A Pausa que Dói na Alma Alvinegra
O apito soou, não para o fim de um jogo, mas para uma pausa no calendário. Uma pausa que encontra o Botafogo em um lugar que não reflete a grandeza de sua Estrela Solitária. Olhar para a tabela e ver o Glorioso na 12ª colocação, com 22 pontos, é sentir um gosto amargo na boca. É o sabor da oscilação, da inconstância que nos roubou o que era nosso por direito. Sete pontos. Guarde este número, torcedor. Sete pontos que escorreram por entre nossos dedos e que definem a missão clara que Franclim Carvalho tem pela frente.
A campanha até aqui não foi uma linha reta. Foi uma montanha-russa de emoções, um roteiro digno da dramaturgia que só o Botafogo é capaz de escrever. Três atos bem definidos nos trouxeram até este momento de reflexão e cobrança.
A Ilusão Argentina e a Queda Livre
Lembram do início? A aposta no argentino Martín Anselmi, vindo com grife do Porto. A estreia foi um sonho, uma sinfonia em preto e branco. Um 4 a 0 avassalador sobre o Cruzeiro, que na época era comandado por Tite. Parecia o prenúncio de uma era de glórias. Parecia. Mas a realidade alvinegra, por vezes, é mais dura.
O que se seguiu foi um pesadelo. Uma sequência de derrotas que feriu nosso orgulho. Um 5 a 3 para o Grêmio, um 1 a 0 para o Fluminense, um doloroso 3 a 0 para o rival da Gávea e um 2 a 1 para o Palmeiras. Como se não bastasse, a eliminação precoce na segunda fase preliminar da Libertadores. E então, no auge do paradoxo botafoguense, quando finalmente quebramos a sequência ruim vencendo o Bragantino fora de casa, a diretoria optou por encerrar o trabalho de Anselmi. Um começo de temporada turbulento que nos deixou desnorteados.
O Brilho Fugaz do Garoto Bellão
No vácuo do comando, uma luz surgiu de onde menos se esperava. Rodrigo Bellão, o jovem treinador do nosso sub-20, assumiu a missão interina. A estreia foi dura, uma derrota por 4 a 1 para o Athletico-PR. Mas o que veio depois reacendeu a chama da esperança em nossos corações.
Com Bellão, vimos um time diferente. Um time com alma, ofensivo e compacto, que foi para cima e conquistou vitórias importantes contra Mirassol e Vasco. Não eram apenas os resultados, era o estilo. Era a promessa de um futebol que nos representava, que nos fazia acreditar de novo. Foi um sopro de ar fresco, um vislumbre do potencial que mora em General Severiano.
Franclim e os Fantasmas dos Minutos Finais
Então, o bastão foi passado para o português Franclim Carvalho. Com ele, o time decolou na Sul-Americana, mostrando organização e novas ideias. Mas no Brasileirão, a história tem sido outra. Uma história assombrada pelos mesmos fantasmas que nos perseguem há tanto tempo: os pontos perdidos em casa, a incapacidade de fechar os jogos.
É aqui que os sete pontos da vergonha aparecem. Contra o Coritiba, um empate em 2 a 2 depois de estarmos em vantagem. Contra o Internacional, em jogo disputado em Brasília, o mesmo roteiro cruel: vantagem no placar, empate cedido nos minutos finais, outro 2 a 2. E a virada sofrida para o Remo, por 2 a 1, dentro de nossos domínios. Três jogos, sete pontos jogados no lixo. Sete pontos que hoje nos colocariam em uma situação muito mais confortável, brigando na parte de cima da tabela.
A Missão é Clara: Vencer a Oscilação
A pausa para a Copa do Mundo não pode ser para descanso. Tem que ser para trabalho, para reflexão, para exorcizar demônios. A missão de Franclim Carvalho e de todo o elenco é clara: encontrar a regularidade que nos falta. É aprender a matar os jogos, a ter a frieza e a malícia que transformam empates amargos em vitórias gloriosas.
O povo alvinegro já viu do que este time é capaz, nos seus melhores momentos. Vimos o brilho com Bellão e a organização com Franclim. Agora, queremos a fusão. Queremos o resultado. A segunda metade do campeonato se aproxima e não há mais espaço para tropeços em casa, para vacilos nos acréscimos. A Estrela Solitária precisa voltar a brilhar com força total. E nós, fiéis da Estrela, estaremos aqui, como sempre, para cobrar e para empurrar. Que o Glorioso retorne com a faca nos dentes, pronto para recuperar o que é seu.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.