A Paciência Acabou: O Grito da Torcida Alvinegra
A Estrela Solitária se apaga mais uma vez no Campeonato Brasileiro. A derrota por 1 a 0 para o Vitória, neste domingo, no Barradão, pela 23ª rodada, não foi apenas mais um número na tabela. Foi o estopim. O grito preso na garganta do povo do Fogão finalmente explodiu, e o alvo tem nome e sobrenome: Franclim Carvalho. Nas redes sociais e no coração de cada botafoguense, o veredito foi unânime: o treinador é o grande responsável pelo revés.
Não se trata de uma simples corneta. É a constatação dolorosa de um padrão que se repete a cada jogo. O time entra em campo, mostra lampejos de pressão, mas morre taticamente. E para a torcida, a culpa reside nas decisões incompreensíveis que vêm do banco de reservas.
As Substituições que Mataram o Glorioso
O epicentro da fúria alvinegra foram as trocas promovidas por Franclim. A saída de Huguinho para a entrada de Jr Santos foi vista não como uma tentativa de melhorar o time, mas como o ato que selou a nossa derrota. “Ele perdeu o jogo ao tirar o Huguinho e colocar Jr Santos. Perderemos meio campo e consequentemente o jogo”, cravou um torcedor, resumindo o sentimento geral.
A crítica é direta e cirúrgica. O Botafogo, que até certo ponto controlava o setor nevrálgico do campo, viu seu meio-campo ser desmantelado por uma decisão do próprio comandante. “Esse treinador é muito fraco, abriu completamente o time, deixando o meio de campo exposto, o time estava dominando o meio. Se fosse pra substituir era um volante pelo outro!”, desabafou outro fiel da Estrela.
A percepção é de que Franclim não lê o jogo. Enquanto o técnico adversário se ajusta, o nosso se perde. “Todo jogo é a mesma coisa: primeiros 15 minutos de pressão, o treinador adversário entende o jogo, muda o esquema e se adapta. Aí é que chega a parte em que esse fracassado se perde, porque não sabe o que fazer depois disso”, analisou um alvinegro, com a lucidez que a dor ensina.
Crônica de Uma Derrota Anunciada: O Filme do Jogo
O roteiro da partida foi a materialização dos piores pesadelos da torcida. O Fogão até começou tentando impor seu ritmo. Aos 14 minutos, um sopro de esperança: Arthur Cabral subiu mais que a zaga baiana e testou firme, mas o goleiro Arcanjo iniciou ali seu show particular.
O castigo, como sempre, veio rápido. Aos 23 minutos, um lance que definiu a história: Huguinho derrubou Renê na área. Pênalti claro, que o árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva marcou sem hesitar. Na cobrança, Matheuzinho deslocou nosso goleiro Warleson e abriu o placar. O 1 a 0 no placar era um punhal no peito da nação alvinegra.
A partir daí, o que se viu foi um time que tentava, mas esbarrava na desorganização tática e num adversário que soube aproveitar os espaços. O Vitória ainda teve um segundo gol, novamente com Matheuzinho, corretamente anulado por impedimento. Um alívio momentâneo que não mudava a dura realidade.
Um Segundo Tempo de Agonia e Descontrole
Na etapa final, o cenário de desespero se aprofundou. O Vitória colecionou chances, com Renê e Erick assustando. Aos 14, o milagre: Vitinho, em cima da linha, salvou o que seria o segundo gol. Era a mística alvinegra tentando operar, mas ela não pode jogar sozinha.
O Glorioso respondeu com mais coração do que organização. Lucas Monzón levou perigo em um escanteio, e Júnior Santos, em uma de suas poucas jogadas efetivas, foi desarmado por Zé Vitor. Do outro lado, Matheuzinho quase marcou um golaço e Renato Kayzer perdeu uma chance inacreditável, de frente para o gol.
Nos minutos finais, o abafa. Na base da raça, Júnior Santos teve a bola do empate, mas parou em outra defesa monumental de Lucas Arcanjo, o nome do jogo para o Vitória. O apito final soou como uma sentença.
Para coroar a tarde trágica, Arthur Cabral, de cabeça quente, foi expulso após o fim do jogo em uma confusão com o técnico adversário, Jair Ventura. A imagem do cartão vermelho foi o retrato de um time perdido, frustrado e sem rumo. Um reflexo direto do que se vê no banco de reservas. A torcida já deu seu recado. Resta saber se alguém em General Severiano irá ouvir.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.