Um Ponto com Sabor de Vitória e Gosto Amargo
Ah, torcida alvinegra… Ser Botafogo é viver em um roteiro de cinema. A noite de sábado no Morumbis foi a prova viva disso. Saímos de lá com um ponto, mas com a alma dividida entre a euforia de um renascimento e a frustração de uma glória que nos escapou pelos dedos. O golaço de Barrera, uma pintura divina, foi o grito de um time que se recusou a morrer. O gol inacreditável perdido por Chris Ramos foi o sussurro do que poderia ter sido. Entre o céu e o inferno, o Glorioso mostrou, mais uma vez, sua face mais dramática e imprevisível.
O apito inicial foi o prenúncio do caos. E a culpa, precisamos admitir, começou no papel. Franclim Carvalho, nosso comandante, arquitetou um time que, na teoria, era para amassar. Na prática, foi um desastre.
O Pesadelo do Primeiro Tempo: Um Time Perdido em Campo
Franclim mandou a campo uma escalação que parecia um sonho ofensivo: Neto; Vitinho, Ferraresi, Justino e Marçal; Huguinho, Santi Rodríguez e Montoro; Villalba, Kauan Toledo e Arthur Cabral. O resultado? Um pesadelo. O meio-campo era uma avenida, um deserto de ideias e de marcação.
Com apenas três minutos, a conta chegou. Artur, do São Paulo, passeou como se estivesse no quintal de casa. Tabelou com Luciano enquanto nosso Justino saía de forma atabalhoada para marcar. O chute veio, e nosso goleiro Neto, em noite infeliz, falhou ao não segurar a bola. No rebote, Luciano só teve o trabalho de empurrar para as redes. 1 a 0. Um balde de água congelante na alma botafoguense.
O que se viu depois foi um show de horrores. Santi Rodríguez, perdido ao lado de Huguinho, não marcava, não atacava, não existia. O time todo era um fantasma. Nossos atacantes, ilhados. Arthur Cabral precisava voltar até a defesa para tocar na bola, um esforço inútil. O São Paulo dominava, a segunda bola era sempre deles, e cada ataque nosso parecia o convite para um contra-ataque mortal do adversário. Foi uma primeira etapa para esquecer, para apagar da memória.
A Mão do Comandante: As Trocas que Salvaram o Fogão
O intervalo chegou como um alívio. Franclim, que errou na estratégia inicial, precisava mostrar que é o general que confiamos. A primeira mudança foi sutil, mas necessária: saiu Villalba, que com sua velocidade não encontrava espaço, e entrou Kadir. A ideia era aproximar as peças, dar um mínimo de coesão a um time que era um amontoado de jogadores.
A melhora foi tímida. O Glorioso ainda sofria. Foi então que a estrela de Franclim começou a brilhar. Ele sacou os apagados Montoro e Kauan Toledo, que se escondiam na esquerda, para lançar Edenilson e Barrera. E que mudança! O jogo virou. Edenilson deu corpo, força e presença ao nosso meio-campo. Barrera trouxe a dinâmica, a faísca, a eletricidade que faltava ao ataque.
Aos 20 minutos do segundo tempo, era outro Botafogo. Um time que pressionava, que encurralava o São Paulo em seu campo. Sentindo o cheiro de sangue, Franclim foi ainda mais ousado: tirou Huguinho para a entrada de Joaquín Correa. O risco era enorme, os espaços para o contra-ataque tricolor aumentaram, e Tapia quase nos puniu em um lance que nossa defesa apenas assistiu. Mas quem não arrisca, não vive a glória de ser Botafogo.
Do Golaço Místico ao Pecado Capital
A aposta final foi a mais radical. Franclim foi para o ‘tudo ou nada’ ao tirar o zagueiro Justino para colocar o atacante Chris Ramos. Era o caos organizado, a busca insana pelo empate. E a recompensa veio. Veio dos pés de quem mudou o jogo.
Barrera, o predestinado da noite, recebeu a bola e, sem pensar duas vezes, soltou um foguete. Um golaço. Uma obra de arte que calou o Morumbis e fez explodir o coração de cada botafoguense. O empate era a redenção, a celebração de um time que se reergueu das cinzas em 45 minutos.
Mas o destino, ah, o destino… ele prega peças. Nos acréscimos, a bola da virada, a bola da vitória heroica, caiu nos pés de Chris Ramos. Sozinho. Na cara do gol. E ele isolou. Um chute que mandou para longe não apenas a bola, mas a chance de uma vitória épica. Um pecado que nos custou dois pontos, mas não apaga a luta. Saímos com um ponto que, pelas circunstâncias, é muito celebrado. Seguimos na parte de cima da tabela, com a lição de que, para o Botafogo, nada é fácil, mas nada é impossível.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.