Um Grito Preso na Garganta da Torcida Alvinegra
Existem derrotas, e existem humilhações. O que aconteceu na noite desta quinta-feira (13), nos 3.500 metros de altitude de Cusco, não foi uma derrota. Foi uma ferida aberta na alma do botafoguense, uma mancha que o tempo terá dificuldade em apagar. O placar de 6 a 1 para o Cienciano, pelas oitavas de final da Sul-Americana, é um número que queima, que dói, que envergonha. E em meio ao caos, à desorganização e à apatia em campo, um nome ecoa nas redes sociais, apontado como o principal responsável pelo vexame: Franclim Carvalho.
A torcida que carrega a Estrela Solitária no peito não perdoa. E não deve perdoar. O que se viu no Estádio Garcilaso de la Vega foi um time sem alma, taticamente indigente, assistindo passivamente a um adversário fazer o que queria. O recado do povo do Fogão foi claro, direto e implacável. A paciência acabou.
Um Massacre Anunciado na Altitude
A tragédia começou a se desenhar muito cedo. Antes que o ar rarefeito pudesse ser usado como desculpa, o Botafogo já estava de joelhos. Com uma escalação modificada e uma tática suicida, o Glorioso era uma avenida exposta pelos lados. O Cienciano, percebendo a fragilidade, não teve piedade.
Antes dos 30 minutos, o placar já era um acachapante 3 a 0. Succar, o grande carrasco da noite, abriu o placar e ampliou logo depois, contando com uma falha grotesca do nosso goleiro Warleson. O terceiro gol, de Neri Bandiera, veio com o selo da polêmica: um toque no braço ignorado pela arbitragem, mas que em nada diminui a superioridade peruana. A defesa do Botafogo era um fantasma em campo.
Para selar o caixão do primeiro tempo, aos 34 minutos, Marcos Martinich acertou um chute espetacular de muito longe, no ângulo. Um golaço, é verdade, mas um símbolo da passividade alvinegra. O time assistiu, inerte, enquanto o Cienciano transformava o jogo em um treino de luxo. Fomos para o intervalo já goleados, humilhados e sem qualquer perspectiva de reação.
A Inércia de Franclim: Um Show de Horrores à Beira do Campo
Se o primeiro tempo foi um desastre, a postura do nosso comandante foi ainda mais chocante. Franclim Carvalho teve um intervalo inteiro para olhar nos olhos dos jogadores, para mudar peças, para reorganizar o caos tático. O que ele fez? Nada. Absolutamente nada.
O time voltou para o segundo tempo com os mesmos jogadores e a mesma desorganização. A fonte é clara: “Sem alterações. Tanto taticamente quanto a peças”. Como pode um treinador assistir a um atropelamento de tal magnitude e se manter inerte? É um atestado de incapacidade, uma demonstração de que não tinha respostas ou, pior, não enxergava o problema.
Enquanto o Cienciano sobrava fisicamente e explorava as crateras na nossa defesa, nosso técnico era um espectador privilegiado do vexame. A torcida, de casa, via o óbvio. Franclim, à beira do gramado, parecia estar em outro mundo. A sua inação foi tão dolorosa quanto cada gol sofrido.
O Gol de Honra e a Desorganização Sem Fim
Logo no início da segunda etapa, um lampejo de talento puro. Matheus Martins, em uma cobrança de falta magistral, acertou o ângulo e diminuiu o placar. Um golaço. Uma pequena centelha de esperança, um sopro de dignidade em meio ao pandemônio. Mas foi apenas isso: um sopro.
O gol não mudou o panorama do jogo. O Botafogo continuou sendo um time quebrado, desorganizado e entregue. Aos 13 minutos, o Cienciano encontrou mais um espaço e Neri Bandiera marcou o quinto gol. A porteira estava escancarada. O adversário não precisou ser brilhante; bastou fazer o mínimo diante de uma equipe que se desmanchava em campo.
E para coroar a noite de pesadelo, Succar, o nome do jogo, marcou seu terceiro gol, o sexto do time peruano. Um hat-trick que simboliza a impotência alvinegra. No apagar das luzes, até quando tivemos um gol de Edenilson, ele foi anulado. Nada, absolutamente nada, deu certo.
Vergonha Histórica: O Veredito da Torcida
O apito final foi um alívio e uma sentença. 6 a 1. Um placar que entra para a galeria das maiores vergonhas da história do Botafogo de Futebol e Regatas. A tradição, o investimento, o peso da camisa, tudo foi ignorado e pisoteado em Cusco.
A reação da torcida foi imediata e fulminante. As redes sociais se encheram de mensagens direcionadas a Franclim Carvalho. A cobrança é dura, mas justa. Não se pode comandar o Glorioso e ser cúmplice de uma humilhação dessas. A pergunta que fica no ar é dolorosa: até quando? Até quando vamos tolerar uma postura tão apática e resultados tão vexatórios? O recado foi dado. A Estrela Solitária exige respeito. E o que vimos no Peru foi a antítese de tudo o que ela representa.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.