O Dono da Estrela Solitária Não Se Calou
Afastado, mas jamais silenciado. O roteiro de uma quarta-feira que parecia comum no Rio de Janeiro foi rasgado por uma bomba de proporções épicas. John Textor, o empresário norte-americano que prometeu uma nova era ao Botafogo, convocou a imprensa e, em um discurso inflamado, deixou claro: a guerra pelo controle do nosso Glorioso está longe de acabar. Ele pode ter sido afastado do comando da SAF em abril, mas em seu coração e nos documentos, a história é outra.
Em um hotel na Cidade Maravilhosa, Textor não mediu palavras. Acusou, apontou culpados e, acima de tudo, reafirmou sua posição com a força de um trovão: ele ainda é o proprietário das ações da nossa SAF, hoje gerida pelo diretor Eduardo Iglesias. O recado foi direto, cortante e destinado a todos que ousam duvidar de seu poder.
‘Eu Sou o Dono de 90%’: A Reivindicação de Poder
Para quem achava que o norte-americano estava fora do jogo, o choque de realidade foi brutal. Textor foi enfático ao cravar a sua participação no clube que amamos. “O fato é: eu sou o dono de 90% das ações. Vai ser altamente disputado. E vai ser disputado entre mim e Eagle Bidco. Mas a Eagle não tem o direito de vender ações que eu sou dono”, disparou, estabelecendo o campo de batalha.
A mensagem é cristalina: a briga é entre gigantes. Mas ele fez questão de tirar um ator dessa equação: o clube associativo. Aquele que, segundo ele, tenta vender algo que não lhe pertence, detendo por lei apenas 10% da SAF e um único assento no conselho.
A Traição em General Severiano: ‘Eles Me Traíram’
O ponto mais sensível, a ferida aberta que sangra na alma alvinegra, foi a acusação de traição. Textor não usou meias palavras para descrever a atitude do clube social, citando nominalmente um acordo com a GDA que teria sido feito pelas suas costas e de Durcesio. A dor na voz de quem se sentiu apunhalado era palpável.
“Eles me traíram, traíram o Durcesio, disseram a nós que outra coisa estava acontecendo”, revelou, expondo uma racha que vai muito além das finanças. É uma quebra de confiança no coração do Botafogo. “Agora, dizem que eles vão negociar para comprar as ações. Bem, vamos ver”, ironizou, deixando no ar a promessa de uma longa disputa judicial e moral.
Recado a Investidores: ‘Comprando Algo Inválido’
Com a fúria de quem defende o que é seu, Textor mandou um aviso que ecoou por todo o mercado financeiro e do futebol. Qualquer um que se atreva a negociar a compra do Botafogo com o clube associativo estará cometendo um erro colossal. “Se eles fizerem isso, o comprador tem que estar consciente de que está comprando algo inválido”, sentenciou.
É um xeque-mate. Ele colocou uma placa de ‘não mexam’ no portão de General Severiano. A mensagem para a Mastercom ou qualquer outro grupo é clara: o caminho para a Estrela Solitária passa por ele, e somente por ele ou pela Eagle Bidco, em uma batalha que será decidida nos tribunais.
A Responsabilidade Pela Vergonha: 5 Transfer Bans e $70 Milhões Bloqueados
O empresário assumiu seus erros, mas traçou uma linha clara no chão quando o assunto é a atual crise financeira e a humilhação dos cinco transfer bans impostos pela Fifa. A culpa, segundo ele, tem endereço certo: o clube social. “Eu não vou me responsabilizar por transfer bans que foram criados pelo clube social, usando a Justiça para bloquear dinheiro de entrar”, declarou.
Textor revelou um número que causa revolta: 70 milhões de dólares. Uma fortuna que, segundo ele, deveria ter entrado no caixa do Fogão, mas foi bloqueada. “Como o clube estaria com 70 milhões de dólares? Nós estaríamos contratando jogadores, pagando nossas dívidas e não estaríamos nessa guerra. Se naquela época os 70 milhões de dólares tivessem entrado, nós não estaríamos aqui falando sobre a vergonha que está com o nome do nosso clube”. É de cortar o coração de qualquer botafoguense.
‘Nunca Fiz Oferta Nenhuma’: A Verdade Sobre a Recompra
Para finalizar, Textor desmentiu categoricamente os boatos de que teria feito uma nova oferta para comprar de volta a SAF. Ele ridicularizou a ideia, afirmando que seria ilógico oferecer algo a quem não tem o direito de vender. “Nunca fiz uma oferta ao clube social porque não é direito deles decidir isso. Eles são, por lei, detentores de 10%”, explicou.
A batalha pelo Botafogo está declarada. De um lado, um empresário ferido que clama ser o dono legítimo e acusa uma traição interna. Do outro, um clube associativo que, segundo ele, busca ‘ego e poder’. E no meio, nós, a torcida alvinegra, que só queremos ver a nossa Estrela Solitária brilhar em paz. A quem pertence, de fato, a alma do Glorioso? A resposta, meu amigo, ainda será escrita com muita luta e paixão.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.