TEXTOR DEFLAGRA GUERRA: ‘EU SOU O DONO! Quem comprar, compra algo inválido!’

Afastado, mas não vencido! John Textor afirma ser o dono de 90% do Fogão e dispara contra o clube social: 'Me traíram!'

John Textor em entrevista coletiva em hotel no Rio de Janeiro — Foto: Bárbara Mendonça/ge

A terra tremeu no Rio de Janeiro. Longe dos gramados, em um hotel na zona sul, a batalha pelo futuro do Botafogo ganhou seu capítulo mais explosivo. John Textor, o americano que nos fez sonhar com uma nova era, quebrou o silêncio. Afastado, mas nunca derrotado, ele convocou a imprensa e soltou os cachorros, com um alvo claro: o clube social, a quem acusa de traição e de querer o poder de volta a qualquer custo.

Para o povo do Fogão, que vive em uma montanha-russa de emoções, as palavras de Textor soam como um trovão em céu azul. É a incerteza batendo à porta mais uma vez. Mas, desta vez, vinda da boca do homem que detém, segundo ele, a chave do nosso futuro.

‘Eles Não São os Donos, Eu Sou!’

A mensagem central foi direta, sem rodeios, como um chute de fora da área. John Textor reivindicou sua posição com uma força que há muito não se via. “O fato é: eu sou o dono de 90% das ações”, declarou, cravando sua bandeira no território da SAF que ele mesmo ajudou a erguer. A frase ecoa como um hino de resistência para uma parte da torcida e como uma ameaça para outros.

Ele não parou por aí. O empresário americano mandou um recado direto para qualquer investidor que ouse se aproximar do Glorioso neste momento de turbulência. “Se eles fizerem isso (venderem as ações), o comprador tem que estar consciente de que está comprando algo inválido”, alertou. A disputa, segundo ele, é com a Eagle Bidco, mas a legitimidade, em sua visão, é inquestionável. “A Eagle não tem o direito de vender ações que eu sou dono”.

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A Traição em General Severiano

O tom de Textor se tornou ainda mais grave ao mirar suas baterias para dentro de casa, para as raízes de General Severiano. O alvo foi o clube social, os detentores dos 10% restantes da SAF. A acusação é pesadíssima: traição. “Eles me traíram, traíram o Durcesio, disseram a nós que outra coisa estava acontecendo”, desabafou o americano, expondo uma ferida que, agora, sangra em público.

Para Textor, a motivação por trás dos movimentos do clube associativo é clara e perigosa. “O clube social tem que se responsabilizar pelo que tá acontecendo. O clube social quer ego, poder, quer o clube deles de volta”, afirmou, tocando no ponto mais sensível para o torcedor que viu o Botafogo sofrer por décadas com gestões amadoras e políticas. A fala de Textor evoca o fantasma de um passado que ninguém quer reviver.

O Labirinto Jurídico e o Futuro do Fogão

É impossível ignorar o contexto que nos trouxe até aqui. Em abril, uma decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) afastou Textor do comando da nossa SAF. A justificativa foi dura: o americano “tinha o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”. Desde então, Eduardo Iglesias assumiu como diretor, com a missão de encontrar um novo caminho, ou melhor, um novo investidor.

Enquanto a batalha judicial se desenrola, o Botafogo, nossa paixão, fica no meio do fogo cruzado. Textor é categórico ao dizer que o clube social, com seus 10%, não tem o direito de negociar as ações que pertencem a ele. “Eles não são os donos, eu sou”, repetiu, como um mantra de guerra. O futuro da Estrela Solitária, que deveria ser decidido no campo, está sendo jogado em salas de reunião e tribunais.

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Entre a Crise e a Esperança

A situação é delicada. O clube amarga um doloroso quinto transfer ban, uma punição que nos impede de reforçar o elenco e nos joga em um limbo esportivo. Enquanto Textor briga pelo que acredita ser seu, o dia a dia do futebol sofre as consequências diretas dessa instabilidade. A menção ao seu passado no Lyon, onde também enfrentou problemas financeiros que levaram o clube francês ao rebaixamento, acende um sinal de alerta, ainda que ele tenha renunciado lá para, segundo ele, reverter a situação.

O que fica para nós, fiéis da Estrela, é a angústia. As palavras de John Textor são um misto de defesa, ataque e um grito de quem não quer largar o osso. Ele prometeu não sair “até que me arrastem para fora”. A pergunta que não quer calar é: quem vai arrastar quem? E, mais importante, para onde estão arrastando o nosso Botafogo? A única certeza é que, mais uma vez, ser botafoguense é um ato de fé e resistência.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.