O PLANO SUICIDA DE FRANCLIM: A tática que manchou a história do Fogão

Na semana de 122 anos, Franclim Carvalho ignorou a altitude e armou um time suicida. O resultado? Um 6 a 1 que entra para a história como uma vergonha.

O Botafogo foi goleado por 6 a 1 pelo Cieniano pela Copa Sul-Americana (Foto: Jose Angulo / AFP)

Uma Mancha na Semana de Aniversário

Justo na semana em que celebramos 122 anos de futebol, a Estrela Solitária foi coberta por uma nuvem de vergonha. Uma mancha que não sairá fácil. O placar de 6 a 1 para o Cienciano, na sufocante altitude de 3.500 metros de Cusco, no Peru, não foi um acidente. Foi um projeto. Um projeto de derrota arquitetado no banco de reservas, que praticamente nos joga para fora da Copa Sul-Americana.

A competição, que parecia um caminho acessível para um título em um ano tão conturbado, agora se transformou em um pesadelo. E o nome do responsável por essa noite trágica ecoa em General Severiano: Franclim Carvalho. Como o próprio técnico admitiu, é um resultado que ‘envergonha’.

Uma Escalção Para o Abismo

Qualquer torcedor alvinegro, do mais otimista ao mais cético, esperava um time precavido, compacto, pronto para sofrer na altitude. O que vimos foi o oposto. Franclim Carvalho mandou a campo um Botafogo de ‘peito aberto’, um convite ao desastre.

Um time modificado em todos os setores, taticamente exposto. A aposta em um meio-campo com três volantes novamente se provou um erro crasso. A formação com Huguinho, Medina e Danilo simplesmente não funcionou. Apenas o primeiro tinha a função de combate, deixando um buraco na transição e uma desorganização que beirava o amadorismo.

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Faltou comprometimento tático, faltou leitura de jogo, faltou um técnico que entendesse o cenário. O Cienciano, um time visivelmente inferior, agradeceu os espaços e fez a festa.

A Defesa Inerte e a Falta de Comando

A noite foi especialmente cruel para o experiente Marçal. Aos 37 anos, o lateral foi abandonado à própria sorte no lado esquerdo. Sem a cobertura de Álvaro Montoro, que não possui essa característica defensiva, ele se viu em uma ilha, cercado por adversários. Um erro primário de planejamento de Franclim.

A linha de defesa, sem proteção à frente, bateu cabeça desde o primeiro minuto. O técnico português teve tempo de sobra para ver o óbvio, para fechar a casinha, para migrar para um sistema mais conservador e estancar a sangria. Mas não o fez. Assistiu inerte enquanto o Cienciano aumentava a pressão e se sentia cada vez mais à vontade em campo.

Crônica de Uma Goleada Anunciada

Os gols foram uma consequência natural do caos. Os dois primeiros, por falhas de posicionamento da zaga – com o segundo gol gerando reclamação de um toque de mão do jogador Bandiera. O terceiro, uma falha grotesca e inaceitável do goleiro Warleson. O quarto, um golaço de Martinich, mas que nasceu de mais uma jogada sem qualquer pressão no homem da bola.

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O gol de honra de Matheus Martins poderia ter sido um sopro de esperança. Uma desvantagem de três gols, embora difícil, seria uma missão menos insana para o jogo de volta. Mas a desorganização era tamanha que nem isso serviu de alento. O time seguiu subindo de forma descontrolada, oferecendo contra-ataques em série.

O quinto e o sexto gols vieram no fluxo de uma equipe que já estava entregue. Os números são um atestado da humilhação: o Cienciano finalizou 26 vezes, sendo 10 no nosso gol. O Glorioso? Apenas cinco míseras finalizações. Uma lição de como não se jogar futebol.

Missão Quase Impossível no Nilton Santos

Agora, o que nos resta é o improvável. Na próxima quinta-feira, dia 20, no Nilton Santos, o Fogão precisa de um milagre. Uma vitória por seis gols de diferença para classificar, ou por cinco para levar a decisão para a agonia dos pênaltis. Um cenário que liga todos os alertas de crise.

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Essa goleada não foi apenas uma derrota. Foi uma aula. Uma lição dolorosa de um adversário inferior em tradição, qualidade e investimento. O Cienciano mostrou que nada disso entra em campo. O que entra é plano, organização e vontade. Tudo o que faltou ao Botafogo de Franclim Carvalho. A torcida alvinegra exige uma reflexão profunda. Essa mancha não pode ser ignorada.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.