O ARQUITETO DO CAOS: Franclim desmonta o Botafogo e meio-campo inoperante entrega a vitória em Salvador

O arquiteto do caos! Franclim Carvalho faz substituição bizarra, desmonta o meio-campo e entrega a vitória de bandeja para o Vitória. A pressão é máxima!

Júnior Santos em Vitória 1 x 0 Botafogo, pelo Brasileiro 2026 — Foto: Vitor Silva/BFR

Uma ferida que não fecha

A viagem para Salvador era para ser um bálsamo. Uma chance de estancar a sangria aberta pela humilhação em Cusco. Mas para o torcedor do Botafogo, a esperança parece ser apenas o prelúdio de uma dor ainda mais profunda. Em uma noite de domingo que deveria ser de redenção, o que vimos foi um time sem alma, um técnico perdido em suas próprias convicções e uma derrota por 1 a 0 para o Vitória que soa como uma sentença. A Estrela Solitária, mais uma vez, se apaga sob o peso de decisões inexplicáveis.

O palco era o Barradão. A missão era clara: apagar a péssima impressão deixada contra o Cienciano. Para isso, o pressionado Franclim Carvalho, que já balançava no cargo, prometeu força máxima. Com exceção do suspenso Justino, substituído por Lucas Monzón na zaga ao lado de Ferraresi, o time que entrou em campo era, em tese, o nosso melhor. Mas o futebol, essa caixa de surpresas cruéis, não se ganha no papel.

Crônica de uma derrota anunciada

O roteiro do desastre começou a ser escrito no primeiro minuto. Huguinho, que voltava de suspensão, mal teve tempo de sentir o gramado e já foi amarelado por deixar o braço no rosto de Martínez. Um cartão que se revelaria fatal. Era o presságio de uma noite onde tudo daria errado.

Por um breve instante, a torcida alvinegra sonhou. Em um contra-ataque veloz, Matheus Martins invadiu a área e caiu, pedindo um pênalti que o apito ignorou. Foi a nossa faísca de esperança. E como de costume, ela foi apagada da forma mais brutal possível. No lance seguinte, o castigo. Renê, do Vitória, dançou sobre Ferraresi, invadiu nossa área e foi derrubado justamente por Huguinho. Pênalti claro, infantil, que Matheuzinho converteu sem piedade. 1 a 0. O pesadelo estava apenas começando.

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A substituição que quebrou o time

E então, veio o ato que define a passagem de Franclim Carvalho pelo Glorioso. O momento que será lembrado como o ápice da confusão tática. Com Huguinho pendurado e o time perdendo, uma substituição era necessária. O óbvio seria recompor o meio-campo. O angolano Domingos Andrade chegou a aquecer, foi chamado, parecia ser a escolha lógica.

Mas a lógica não mora em General Severiano ultimamente. Em uma mudança de ideia que deixou todos perplexos, Franclim mandou Domingos sentar e chamou Júnior Santos. Um atacante no lugar de um volante, ainda no primeiro tempo. A tentativa de explicação do técnico na coletiva só aumentou a confusão. “O adversário fez o gol, eu tinha as duas alternativas. Chamei o Domingos porque o árbitro poderia anular a decisão do pênalti. O adversário fez o gol, colocamos o Junior para ter o Danilo como segundo volante e o Medina como primeiro volante. Ou seja, um pouco mais expostos, mas tínhamos que ir atrás do resultado”, disse o português. Uma justificativa que soa tão desconexa quanto a própria alteração.

A consequência foi imediata e catastrófica. A mudança não só expôs a defesa de maneira irresponsável, como criou um buraco negro no meio-campo. O setor se tornou inoperante. A bola não chegava ao ataque. A ligação entre defesa e ataque, a alma de qualquer time, foi cirurgicamente removida pelo próprio comandante.

Um ataque de muitos nomes e nenhuma ideia

Com o coração do time arrancado, o segundo tempo foi um espetáculo de impotência. Franclim, tentando consertar o próprio erro, empilhou ainda mais atacantes em campo. Mas de que adianta ter peças na frente se não há quem construa, quem pense, quem faça a bola circular? Era um amontoado de jogadores batendo cabeça, correndo sem rumo em um deserto de ideias.

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O Vitória, percebendo a fragilidade do Glorioso, cresceu. Jogou com a tranquilidade de quem enfrenta um gigante ferido e desorientado. Nossas melhores chances? Espasmos. Lances isolados de bola aérea, em cabeçadas de Arthur Cabral e do próprio Júnior Santos. Pouco, muito pouco para a grandeza do Botafogo. Foi a prova cabal de que a estratégia de Franclim não apenas “não funcionou”, como ele mesmo admitiu; ela implodiu o time por dentro.

Até quando? A pressão sobre Franclim é insustentável

A derrota em Salvador não é apenas mais um número na tabela. Ela é um sintoma. Um grito de alerta que ecoa desde a goleada em Cusco. A pressão sobre Franclim Carvalho, que já era imensa, agora atinge níveis críticos. A diretoria, que pretendia evitar uma decisão “de cabeça quente”, agora se vê encurralada pela realidade dos fatos.

Perder faz parte do jogo. Mas a forma como o Botafogo perdeu no Barradão é inaceitável. Foi uma derrota para a teimosia, para a confusão tática, para a falta de leitura de jogo. O time deixou Salvador com a alma arrastando no chão, e a torcida, mais uma vez, se pergunta: até quando vamos assistir a esse desmanche? O Botafogo é maior que qualquer técnico, e a paciência do povo do Fogão tem limite. A Estrela Solitária clama por um rumo, antes que a escuridão nos consuma por completo.

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Informações com base em reportagem do ge.globo.com.