TEXTOR ABRE O JOGO: A proposta de R$ 122 milhões e o plano para ficar ‘permanentemente’ no Fogão

John Textor propõe 'SAF/Social 2.0' com investimento de R$ 122 milhões e diz: 'Acho que conquistei o direito de estar aqui permanentemente'.

John Textor, do Botafogo — Foto: Vitor Silva/BFR

Um Grito no Silêncio: Textor Quer um Novo Pacto com a Alma Alvinegra

Em meio às turbulências e à distância que o tempo e as batalhas criaram, uma voz ressoa. John Textor, o homem à frente da nossa SAF, quebrou o silêncio. Não com uma contratação bombástica ou uma promessa de título, mas com algo talvez mais profundo: um plano para reatar os laços com o coração pulsante do clube, a nossa raiz, o clube social de General Severiano.

Em uma entrevista reveladora ao Canal do Anderson Motta, o empresário americano confessou um distanciamento e propôs uma cura. Ele a batizou de “SAF/Social 2.0”, uma tentativa de reimaginar a relação que, segundo ele, se perdeu pelo caminho. É a busca por uma nova sinfonia entre o dinheiro e a paixão, entre o negócio e a mística da Estrela Solitária.

A Proposta na Mesa: O que é a “SAF/Social 2.0”?

Não é apenas uma ideia vaga. No último sábado, dia 2 de maio, um e-mail foi disparado para figuras-chave do nosso universo: o presidente do clube social, João Paulo Magalhães Lins; o novo representante da associação no Conselho da SAF, João Paulo Menna Barreto; e o COO da SAF, Danilo Caixeiro. O conteúdo? Uma revolução.

Textor propõe, em primeiro lugar, que o clube social aceite um investimento de US$ 25 milhões, o que na cotação atual representa cerca de R$ 122 milhões. Esse dinheiro entraria no contexto da nossa recuperação judicial. Um fôlego financeiro, sim, mas amarrado a uma nova filosofia de parceria.

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“Ficou claro que, ao longo do tempo, o meu relacionamento que começou muito próximo com o clube social se tornou distante. Tenho me concentrado na organização, no futebol, em campeonatos”, admitiu Textor, mostrando uma rara vulnerabilidade. Ele sabe que o Glorioso é mais do que um balanço contábil.

A Cláusula de Ouro e a Proteção do Glorioso

Mas a proposta vai além do dinheiro injetado. Há uma armadura, uma proteção para o lado mais frágil da corda. Textor pediu expressamente que o Botafogo, nosso clube social, não celebre nenhum acordo com o Lyon — seu outro clube na rede Eagle Football — a menos que os valores a serem recebidos pelo social ultrapassem a marca de US$ 35 milhões (aproximadamente R$ 172 milhões).

Isso significa manter as disputas jurídicas ativas e garantir que o nosso lado, a origem de tudo, não saia perdendo em negociações internas do conglomerado. É um gesto que, se sincero, demonstra uma preocupação em proteger a instituição que lhe abriu as portas.

“Conquistei o Direito de Estar Aqui Permanentemente”

Aqui, o homem de negócios dá lugar ao homem que parece ter sido tocado pela mística alvinegra. Em um desabafo carregado de emoção, Textor afirmou sentir que seu tempo e esforço lhe garantiram um lugar cativo no nosso futuro.

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“Acho que conquistei o direito de estar aqui permanentemente. Acho que conquistei a confiança do clube social e dos torcedores, mas acho que temos muito a aprender sobre o que passamos”, declarou. Ele fala em mais transparência, melhores resultados econômicos e, acima de tudo, algo que a torcida botafoguense anseia: “mais diversão”.

Ele mesmo admite que a ideia não é perfeita e espera que o clube social contribua. “Tive uma reação inicial (à proposta) bastante positiva, quero tê-la por escrito. E quero reestabelecer uma conexão melhor entre a SAF e o clube social”, completou, mostrando que o primeiro passo foi dado. A bola, agora, parece estar com os conselheiros de General Severiano.

O Futuro da Estrela Solitária em Jogo

Esta proposta de Textor não é uma mera formalidade. É um divisor de águas. É a chance de redefinir o que significa ser uma SAF no Brasil, especialmente para um clube com a nossa história e a nossa alma. O americano parece ter entendido que não se compra a paixão do povo do Fogão, mas se pode conquistá-la com respeito, transparência e, claro, vitórias.

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A torcida alvinegra, sempre calejada, observa com um misto de esperança e cautela. Será este o início de uma era de ouro, onde o poder financeiro da SAF e a tradição do clube social caminham de mãos dadas rumo à glória? Ou apenas mais um capítulo de promessas em nossa longa história? Só o tempo dirá, mas uma coisa é certa: o Botafogo está mais vivo do que nunca, e seu futuro está sendo escrito diante dos nossos olhos.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.