O céu do Rio de Janeiro chorou de forma violenta nesta segunda-feira, e com ele, chora toda a nação alvinegra. A notícia que nenhum botafoguense queria ler chegou como um soco no estômago: Tássio Maia dos Santos, ex-atacante que vestiu nosso manto sagrado, nos deixou de forma trágica e prematura aos 41 anos.
A vida, em sua brutalidade inexplicável, o levou em um acidente terrível. Tássio foi uma das vítimas da queda de um muro no bucólico bairro de Santa Teresa, um cenário de cartão-postal que se tornou palco de uma tragédia. A causa foi a ventania impiedosa que açoitou a Cidade Maravilhosa, com rajadas que ultrapassaram os 90 km/h, mostrando que nem a natureza perdoa.
É um dia de luto. Um dia em que a Estrela Solitária brilha com menos intensidade, ofuscada pela dor da perda. Tássio pode ter tido uma passagem breve por General Severiano, mas quem veste nossa camisa, quem honra nossas cores, se torna eternamente um de nós. E a dor de perder um dos nossos é imensurável.
A breve jornada com o manto Glorioso
Muitos talvez não se lembrem em detalhes, mas Tássio fez parte da nossa história. Foi no ano de 2015 que ele teve a honra de defender o Botafogo. Foram seis batalhas em campo com a nossa camisa, sendo cinco pelo Campeonato Carioca e uma pela Copa do Brasil.
E em sua curta trajetória, ele deixou sua marca. Deixou seu gol. Foi em uma vitória por 3 a 0 contra o Resende, um momento em que a rede balançou e o nome de Tássio foi gritado pela torcida alvinegra. Um gol. Pode parecer pouco para alguns, mas para um jogador, um gol pelo Glorioso é um marco eterno, uma memória que o tempo não apaga e que agora, reassistimos com o coração apertado.
Naquele time, ele era mais uma peça na engrenagem, mais um guerreiro a lutar pelo nosso pavilhão. E hoje, lembramos desse guerreiro com respeito e carinho.
A mesma tempestade que uniu destinos
O destino, em suas tramas cruéis, conectou a tragédia de Tássio ao nosso clube de uma forma ainda mais direta. A mesma ventania que o vitimou em Santa Teresa foi a que obrigou o Botafogo a cancelar seus compromissos no Estádio Nilton Santos.
Uma entrevista programada com os jogadores Justino e Huguinho, que seriam os convidados do programa ‘Estação Nilton Santos’ na Botafogo TV, teve que ser cancelada. O motivo? A segurança. Os ventos fortes que castigavam o Rio e o nosso estádio. Mal sabíamos nós que, a poucos quilômetros dali, essa mesma fúria da natureza estava escrevendo um dos capítulos mais tristes de nossa história recente.
É uma ironia dolorosa. Enquanto o clube se protegia, um de seus ex-filhos era colhido pela tempestade. Uma prova de como estamos todos, de alguma forma, interligados sob o mesmo céu e a mesma Estrela.
Um rodamundo da bola
A carreira de Tássio foi a de um verdadeiro operário do futebol. Revelado pelo São Cristóvão, ele foi um andarilho, um peregrino da bola. Aposentou-se em 2019 após uma jornada impressionante, defendendo nada menos que 27 clubes.
No Brasil, além do nosso Fogão, ele emprestou seu talento e sua força a equipes como Mirassol, Figueirense, Volta Redonda e Bragantino. Sua carreira não se limitou às nossas fronteiras. Tássio também se aventurou no futebol internacional, chegando a atuar pelo CSKA Sofia, na Bulgária, entre outras equipes.
Após pendurar as chuteiras, ele encontrou uma nova paixão, dedicando-se à gestão de uma casa de festas justamente em Santa Teresa, o bairro que o acolheu e que, por uma fatalidade, foi seu último cenário. Ele era um lutador, dentro e fora de campo.
O adeus do Botafogo
O clube, como não poderia deixar de ser, manifestou seu profundo pesar. Em uma nota oficial publicada em suas redes sociais, o Botafogo prestou sua última homenagem e estendeu seu apoio aos que ficam. As palavras do Glorioso ecoam o sentimento de toda a torcida:
“Com imenso pesar, o Botafogo lamenta o falecimento do ex-atleta Tássio Maia dos Santos, que vestiu a nossa camisa no ano de 2015, aos 41 anos. Tássio foi vítima do desabamento de um muro durante a forte ventania que atingiu o Rio de Janeiro, nesta quarta-feira.
Neste momento de dor, o Clube presta solidariedade aos familiares, amigos e a todos os que conviveram com Tássio. Descanse em paz. 🖤🤍”
A nós, povo do Fogão, fiéis da Estrela, resta o luto e a memória. Hoje não há clubismo, não há rivalidade. Há apenas o silêncio respeitoso pela perda de uma vida. Que a família e os amigos de Tássio encontrem conforto e força neste momento de dor avassaladora. E que ele, onde estiver, saiba que uma vez Glorioso, sempre Glorioso. Descanse em paz, guerreiro.