Batismo de Fogo e Silêncio: A chegada discreta de Gabriel de Alba ao inferno astral do Fogão

Em noite de eliminação na Sul-Americana, o novo investidor Gabriel de Alba teve seu batismo no Nilton Santos. Um primeiro contato silencioso e melancólico.

Gabriel de Alba em seu primeiro jogo do Botafogo no Nilton Santos — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

A noite de quinta-feira no Nilton Santos tinha tudo para ser um marco, mas se tornou um velório. E no meio da dor e da eliminação na Sul-Americana, uma figura observava tudo em silêncio: Gabriel de Alba, o novo investidor da nossa SAF. O empresário mexicano teve seu batismo de fogo não com a glória, mas com a mais pura e dura realidade do que é ser Botafogo.

A visita, marcada há cerca de um mês, já nasceu sob o signo da melancolia. A tragédia de 6 a 1 em Cusco contra o Cienciano transformou o que seria uma festa de boas-vindas em um rito de passagem amargo. De Alba desembarcou no Rio ciente da missão quase impossível. Um dia antes, ele esteve com o elenco, viu o treino e, em um gesto de liderança, fez um pequeno discurso de motivação. Palavras que, infelizmente, não puderam reverter o desastre anunciado.

Menos Holofotes, Mais Trabalho? O Contraste com Textor

A chegada ao estádio foi um retrato do que parece ser seu estilo. Discreta. Quase invisível. Uma diferença gritante para o ex-dono da SAF, John Textor, conhecido por seus gestos grandiosos e presença constante nos gramados e vestiários. Gabriel de Alba não pisou na nossa grama sagrada. Não foi ao vestiário antes ou depois do jogo. Ele foi direto para o camarote da presidência.

Lá, ao lado de nomes importantes da nova estrutura, como João Paulo Magalhães Lins, presidente do clube associativo e seu braço direito, Estêvão Benincá, novo presidente do Conselho de Administração, e o CEO Eduardo Iglesias, ele assistiu à nossa vitória inútil. Uma vitória que selou uma eliminação. Ele viu o suor, a luta em campo, e a frustração inevitável nas arquibancadas.

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Um Aceno Tímido para o Povo do Fogão

Durante quase toda a partida, o novo investidor foi uma sombra. Um observador. O único momento em que os holofotes, mesmo que de relance, se viraram para ele foi no intervalo. Anunciado no telão do Nilton Santos, Gabriel de Alba se levantou, acenou de forma rápida, quase tímida, para a torcida alvinegra. A reação do povo do Fogão foi igualmente contida.

Não houve cânticos com seu nome, não houve euforia. Apenas aplausos respeitosos. Em um gesto simbólico, ele desceu alguns degraus e recebeu uma camisa do Botafogo das mãos de um torcedor. Um presente que, naquela noite, pesava como a própria história do clube. Era o torcedor dizendo: ‘Seja bem-vindo à nossa paixão, mas também à nossa dor’.

A Missão Começa na Dor

Gabriel de Alba deixou o Nilton Santos carregando nas costas o peso da eliminação e a certeza de uma verdade absoluta: há muito trabalho a ser feito para reerguer o Glorioso. Ele viu, com os próprios olhos, o que precisa ser mudado. Ele sentiu a atmosfera de um clube que sangra, mas que não desiste.

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O empresário mexicano não fugiu. Ele permanecerá no Rio de Janeiro nos próximos dias, emendando reuniões com a cúpula do clube para, enfim, começar a traçar os rumos deste “novo Botafogo”. Seu retorno está previsto para o próximo mês, mas a semente de sua gestão foi plantada na terra mais árida possível: a de uma eliminação dolorosa em casa. Talvez, no fim das contas, seja exatamente este o tipo de líder que precisamos. Alguém que chega não para a festa, mas para ajudar a arrumar a casa depois da tempestade. A Estrela Solitária precisa voltar a brilhar, e a reconstrução começa agora, no silêncio e no trabalho.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.