FRANCLIM ADMITE A VERGONHA: ‘É um dia que nos envergonha’. O vexame de 6 a 1 e a missão impossível do Fogão

Uma noite para esquecer. Um 6 a 1 que dói na alma e um técnico que admite: 'nos envergonha'. O Fogão sucumbiu em Cusco e agora precisa de um milagre histórico.

Justino em Cienciano x Botafogo — Foto: Vitor Silva / Botafogo

Um Soco no Estômago Chamado Cusco

Existem derrotas. Existem noites ruins. E existe o que aconteceu em Cusco. Um 6 a 1 que não é apenas um placar, é uma cicatriz na alma do torcedor alvinegro. É o tipo de resultado que ecoa, que humilha, que nos faz questionar tudo. E no centro do furacão, um técnico que não se escondeu e usou a palavra que todos nós, fiéis da Estrela, sentimos: vergonha.

“É um dia que nos envergonha”, confessou Franclim Carvalho. Não há como dourar a pílula. O Botafogo não apenas perdeu para o Cienciano na altitude. O Glorioso sucumbiu, foi engolido, desmantelado. A missão de sair vivo do Peru se transformou na noite mais longa de nossas vidas, e agora, para seguir na Sul-Americana, precisamos de algo que beira o impossível: reverter uma desvantagem de cinco gols.

O Erro que Começou na Prancheta

A tragédia anunciada começou muito antes do apito inicial. Começou nas escolhas de Franclim. A opção por um time misto, com Ponte e Marçal nas vagas de Vitinho e Alex Telles, e com Matheus Martins e Kadir no ataque, se provou um erro fatal.

Na coletiva, o treinador tentou justificar. Disse que a ideia era combater os cruzamentos do Cienciano, uma arma conhecida na altitude. O que vimos em campo, no entanto, foi o exato oposto. A teoria de Franclim foi destruída pela prática. As laterais, que deveriam ser fortalezas, se tornaram avenidas. Marçal, aos sete minutos, já sinalizava para o banco a cruel falta de ar. Era um presságio do que estava por vir.

Publicidade

Das seis facadas que levamos, quatro nasceram de bolas alçadas na área. O veneno que tentamos evitar foi o que nos matou. “Sabemos da dificuldade de jogar aqui, estávamos avisados do adversário, das bolas na área, falamos sobre isso, tentamos evitar, não conseguimos”, lamentou o técnico. Uma confissão dolorosa de que o plano, simplesmente, ruiu de forma espetacular.

Um Apagão Coletivo: Falhas, VAR e Desespero

O primeiro tempo foi um filme de terror em tempo real. Um período de 15 minutos, entre os 19 e os 34, onde o Cienciano transformou o jogo em um atropelamento sem piedade. Começou com Succar, se livrando de Justino como se ele não estivesse ali, para mergulhar e fazer 1 a 0.

Dois minutos depois, o caos. Uma jogada ensaiada, um desvio de Amondarain e a bola sobra para Bandiera. Um toque de mão? A imagem sugere que sim. O VAR checou por cinco longos minutos de agonia, mas o gol foi validado. Era o 2 a 0, e o castelo de cartas alvinegro já estava no chão.

O que veio a seguir foi uma sucessão de pesadelos. O terceiro gol é a imagem da pane geral: Warleson, nosso goleiro, falha de forma bisonha, soltando uma bola defensável nos pés de Succar. O quarto, um chute indefensável de Martinich, foi apenas a confirmação de que aquela não era a nossa noite. Era a noite deles.

Publicidade

Franclim tentou reagir. Sacou Kadir e Montoro para as entradas de Arthur Cabral e Kauan Toledo ainda na primeira etapa. Uma medida de desespero que, na prática, não mudou absolutamente nada. Fomos para o intervalo com a sensação de que o estrago era irreparável.

“Tudo Culpa Nossa”: A Análise Crua do Vestiário

Enquanto nós, torcedores, buscávamos culpados, uma voz do elenco resumiu o sentimento com uma honestidade brutal. “Tudo culpa nossa. Foram 45 minutos de nada”, disse Ferraresi. Uma frase curta, direta e dolorosamente verdadeira. Não há altitude que explique, não há VAR que justifique 45 minutos de apatia, de erros, de um time que parecia perdido em campo.

Aquela primeira etapa foi um vazio. Um time sem alma, sem combate, sem a fibra que se exige de quem veste a camisa da Estrela Solitária. O goleiro adversário, Espinoza, foi um mero espectador. A fala de Ferraresi é um tapa na cara, mas um tapa necessário. A responsabilidade é de todos.

Um Fio de Esperança e a Dureza dos Números

Na volta para o segundo tempo, um lampejo. Matheus Martins, em cobrança de falta, fez o nosso gol de honra. Por um instante, um fio de esperança surgiu. Arthur Cabral, com sua correria, tentou, arriscou de longe. O Botafogo cresceu, ainda que de forma muito tímida.

Publicidade

Mas o cenário era de “erro zero”. Qualquer novo gol sofrido tornaria a missão no Rio de Janeiro ainda mais hercúlea. E o erro veio. A defesa, mais uma vez, abriu. Hohberg encontrou Bandiera livre, que dominou com tranquilidade e fuzilou para fazer o quinto.

Se a sensação já era de humilhação, as estatísticas vieram para esfregar o sal na ferida. O Cienciano teve 14 escanteios a seu favor. O Botafogo? Nenhum. Zero. Um número que grita a nossa incapacidade de criar, de chegar, de ameaçar. A goleada de 6 a 1, no fim, foi um retrato fiel e cruel da nossa impotência.

A missão agora é quase impossível. Reverter um 6 a 1 exige mais que futebol. Exige um milagre, uma noite de proporções épicas no Nilton Santos. A pergunta que fica no ar, ecoando com a dor da altitude, é se este time tem forças para sequer sonhar com isso. A vergonha de Cusco será uma mancha eterna ou o combustível para uma virada histórica? A torcida, como sempre, estará lá. Mas a resposta, desta vez, tem que vir de dentro de campo.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.