MEU CORAÇÃO QUEIMA! A história de Warleson, o novo goleiro que veio provar seu valor no Fogão

Com fogo nos olhos, o novo goleiro Warleson chega ao Glorioso para calar os críticos e mostrar sua força no futebol brasileiro. Conheça sua história.

Warleson, novo goleiro do Botafogo — Foto: Vitor Silva/BFR

Um Fogo que Arde no Peito

A janela de transferências se abriu e, com ela, a esperança da torcida alvinegra se renova. Entre os nomes que chegam para vestir o manto mais glorioso do mundo, um em especial traz consigo uma história de luta, superação e uma vontade avassaladora de vencer. Falamos de Warleson, o novo guardião da nossa meta, que retorna ao Brasil após seis longas temporadas na Europa com uma missão clara: provar seu valor em sua terra natal.

Não se trata apenas de um contrato ou de uma mudança de clube. Para Warleson, defender o Botafogo é a realização de um desejo profundo, uma chama que nunca se apagou. Em suas próprias palavras, ditas em entrevista ao ge em maio, o sentimento é visceral. “Acredito que eu tenho que provar isso ainda para o Brasil. Para mim, eu tenho qualidade para jogar no Brasil, então acho que o meu coração ainda queima por isso”, desabafou o goleiro. É com essa intensidade que ele desembarca em General Severiano.

Enquanto muitos sonham apenas com a Europa, Warleson carregava no peito o anseio de retornar, de sentir o calor do futebol brasileiro, de jogar em um gigante como o Fogão. “Todo atleta quer jogar na Europa, e quer ficar o tempo que for, mas eu também tenho essa chama ardendo em meu coração que é voltar a atuar no meu país de origem”, completou. Essa chama, torcedor alvinegro, agora arde por nós.

A Dura Estrada até a Estrela Solitária

A trajetória de um jogador de futebol nunca é uma linha reta, e a de Warleson é a prova disso. Natural de Cuiabá, ele rodou por categorias de base na Portuguesa Santista, Grêmio e no clube de sua cidade natal. No entanto, foi no Athletico-PR que sua formação se consolidou, sob os olhares de um dos maiores descobridores de talentos do nosso futebol.

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Quem o levou para o clube paranaense foi o falecido olheiro Ticão, uma lenda que revelou para o mundo craques como Kleberson e Fernandinho. Ver o nome de Warleson associado a um profissional desse calibre já nos dá uma pista da qualidade que estava ali, pronta para ser lapidada.

Contudo, o caminho profissional é feito de provações. Sem estrear pelo time principal do Athletico, Warleson foi emprestado ao Sampaio Corrêa em busca de minutos em campo. A experiência no Maranhão foi um teste de fogo, não apenas dentro das quatro linhas, mas principalmente fora delas. “Fiquei nove meses lá, mas mais de 70% eu fiquei sem receber salário”, revelou o goleiro. Uma prova de resiliência que apenas fortaleceu seu caráter.

Desprezado, Mas Jamais Vencido

De volta ao Athletico, o destino lhe preparou mais um obstáculo. O clube, que não o apoiou durante as dificuldades financeiras no empréstimo, queria enviá-lo para uma nova cessão, desta vez para a Ferroviária. Foi aí que Warleson bateu o pé, com a dignidade de quem conhece seu valor.

“Não vou, eu avisei que o clube não estava pagando e vocês não me deram atenção. Não vou sair. Vou ficar aqui, se quiserem me deixar de lado… Mas não vou sair de empréstimo agora”, contou ele sobre a conversa que selou seu destino no clube paranaense. A resposta da diretoria? Um diretor afirmou que ele não tinha qualidade para permanecer. O contrato foi rescindido.

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Para muitos, seria o fim da linha. Para Warleson, foi apenas um desvio na rota. Após uma passagem pelo São Joseense, a ajuda de um amigo e empresário belga abriu as portas da Europa. Em agosto de 2019, ele iniciava sua jornada no Cercle Brugge, pronto para mostrar ao mundo – e a quem duvidou dele – o tamanho do seu talento.

Forjado no Aço Belga para Brilhar no Glorioso

A Bélgica, um dos maiores celeiros de goleiros do planeta, foi o palco da redenção e do amadurecimento de Warleson. “É um dos países onde mais se revelam goleiros no mundo. Se você olhar, todas as equipes de elite do mundo têm goleiro belga. Atuar na Bélgica, estar entre os melhores goleiros da Bélgica, é gratificante. Mostra que eu também tenho qualidade”, explicou.

Lá, ele se adaptou a um futebol de extremo contato físico, muita força e duelos aéreos constantes, um estilo que, segundo ele, prepara um jogador para qualquer desafio. “É um futebol com muito contato, muita briga, força física… Muitos gols saem na competição com bola parada, no Brasil saem mais gols com contra-ataque”, analisou, antes de cravar uma frase que define sua confiança: “Até gosto de falar que quem joga na Bélgica joga em qualquer lugar do mundo.”

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Agora, esse goleiro de “pés no chão”, que buscou estudar em meio às incertezas da carreira e foi forjado em uma das ligas mais exigentes da Europa, chega ao Botafogo. Ele não vem apenas para compor elenco. Ele vem com o coração em chamas, com a sede de quem foi subestimado e com a qualidade de quem se provou no mais alto nível. Que essa chama contagie o Nilton Santos e ajude a Estrela Solitária a brilhar ainda mais forte. Seja bem-vindo, Warleson! O povo do Fogão te abraça!

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.