FRANCLIM SOLTA O VERBO! Técnico do Fogão detona ‘mentira’ de juiz e defende os ’15 monstros’

Após derrota para o Bahia, Franclim Carvalho não se cala, detona 'mentira' do árbitro e exalta a luta dos '15 monstros' do Glorioso.

Uma noite de fúria e orgulho na Fonte Nova

A derrota por 2 a 1 para o Bahia, de virada, na noite deste sábado (30), doeu. Doeu porque interrompeu uma sequência positiva, doeu porque foi no último jogo antes da pausa para a Copa do Mundo. Mas, para o povo do Fogão, o que mais arde na alma é a sensação de que, mais uma vez, a balança não pesou de forma igual. E se a torcida sentiu isso do sofá, nosso comandante, Franclim Carvalho, sentiu na pele e não se calou. Em uma entrevista coletiva explosiva, o português lavou a alma alvinegra e expôs as vísceras de uma arbitragem, no mínimo, controversa.

O placar adverso não reflete a luta, a entrega e a alma que nosso time deixou no gramado. Mas reflete, infelizmente, uma série de decisões que mudaram o rumo da partida. Franclim, com a coragem que esperamos de quem defende a Estrela Solitária, não usou meias palavras para apontar o dedo para a arbitragem de Davi de Oliveira Lacerda.

“É MENTIRA!” – A fúria de Franclim contra a arbitragem

O estopim da revolta do nosso técnico não foi um lance isolado, mas um comportamento que, segundo ele, denota incapacidade e parcialidade. O alvo principal foi o quarto árbitro, Lucas, e a forma como a comissão técnica do Glorioso foi tratada.

“Quero fazer uma ressalva porque me parece importante. Não parece que qualquer membro da equipe de arbitragem possa ou tenha capacidade de dizer para se dirigir a minha comissão técnica e dizer ‘agora não falem mais comigo’ ou ‘agora não me peçam mais faltas’ e a seguir o gol de empate do adversário”, desabafou Franclim, expondo uma atitude inaceitável. “Se não tem capacidade para gerir os dois bancos, não pode falar essas declarações. Se não tem capacidade para engolir e encaixar o jogo não pode fazer isso.”

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Mas a indignação não parou por aí. O técnico português revelou uma conversa com o árbitro principal, Davi de Oliveira Lacerda, e o acusou de ter dois pesos e duas medidas, comparando o jogo contra o Bahia com uma partida anterior contra a Chapecoense, apitada pelo mesmo juiz.

“Eu falei com o árbitro porque ele apitou contra a Chapecoense, em que nós tivemos mais de 70% de posse de bola, igual ao Bahia hoje. Estávamos em igualdade numérica em busca do resultado, e os dedos dos árbitros estavam mais pesados quando o goleiro da Chapecoense estava com a bola na mão”, lembrou o comandante. “Eu disse isso: ‘Está correto o que você fez hoje’. Se são oito segundos, são oito segundos. Está certíssimo. Mas teria que ter feito o mesmo no jogo da Copa, ele não deu os escanteios. Estás a mentir, é mentira”, completou, em uma das acusações mais fortes e diretas que um técnico já fez nesta temporada.

O erro de Neto e o gramado impraticável

No meio do turbilhão, houve a expulsão de Neto. Nosso goleiro, provocado pela marcação de um escanteio bizarro por supostamente demorar mais de oito segundos na reposição, perdeu a cabeça e foi para o chuveiro mais cedo. Franclim, com a honestidade que lhe é característica, não passou a mão na cabeça do jogador.

“Sobre o lance do Neto, não me referi ao lance da expulsão, mas sim ao escanteio. Ainda não vi o lance, só sei do que o juiz me falou, mas por essa razão o Neto é culpado. Não pode fazer isso, é impensável. Por mais que esteja nervoso não pode perder o controle”, admitiu o técnico. “O Neto sabe que errou.”

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Além da arbitragem, outro vilão da noite foi o campo de jogo. Franclim não poupou críticas ao estado do gramado da Fonte Nova. “Esse gramado é fraco. Mas é para nós e para o Bahia, que talvez esteja mais acostumado. O gramado prejudica os atletas do Botafogo e do Bahia, que têm muita qualidade. Não se pode falar que o gramado do Bahia é melhor que o sintético do Botafogo, não é”, afirmou, com razão. Como exigir futebol de alto nível em um terreno que não oferece condições?

O orgulho dos “15 monstros” e a dor de Ferraresi

Apesar da derrota e da revolta, uma palavra definiu o sentimento de Franclim Carvalho sobre seus jogadores: orgulho. Mesmo com um a menos durante boa parte do jogo, o Botafogo lutou, criou e honrou a camisa.

“Nós com 11 estávamos melhor, foi um grande gol do Hugo, uma oportunidade boa do Medina que tiraram em cima da linha. Com 10, obviamente não podemos ter a bola, demos a bola para o adversário, mas ainda tivemos momentos na área adversária com Matheus Martins e Mateo Ponte”, analisou. “Não quero falar de injustiça ou justiça. Quero falar dos 15 monstros que tiveram em campo.”

E entre esses monstros, houve o drama humano de Ferraresi, autor do gol contra que selou a virada. Nosso zagueiro sentiu o golpe, e o técnico mostrou o lado humano do futebol. “Ele errou, se sentiu culpado. Ficou afetado, é um ser humano. Gosto muito dele, teve um lance infeliz. Até ali não lembro de uma chance clara do adversário”, disse Franclim, defendendo seu atleta. “Estou feliz com todos os 15 atletas que estiveram em campo, foram bravos. Com este compromisso e esta atitude vai ser difícil bater o Botafogo daqui para frente.”

A noite em Salvador foi amarga, mas a entrevista de Franclim Carvalho foi um farol. Um recado de que não vamos nos calar diante do que consideramos errado. Perdemos três pontos, mas talvez tenhamos ganhado ainda mais força moral para o restante da temporada. Que a atitude dos nossos “15 monstros” e a coragem do nosso comandante nos guiem. A Estrela Solitária segue brilhando, mesmo nas noites mais escuras.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.