‘Vergonha histórica, vexame, várzea, nojo’
Não há outra forma de começar. Não existem palavras amenas, não há consolo. A noite de quinta-feira, dia 13, foi um punhal cravado na alma de cada botafoguense. E no meio do silêncio ensurdecedor da humilhação, uma voz se ergueu para traduzir o sentimento de milhões: a do influenciador Pedro Certezas.
Em uma postagem que é um soco no estômago, Certezas resumiu a catástrofe. Suas palavras não são apenas uma opinião; são o evangelho da dor alvinegra. “Vergonha histórica, vexame, várzea, nojo. não tem altitude, não tem desculpa, é piada mesmo”, escreveu ele, e cada vírgula ecoou nos corações dos fiéis da Estrela Solitária.
Não há como discordar. O que vimos em Cusco, no Peru, contra o Cienciano, não foi um jogo de futebol. Foi um massacre, uma rendição, uma mancha que o placar de 6 a 1 jamais deixará apagar. A Estrela Solitária foi ofuscada por uma escuridão que parece não ter fim.
Crônica de uma Humilhação Anunciada em Cusco
O palco da tragédia foi o Estádio Garcilaso de la Vega. O Botafogo não apenas perdeu; ele foi desintegrado. Desde o primeiro minuto, o time parecia um fantasma em campo, assistindo a um adversário que, sejamos honestos, apenas fez o básico com vontade.
A defesa, uma peneira. O meio-campo, um deserto. Antes dos 30 minutos de jogo, o placar já era um acachapante 3 a 0. Succar, o carrasco da noite, marcou duas vezes, a segunda contando com uma falha grotesca do nosso goleiro Warleson. Bandiera ampliou, em um lance onde todo botafoguense viu um toque de braço que a arbitragem ignorou.
Como se a humilhação não fosse suficiente, aos 34 minutos, Martinich acertou um chute de cinema, de muito longe, no ângulo. Um gol indefensável que selou o caixão de um primeiro tempo para ser esquecido, mas que ficará para sempre na memória como um dos piores da nossa história.
Na volta do intervalo, um lampejo de genialidade. Um golaço de falta do atacante Matheus Martins nos deu um fio de esperança. Mas era apenas um delírio. O time não tinha alma, não tinha força. O Cienciano, organizado e letal, aproveitou cada espaço e Bandiera marcou de novo. A desorganização era total.
A Estátua à Beira do Gramado: A Inércia de Franclim
Enquanto o Glorioso era esquartejado em campo, o técnico Franclim Carvalho assistia a tudo de forma inerte. O que se passava na cabeça do comandante? A fonte é clara: tempo não faltou. O time levou um gol atrás do outro, foi para o intervalo, voltou, fez um gol… e nada mudou.
Nenhuma alteração de peças. Nenhuma mudança tática. Franclim foi um espectador privilegiado do show de horrores que ele mesmo montou. A passividade à beira do gramado era tão dolorosa quanto os gols que sofremos. Para completar o pesadelo, Succar, o nome do jogo, ainda faria o sexto gol, seu terceiro na partida. Um hat-trick na conta da nossa vergonha.
No apagar das luzes, ainda tivemos um gol de Edenilson anulado. Uma nota de rodapé cruel em uma noite onde o adversário não teve pena, ignorou nossa tradição e aplicou uma das maiores goleadas da centenária história do Botafogo de Futebol e Regatas.
O Novo Mandamento do Botafoguense: 45 Pontos
É aqui que as palavras de Pedro Certezas se tornam um decreto. O sonho da Sul-Americana virou pó. A glória internacional se transformou em vexame continental. O que nos resta? A dura, fria e cruel realidade.
“Pelo menos serve pra gente lembrar do único objetivo do Botafogo em 2026: os 45 pontos no Brasileiro. faltam 15. o que vier além disso é lucro. ponto”, finalizou o influenciador. A menção a 2026 pode soar estranha, mas ela reflete o pessimismo de longo prazo que se abateu sobre nós: a luta contra o rebaixamento não é apenas para hoje, é o nosso destino.
A conta é simples e dolorosa. A busca agora não é por taças, mas por sobrevivência. Cada ponto no Brasileirão será suado com o sangue e a alma do povo do Fogão. A festa acabou. O sonho morreu em Cusco. Agora, é guerra. E a única batalha que importa é a pela permanência. Botafogo é isso aí: sofrimento, resiliência e uma fé que nem um 6 a 1 consegue destruir. Mas que ela testa, ah, como testa.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.