ERROS INFANTIS E TRAGÉDIA: Neto e Ferraresi entregam vitória e expõem a alma ferida do Botafogo

Do golaço de Huguinho à tragédia. Em noite de erros infantis de Neto e Ferraresi, o Fogão entrega uma vitória certa e expõe feridas profundas.

Botafogo — Foto: Divulgação Botafogo

O Roteiro da Autodestruição

Há noites que só o botafoguense entende. Noites em que a glória parece ao alcance das mãos, apenas para ser arrancada por um roteiro cruel, escrito por nós mesmos. A derrota por 2 a 1 para o Bahia, na Fonte Nova, na despedida antes da parada para a Copa do Mundo, foi a mais pura e dolorosa tradução do que é ser Botafogo. Uma noite de erros infantis, de decisões inexplicáveis e de uma fragilidade que ecoa como um alarme para o resto da temporada.

Começamos com um poema. Terminamos com um drama. Pelo meio, a tragédia. Foi uma atuação que nos fez sonhar e, em seguida, nos atirou de volta à dura realidade. Uma noite em que o maior adversário do Glorioso foi, mais uma vez, ele mesmo.

Um Golaço de Esperança: O Brilho de Huguinho

A noite começou como um sonho. Com os titulares de volta após a partida da Sul-Americana, o técnico Franclim Carvalho mandou a campo o que tinha de melhor. A escalação que iniciou a partida foi a seguinte:

  • Goleiro: Neto
  • Defesa: Mateo Ponte, Ferraresi, Justino, Alex Telles
  • Meio-campo: Huguinho, Medina, Montoro
  • Ataque: Villalba, Kauan Toledo, Arthur Cabral

E logo aos seis minutos, a Estrela Solitária brilhou intensamente. Huguinho, o garoto de 18 anos que herdou a vaga com o afastamento de Danilo e virou peça-chave, mostrou por que é a nova joia de General Severiano. Ele, com a raça que define nossa camisa, roubou uma bola mal afastada pela defesa baiana, limpou a marcação com a frieza de um veterano e soltou uma bomba. Golaço. Um gol para lavar a alma e nos encher de esperança.

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Com a vantagem, o Fogão jogava com a inteligência que a situação pedia. O Bahia, atordoado, cedia espaços que nosso time explorava em transições rápidas e perigosas. Aos 13, Montoro quase ampliou. Aos 29, Medina finalizou para um corte milagroso de Erick em cima da linha. O cenário era perfeito. O Botafogo era dono do jogo, tranquilo, soberano diante de um adversário sem inspiração. Tudo corria bem. Bem demais.

O Início do Fim: A Expulsão Infantil de Neto

E então, o roteiro mudou. No apagar das luzes do primeiro tempo, quando o controle era absoluto, veio o primeiro ato da nossa autodestruição. Neto, nosso goleiro, protagonizou uma cena que beira o inacreditável. Após demorar mais de oito segundos para cobrar um simples tiro de meta, o árbitro marcou escanteio. A reação de Neto foi desproporcional, acintosa. Um xingamento direto, uma explosão infantil que lhe custou um cartão vermelho direto.

Em um piscar de olhos, a tranquilidade virou pânico. Villalba foi sacrificado para a entrada de Raul no gol. O plano de jogo, a vantagem psicológica, tudo foi para o ralo por um ato impensado. Fomos para o intervalo com um a menos e com a sensação amarga de que havíamos acabado de dar ao adversário a chave para voltar ao jogo.

A Lambança que Selou o Destino

Mesmo com um a menos, o time voltou para o segundo tempo mostrando raça. A equipe se portava bem, segurava a pressão como podia, lutava por cada centímetro do gramado da Fonte Nova, que Arthur Cabral mais tarde chamaria de “pasto”. A desvantagem numérica não parecia ser o fim do mundo. Mas o destino, ou melhor, nossos próprios erros, ainda nos reservavam o golpe de misericórdia.

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Veio na forma de uma lambança. Uma cena de comédia de erros que seria engraçada se não fosse trágica. Ferraresi, sem olhar, recuou uma bola para o goleiro Raul. O passe, displicente, encontrou nosso arqueiro despreparado. A bola passou por ele, mansa, e rolou lentamente para o fundo da nossa própria rede. Um gol contra que não tem nome, não tem explicação. Era o empate do Bahia, um gol que eles não fizeram, mas que nós lhes demos de presente.

A Fragilidade que Assombra a Estrela Solitária

A partir do empate, o que se viu foi um time exausto e psicologicamente destruído tentando sobreviver a um massacre. O Bahia, agora em total controle, acumulou 16 finalizações. Nossos guerreiros em campo tentavam de tudo. Newton tirou uma bola em cima da linha. Alex Telles salvou outra. Raul fez uma defesaça em cabeçada de Erick aos 45 minutos. Mas era uma luta inglória.

O castigo final veio um minuto depois. Em uma jogada trabalhada nas costas de um Alex Telles já esgotado, David Duarte apareceu para virar o jogo. 2 a 1. Fim da linha. A derrota não foi apenas um resultado, foi um espelho. Ela expôs a fragilidade do nosso sistema defensivo, que já sofreu 19 gols em 16 jogos, e a crise de confiança que assola nossos goleiros. Esta parada para a Copa do Mundo não poderia vir em momento mais necessário. É hora de olhar para dentro, curar as feridas e entender que, para voltarmos a vencer, precisamos primeiro parar de derrotar a nós mesmos.

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Informações com base em reportagem do ge.globo.com.