Uma noite para esquecer, um culpado para apontar
Torcedor alvinegro, há noites em que a Estrela Solitária parece se apagar. A atuação contra o Vitória foi uma dessas. Um time irreconhecível, perdido, e, no epicentro do caos, um comandante que, com as próprias mãos, desmontou o que restava de organização. Franclim Carvalho foi, sem sombra de dúvida, o pior em campo. Suas decisões não apenas custaram o jogo, mas expuseram uma fragilidade que dói na alma de quem veste preto e branco.
Não foi apenas uma derrota. Foi uma aula de como não se deve gerir uma partida. Em um gramado pesado, que pedia inteligência e controle, o nosso técnico optou por empilhar atacantes e criar um deserto no meio-campo. O resultado? Um time quebrado, vulnerável e que assistiu ao adversário jogar. Vamos analisar, peça por peça, o que aconteceu nesse filme de terror no Barradão.
Uma defesa exposta e insegura
A fragilidade começou lá atrás. A atuação de nossos defensores foi um reflexo direto da desorganização tática imposta. Cada jogador pareceu lutar uma batalha solitária.
- Warleson: Caiu para o lado errado no pênalti e quase entregou o ouro em uma saída bizarra com soco, salva pelo VAR. Viu Vitinho salvar um gol certo em cima da linha após deixar a meta aberta para Renê. Noite de insegurança.
- Zé Ivaldo: Um dos poucos que tentou apagar o incêndio. Salvou uma saída errada de Warleson e apareceu em alguns momentos para afastar o perigo. Fez o que pôde no meio do caos.
- Bastos: Começou seguro, mas o rendimento desabou. Tomou um drible de corpo de Renê no lance que originou o pênalti, um momento que definiu sua queda na partida.
- Halter: Em sua estreia pelo Glorioso, substituindo o suspenso Justino, teve uma partida apenas mediana. Não brilhou, mas também não foi o responsável direto pelo desastre. Passou em branco.
- Marçal: Tentou criar com cruzamentos, mas parou na defesa adversária. O pior foi na parte defensiva, onde sofreu para marcar o lado esquerdo, cedendo espaço para Erick e Matheuzinho.
Um meio-campo que nunca existiu
Aqui mora o coração do problema. A decisão de Franclim de esvaziar o setor mais importante do campo foi suicida. Nossos volantes e meias ficaram completamente perdidos, sem apoio e sobrecarregados.
- Medina: Voltou de suspensão e, com um minuto de jogo, já estava amarelado. Cometeu o pênalti infantil em Renê que colocou o Vitória no jogo. Uma atuação desastrosa e irresponsável.
- Allan: Retornando após uma fissura no pé, era uma esperança de lucidez. Contribuiu pouco e ainda tentou um chapéu em um momento de pura tensão, mostrando falta de leitura do jogo. Um lampejo em um chute defendido por Arcanjo foi muito pouco.
- Gregore: Sofreu imensamente na marcação, e sua situação piorou drasticamente após a saída de Huguinho. Pareceu um náufrago correndo sem rumo em um setor abandonado.
- Tchê Tchê: O campo pesado não ajuda, mas a quantidade de passes errados foi alarmante. Jogando mais recuado, não conseguiu ser a engrenagem que o time precisava.
- Romero: Outro estreante na fogueira do Barradão. Foi obrigado a ser o único marcador em muitos momentos e tentou alguns passes longos sem sucesso. Não conseguiu se impor.
Ataque isolado e de cabeça quente
Com um meio-campo inexistente, a bola simplesmente não chegava. Nossos atacantes foram forçados a buscar o jogo e, quando tiveram a chance, falharam em momentos cruciais.
- Jeffinho: Jogou fora de sua posição ideal, caindo pelos dois lados do campo quando o time clamava por alguém que jogasse por dentro. Foi mais uma vítima da bagunça tática.
- Luiz Henrique: Noite muito abaixo. Em um contra-ataque promissor, errou a jogada e ainda tentou cavar um pênalti de forma patética. Faltou senso de ocasião e sobrou nervosismo.
- Tiquinho Soares: Ganhou mais minutos em campo, mas foi obrigado a recuar para marcar, às vezes atrás da linha de Arthur Cabral. Não se destacou.
- Arthur Cabral: Teve a melhor chance do Botafogo no jogo, uma cabeçada defendida espetacularmente por Lucas Arcanjo. Fora isso, não conseguiu criar perigo. Para coroar a noite terrível, foi expulso APÓS o apito final por discutir com Jair Ventura, colocando a mão na boca. Inacreditável.
Franclim Carvalho: o maestro do desastre
Nenhum jogador foi tão mal quanto o próprio técnico. Franclim Carvalho foi o grande arquiteto da derrota. Sua leitura de jogo foi nula, e suas substituições foram a pá de cal no time. Tirar Huguinho para colocar Júnior Santos, com outras opções de volantes no banco, foi uma decisão que ninguém entendeu e que abriu uma avenida no meio-campo.
Ele encheu o time de atacantes, ignorando que o campo pesado e a situação do jogo pediam exatamente o contrário: controle, posse e inteligência. Para piorar, gastou uma substituição aos cinco minutos do segundo tempo, desperdiçando uma janela de trocas de forma amadora. Franclim não apenas perdeu o jogo; ele entregou o jogo. Uma atuação que mancha sua passagem e deixa a torcida alvinegra com um gosto amargo de raiva e impotência. Botafogo é isso aí? Hoje, infelizmente, foi.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.