humilhante, dentro da nossa casa. A estratégia inicial de Bellão não apenas não funcionou, como foi destroçada por uma espiral de erros que parecia não ter fim.
Para completar a noite trágica, na segunda etapa, o mesmo Viveros, após uma jogada individual de Vargas, marcou o terceiro, selando o caixão de um Botafogo apático. O placar de 3 a 2, com nossos gols sendo apenas um suspiro tardio, não mascara a superioridade do adversário e a nossa fragilidade.
‘Escalou Mal, Mexeu Pior’: As Escolhas de Bellão na Berlinda
Se o time em campo parecia perdido, fora dele as decisões de Rodrigo Bellão eram o combustível para a revolta. Nas redes sociais, o veredito da torcida foi implacável: “escalou mal, mexeu mal, não tá preparado ainda”. Cada substituição, cada peça no tabuleiro, parecia um equívoco maior que o anterior.
A entrada de Santi em campo foi interpretada por muitos como um sinal de que o próprio Bellão estaria pedindo para voltar ao time sub-20. A crítica mais contundente foi sobre a desorganização tática. Um torcedor resumiu o sentimento geral: “Bellão conseguiu piorar o que já tava ruim desmontando o meio pra enfiar mais centroavante”.
A saída de Montoro foi outro ponto que gerou ira, levando a comparações dolorosas. Para alguns, a troca de Franclim Carvalho por Rodrigo Bellão foi apenas “trocar seis por meia dúzia”, indicando que a solução interina não trouxe qualquer evolução. Pelo contrário, para muitos, o time regrediu sob seu comando, com um torcedor cravando: “Rodrigo Bellão é pior que Franclim Carvalho”.
De Volta ao Sub-20? O Clamor por um Comandante
O recado da nação alvinegra foi direto e cristalino: “Já pode devolver o Bellão pro sub-20”. A mensagem não é apenas uma crítica pessoal, mas um grito de desespero por profissionalismo e experiência. O sentimento é que o Botafogo, com a grandeza que tem, não pode ser um laboratório para testes. “Botafogo precisa urgente de um TREINADOR, não de um ESTAGIÁRIO”, bradou um torcedor, em uma frase que ecoou por toda a comunidade botafoguense.
A derrota acende um alerta vermelho em General Severiano. A aposta em uma solução caseira e provisória se mostrou um erro caro. O time pareceu lento, espaçado em campo e relapso, sofrendo diante de um Athletico-PR que jogou com tranquilidade, apenas esperando os erros que sabiam que viriam.
Um Time Inoperante e Sem Pontaria
Além dos erros defensivos fatais, o ataque foi um poço de inoperância. O Glorioso até criou, mas pecou na hora de concluir. A bola de Edenilson que explodiu na trave foi o símbolo da frustração, do “quase” que não nos serve mais. O goleiro Santos, do Furacão, teve uma noite relativamente tranquila, fazendo defesas sem grande dificuldade.
As peças individuais também não renderam. Pela direita, Vitinho foi uma figura nula quando acionado. Na esquerda, Alex Telles, de quem tanto se espera, teve uma participação tímida, subindo pouco ao ataque. O resultado foi um time que não se encontrou, que não dialogou em campo e que pagou o preço pela falta de comando e de organização. A noite de segunda foi um duro golpe, e o recado para a diretoria não poderia ser mais claro: a hora de agir é agora.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.