O herói que não marcou o gol
O grito de gol de Arthur Cabral no apagar das luzes, garantindo um empate heroico contra o Atlético-MG, ecoou na alma de cada botafoguense. Foi um suspiro de alívio, a prova de que este time luta até o fim. Mas, torcedor, sejamos honestos. Se saímos da Arena MRV com um ponto precioso na bagagem, a gratidão maior deve ser dirigida ao homem que vestiu as luvas e se agigantou sob as nossas traves: Neto. Em uma noite de domingo que tinha tudo para ser trágica, assistimos à ressurreição de um gigante.
Enquanto muitos focam no gol salvador, o verdadeiro épico foi escrito pelas mãos de nosso goleiro. Foi sua primeira atuação de gala, daquelas que marcam uma temporada, desde que a Estrela Solitária lhe sorriu novamente, oferecendo uma segunda chance. E que chance bem aproveitada. Ele foi o pilar, a muralha, o santo que operou milagres quando tudo parecia perdido.
A Redenção de um Goleiro Marcado
A memória do torcedor é longa, e ninguém esquece o calvário de Neto. O início de 2026 foi um pesadelo. Falhas dolorosas, como aquela que culminou na eliminação para o nosso rival de menor expressão no Carioca, o Flamengo, deixaram marcas. Some-se a isso um desentendimento público com John Textor e o resultado foi um exílio de mais de 40 dias. Quarenta longos dias em que Neto sequer figurava na lista de relacionados, um talento relegado ao esquecimento.
Para muitos, era o fim da linha. Um jogador com seu histórico, afastado de forma tão contundente, parecia ter seu destino selado longe de General Severiano. Mas o futebol, meus amigos, e especialmente o futebol no Botafogo, é feito de reviravoltas. A mística alvinegra não permite narrativas simples.
O Pedido do General Franclim: Um Recurso Inestimável
A virada de chave atende pelo nome de Franclim Carvalho. Assim que o comandante português desembarcou em nosso clube, uma de suas primeiras e mais sábias decisões foi bater na porta do departamento de futebol e pedir, com a autoridade de quem entende do riscado, a reintegração de Neto. A justificativa foi simples e genial: o Glorioso não tinha o luxo de “ter um recurso parado”.
Franclim viu o que muitos se recusavam a enxergar: um ativo valioso, um goleiro de calibre internacional, que precisava apenas de um voto de confiança. O processo foi gradual. Neto voltou ao banco contra o Coritiba, vendo Raul manter a titularidade. Mas a reestreia de fogo veio onde os grandes se provam: na Argentina, contra o Racing, pela Sul-Americana. Uma vitória épica por 3 a 2 que já mostrava os sinais do que estava por vir.
Milagres em Território Hostil: A Atuação Contra o Galo
E então, chegamos a este domingo. Contra um Atlético-MG voraz, em sua casa, Neto foi simplesmente monumental. Foram seis defesas registradas nas estatísticas, mas o impacto foi de sessenta. Três dessas defesas foram em lances de puro reflexo, dentro da pequena área, onde o goleiro precisa ser mais do que técnico, precisa ser predestinado.
O clímax de sua atuação foi um cabeceio de Cuello, à queima-roupa. Um lance que 99% dos goleiros apenas observaria entrar. Mas não Neto. Com um salto felino, ele espalmou a bola e o desespero da torcida adversária, garantindo que o Fogão continuasse vivo no jogo. Foi a defesa do campeonato, a defesa que simboliza seu renascimento.
Os Números da Nova Era e o Foco na Copa do Brasil
Desde que recebeu esta segunda chance, os números falam por si. São oito jogos disputados. Sim, nove gols sofridos, mas o que importa é o resultado final: o Botafogo só saiu de campo derrotado uma única vez nesse período, naquela virada dolorida para o Remo pelo Brasileirão. Mais importante, ele já coleciona duas partidas sem ser vazado (baliza zero), contra o Independiente Petrolero na Sul-Americana e contra a Chapecoense na Copa do Brasil.
E é justamente para a Copa do Brasil que nossas atenções se voltam. O Glorioso tem um compromisso marcado para a próxima quinta-feira, às 18h (horário de Brasília), em Chapecó. Enfrentaremos a Chapecoense pelo jogo de volta da quinta fase, com a vantagem de 1 a 0 construída no jogo de ida, graças ao gol de Alex Telles. Com Neto guardando nossa meta, a confiança do povo do Fogão se renova. A estrela voltou a brilhar em nossas luvas.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.