A Ferida que Não Cicatriza: Gregore Expõe a Dor da Torcida Alvinegra
Existem palavras que ecoam mais forte em General Severiano. E quando elas vêm de um herói, de um campeão que vestiu nosso manto com honra, o barulho é ensurdecedor. Gregore, o volante que foi pilar nos títulos do Campeonato Brasileiro e da CONMEBOL Libertadores de 2024 com o Botafogo, sentou-se no programa ‘Bola da Vez’, da ESPN, e abriu o coração. E o que saiu de lá foi um misto de melancolia e uma denúncia grave sobre a forma como o Glorioso lidou com as saídas de Marlon Freitas e Alexander Barboza.
Para o fiel da Estrela Solitária, a perda de dois pilares para um rival direto como o Palmeiras já foi um golpe duro. Mas ouvir de um ex-companheiro que tudo poderia ter sido diferente, que faltou clareza e projeto, transforma a dor em indignação. Gregore, hoje no Al Rayyan do Qatar, não ficou em cima do muro e suas palavras, que irão ao ar neste sábado, às 21h, na ESPN, já ressoam como um trovão no céu alvinegro.
‘Fico Meio Triste’: O Adeus de Marlon Freitas
A saga de Marlon Freitas no Botafogo é um roteiro de cinema. De um momento difícil em 2023, onde foi alvo de críticas, à redenção como nosso capitão em 2024, levantando os troféus mais cobiçados do continente. Sua saída foi um quebra-cabeça para a torcida. E Gregore, com a autoridade de quem viveu tudo aquilo de perto, nos deu uma peça fundamental.
”Eu fico meio triste pela maneira que o Marlon Freitas saiu”, confessou Gregore, com a sinceridade que sempre o caracterizou em campo. Ele aponta para falas equivocadas do próprio Marlon, que geraram um ‘transtorno grande’, mas o ponto central de sua análise é uma facada na alma do torcedor: ”Acredito que se ele tivesse um projeto bom no Botafogo ele não sairia.”
Está dito. Não foi apenas o dinheiro ou a sedução do rival. Foi a ausência de um futuro, a falta de uma promessa crível de que a glória seria perene. Marlon Freitas trocou o Alvinegro pelo Palmeiras em janeiro de 2026, onde já foi campeão paulista. Perdemos não apenas um jogador, mas o nosso capitão, por uma aparente falha de gestão e visão.
Barboza ‘Forçado a Sair’: A Denúncia que Assusta
Se o caso de Marlon foi triste, o de Alexander Barboza, segundo Gregore, beira o inacreditável. O zagueiro argentino, um xerife que se impôs com a nossa camisa, também rumou para o Palmeiras e, de acordo com o ex-companheiro, não foi por vontade própria.
”A gente ouve entrevistas do Barboza também falando que ele foi forçado a sair”, revelou Gregore, trazendo à tona uma informação gravíssima. Como assim, ‘forçado a sair’? Um clube que se pretende gigante pode se dar ao luxo de forçar a saída de um titular absoluto? A pergunta ecoa e nos deixa perplexos.
Gregore completa o raciocínio, unindo os dois casos: ”Acredito também que se tem um projeto ali e ele acredita na transparência do que estão passando para ele, ele fica no clube”. Transparência. A palavra-chave que parece ter faltado em nossas dependências. Barboza, que poderá atuar pelo novo clube após a Copa do Mundo, é mais um soldado que perdemos em uma batalha que, talvez, nem precisássemos lutar.
A Combinação Fatal: Projeto Fraco e Rival Forte
Gregore foi cirúrgico ao diagnosticar a ‘combinação de fatores’ que nos sangrou. De um lado, um Palmeiras agressivo, com um projeto consolidado e, segundo ele, com o próprio técnico Abel ligando para os jogadores. Do outro, um Botafogo que falhou em seu dever de casa.
”Não teve a transparência de apresentar um projeto para ambos, e o Palmeiras chegou muito forte para levar os caras”, analisou. Ele se coloca no lugar dos ex-companheiros, e a lógica é cruelmente simples: ”Se eu estou em uma empresa que não está trazendo transparência em um projeto futuro para mim e a outra está querendo que eu vá e lá vou brigar por títulos, é complicado…”.
É complicado para nós, torcedores, aceitarmos. O próprio Gregore seguiu seu caminho, deixando o Fogão em julho de 2025 para brilhar no Qatar, onde conquistou a Liga dos Campeões do Golfo e a Copa do Qatar. Ele sabe o valor de um projeto. A pergunta que fica no ar, e que a diretoria do Botafogo precisa responder não com palavras, mas com ações, é: qual é o nosso projeto? O que estamos construindo sobre as fundações gloriosas de 2024? As palavras de Gregore não são apenas uma crítica, são um alerta. E nós, o povo do Fogão, estamos ouvindo atentamente.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.