FRANCLIM CARVALHO POR UM FIO: Os bastidores da demissão iminente no Botafogo

A goleada no Peru e a derrota para o Vitória selaram o destino? Diretoria se reúne para decidir o futuro de Franclim Carvalho. Demissão é o cenário mais provável.

Franclim Carvalho, técnico do Botafogo, no jogo contra o Vitória — Foto: Walmir Cirne/AGIF

A HORA DA VERDADE: O Futuro de Franclim em Jogo

A pergunta que ecoa em cada esquina de General Severiano, em cada mensagem trocada pelo povo do Fogão, é uma só: Franclim Carvalho fica? O silêncio da diretoria nesta segunda-feira foi mais ensurdecedor que qualquer vaia. O martelo ainda não foi batido, mas o som da lâmina da guilhotina se aproxima. No momento, todos os caminhos indicam a demissão do comandante.

A paciência, que já era pouca, esgotou-se. O jogo da próxima quinta-feira, contra o Cienciano, pela Copa Sul-Americana, virou um marco. Será o último ato de Franclim ou o início de uma nova era, ainda que interina? A nação alvinegra aguarda, com o coração na mão, o desfecho de mais um drama que só o Botafogo sabe protagonizar.

A GOTA D’ÁGUA: De Cusco a Salvador, o Fim da Paciência

A pressão sobre o trabalho de Franclim Carvalho não é de hoje, mas a avalanche que o soterrou começou a se formar na altitude do Peru. A goleada humilhante por 6 a 1 para o Cienciano foi uma ferida que não cicatrizou. Foi um golpe na alma, uma mancha na nossa história recente que clamava por respostas.

As respostas não vieram. Pelo contrário, veio mais dor. A derrota por 1 a 0 para o Vitória, no domingo, foi a pá de cal. Não apenas pelo resultado, mas pela apatia, pelas decisões questionáveis. Após a viagem casada que uniu os dois vexames, a diretoria aproveitou a folga do elenco para listar os prós e contras de uma ruptura imediata. E a lista dos ‘contras’ a permanência do técnico parece ter pesado muito mais.

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O Que Ainda Segurava o Mister?

Nem tudo é terra arrasada. Havia um pilar que sustentava Franclim: o bom relacionamento com o elenco. É preciso lembrar que ele chegou em abril, em um cenário de caos absoluto. O Glorioso vivia uma disputa política interna, uma crise financeira aguda e vinha de uma péssima sequência com Martín Anselmi.

Naquele momento, Franclim e os jogadores criaram uma espécie de blindagem, um pacto para isolar o vestiário dos problemas externos que tanto nos assombram. Por ser um rosto conhecido de 2024, sua adaptação foi rápida e ele conseguiu, por um tempo, trazer um pouco de paz. Mas a paz no Botafogo é um estado de espírito passageiro, e a bola, implacável, parou de entrar.

A Ruptura: Decisões Polêmicas e um Técnico ‘Intransigente’

O prestígio conquistado no início se esvaiu com as atuações medonhas pós-Copa do Mundo. Internamente, as críticas se avolumaram. Decisões de Franclim passaram a ser vistas como erros crassos. A escalação na desastrosa noite em Cusco e, principalmente, a substituição de Huguinho por Júnior Santos ainda no primeiro tempo contra o Vitória, foram incompreendidas e detonadas nos bastidores.

Para piorar o clima, fontes de dentro do clube relatam um Franclim Carvalho “mais intransigente” nas últimas semanas. Aquele técnico que chegou para unir parece ter se fechado em suas próprias convicções, mesmo que elas estivessem levando o time para o abismo.

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A ironia é cruel. No fim de junho, a diretoria fez um esforço hercúleo para mantê-lo, quando o Vasco tentou sua contratação. Ele foi valorizado, recebeu um aumento salarial e soube que era peça importante no projeto da GDA, a nova investidora da SAF. O resultado? Uma multa rescisória mais alta, que agora o clube terá de arcar para consumar a demissão. Botafogo é isso aí.

Os Donos da Caneta e o Plano de Emergência

A decisão final não será de uma pessoa só, mas terá um responsável principal. Eduardo Iglesias, o diretor-geral da SAF, dará a palavra final, mas com o aval de Gabriel de Alba, o homem forte da GDA. O novo investidor, aliás, desembarca no Rio de Janeiro nesta terça-feira, já com uma batata quente para descascar antes mesmo de conhecer as instalações do clube.

O presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães Lins, e o diretor de futebol, Léo Coelho, também participam da conversa. Enquanto os engravatados debatem, um nome surge como solução de emergência para o jogo decisivo de quinta-feira: Rodrigo Bellão. O técnico do sub-20 é o mais cotado para estar à beira do campo no Nilton Santos, em uma missão para salvar nossa honra na Sul-Americana. A Estrela Solitária precisa voltar a brilhar, e a mudança, mais uma vez, parece ser o único caminho.

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Informações com base em reportagem do ge.globo.com.