MURALHA EM SALVADOR: Arcanjo para o Fogão e derrota por 1 a 0 agrava o drama alvinegro

Em noite de desespero, Botafogo para em goleiro iluminado, perde para o Vitória e vê a crise bater à porta antes de decisão na Sula.

O Vitória venceu o Botafogo por 1 a 0 pelo Brasileirão (Foto: Walmir Cirne/AGIF/Folhapress)

Um Grito Preso na Garganta

Botafogo é isso aí. É o grito que morre na garganta, a esperança que se esvai contra a muralha improvável de um goleiro em noite de glória. Neste domingo, em Salvador, o nome do nosso pesadelo foi Lucas Arcanjo. O Botafogo não perdeu para o Vitória. O Botafogo perdeu para Arcanjo, que fechou o gol e, com uma atuação de gala, decretou a nossa derrota por 1 a 0 no Barradão, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A Estrela Solitária não brilhou. Pelo contrário, foi ofuscada pela performance de um homem só. E agora, com 30 pontos e estacionados na 11ª posição, olhamos para o abismo de uma semana que promete ser a mais longa das nossas vidas. Porque depois deste tropeço, temos que encarar o Cienciano, com a missão quase impossível de reverter um placar de 6 a 1. É o drama em sua forma mais pura. É o Botafogo.

O Pênalti que Mudou a História do Jogo

A partida até começou com o Glorioso tentando impor seu ritmo, pressionando. Mas o futebol, essa ciência imprevisível, tem seus próprios roteiros. Aos 14 minutos, o primeiro aviso: Arthur Cabral subiu mais que todo mundo e testou firme, mas Arcanjo começou ali o seu show particular com uma defesaça.

O momento que definiu nossa sorte, ou azar, veio aos 23 minutos. Em uma noite para esquecer, Huguinho, que já havia levado um cartão amarelo com um minuto de jogo, cometeu um pênalti infantil em Renê. O árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva não teve dúvidas. Na bola, Matheuzinho. Do outro lado, nosso goleiro Warleson. Cobrança de um lado, goleiro do outro. 1 a 0 para eles. Um gol que pesou como chumbo em nossas costas.

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O Vitória, com a vantagem, quase ampliou em seguida, novamente com Matheuzinho, mas para nosso alívio momentâneo, o VAR anulou o gol por impedimento. O primeiro tempo terminou com a sensação amarga de que uma falha individual estava nos custando caro demais.

A Batalha de um Homem Só: Júnior Santos contra Arcanjo

Se o primeiro tempo foi de frustração, o segundo foi de puro desespero e agonia. O Botafogo voltou com a faca nos dentes, mas do outro lado havia uma muralha. O Vitória também teve suas chances, com Renê e Erick assustando, e Vitinho, nosso guerreiro, salvando um gol em cima da linha aos 14 minutos.

Mas a história da etapa final foi a nossa busca incessante pelo empate e a performance épica do goleiro adversário. Lucas Monzón assustou em cobrança de escanteio. Júnior Santos, incansável, apareceu com perigo, mas foi desarmado por Zé Vitor na hora H.

O roteiro se repetia. O Fogão atacava, Arcanjo defendia. Nos minutos finais, a pressão foi total. O povo do Fogão, mesmo a quilômetros de distância, sentia que o gol estava maduro. E ele quase veio. Júnior Santos, de novo ele, teve a bola do jogo, a chance de nos dar um ponto heroico. Mas lá estava Arcanjo, mais uma vez, com uma defesa milagrosa, para selar nosso destino e garantir os três pontos para o time da casa.

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Um Fim de Jogo Nervoso e um Futuro Sombrio

Com o apito final, a frustração transbordou. Em uma confusão com o técnico adversário, Jair Ventura, nosso atacante Arthur Cabral acabou expulso. Mais um desfalque, mais um problema para Franclim Carvalho administrar. O técnico, que já carrega o peso do vexame na Sul-Americana, viu seu time ser parado e agora precisa juntar os cacos para a batalha de volta contra o Cienciano.

Enquanto o Vitória sobe para a 12ª posição com 29 pontos, nós paramos nos 30. Uma distância perigosamente curta. A noite de Huguinho foi um resumo do nosso drama: cartão no primeiro minuto, pênalti cometido e substituição ainda no primeiro tempo. Um dia para apagar da memória. Ainda tivemos que ver Danilo sofrer uma falta duríssima de Ramon, um pisão no tornozelo que os jogadores pediram vermelho, mas ficou por isso mesmo.

Agora, o que nos resta? A fé. A mística alvinegra precisa ressurgir das cinzas. O próximo desafio é contra o Cienciano, no jogo de volta das oitavas da Sul-Americana, após uma goleada de 6 a 1 na ida. É preciso um milagre. Mas se tem um povo que acredita no impossível, esse povo é o da Estrela Solitária.

Ficha Técnica – Vitória 1 x 0 Botafogo

  • Competição: Campeonato Brasileiro – 23ª rodada
  • Data e Horário: Domingo, 16 de agosto de 2026, às 18h30 (de Brasília)
  • Local: Estádio Barradão, Salvador (BA)
  • Gol: Matheuzinho (27’/1ºT)
  • Arbitragem: Paulo Cesar Zanovelli da Silva (MG)
  • VAR: Daniel Nobre Bins (RS)
  • Cartões Amarelos: Ramon, Emmanuel Martínez (VIT); Huguinho, Lucas Monzón, Montoro, Franclim Carvalho (BOT)
  • Cartão Vermelho: Arthur Cabral (BOT)

Escalações

Vitória (Técnico: Jair Ventura)

  • Lucas Arcanjo; Britez, Cacá, Luan Cândido e Ramon (Jamerson); Zé Vitor, Emmanuel Martínez (Walace) e Matheuzinho (Marinho); Tarzia (Tomás Pochettino), Erick e Renê (Renato Kayser).

Botafogo (Técnico: Franclim Carvalho)

  • Warleson, Vitinho, Ferraresi, Lucas Monzón e Alex Telles; Huguinho (Junior Santos), Danilo e Montoro; Arthur Cabral, Matheus Martins e Júnior Santos.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.