O RAIO-X DE FRANCLIM: O que mudou no Fogão em um mês de pura intensidade

Um mês de Franclim Carvalho e o Fogão já tem outra cara! Veja os números, as mudanças táticas e as decisões que tiraram o time da crise.

Franclim Carvalho em treino do Botafogo — Foto: Vítor Silva/Botafogo

O Mês que Mudou Tudo: A Chegada do Comandante

Há exatamente um mês, a Estrela Solitária parecia ofuscada por uma crise que teimava em não largar de General Severiano. O ar era pesado, a desconfiança pairava sobre cada passe. Foi nesse cenário que Franclim Carvalho desembarcou, não como um salvador, mas como um general pronto para a batalha. E neste sábado, ao completar seu primeiro mês no comando do Glorioso, o saldo é inegável: o caos deu lugar à ordem, e a esperança voltou a ser a nossa companheira mais fiel.

Nove jogos se passaram desde sua estreia. Nove batalhas que transformaram um time à deriva em uma equipe com rumo. O resultado? Estamos classificados para o mata-mata da Copa Sul-Americana e, no Brasileirão, já olhamos para a parte de cima da tabela, e não mais para o abismo que nos assombrava. A tempestade amainou, e o crédito é todo do comandante português.

Os Números da Reconstrução: A Frieza das Estatísticas

No futebol, a paixão move montanhas, mas são os números que contam a história. E a história de Franclim no Fogão começou a ser escrita com um aproveitamento de 66,7%. Em nove partidas, foram cinco vitórias, três empates e apenas uma derrota. Um desempenho que nos tirou do sufoco e nos deu fôlego para sonhar.

Mas para um homem com a ambição de Franclim, a perfeição é uma busca constante. Em uma rara demonstração de autocrítica, o próprio técnico admitiu em coletiva que os resultados estão aquém do seu planejamento pessoal: ele contava com um empate e uma derrota a menos nesse período. É essa mentalidade, essa fome de vitória, que o torcedor alvinegro tanto pedia. Chega de se contentar com pouco. O Botafogo é gigante.

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As Escolhas do General: Peças Removidas e Heróis Resgatados

A chegada de um novo técnico sempre implica em mudanças, e com Franclim não foi diferente. Ele não teve medo de tomar decisões fortes, que moldaram a nova cara do nosso time. A primeira, e talvez a mais simbólica, foi o resgate de Neto. Esquecido, o goleiro foi não apenas reintegrado, mas alçado à condição de titular absoluto. Jogou sete dos nove jogos, sofrendo oito gols, mas devolvendo a segurança que a nossa meta precisava.

Por outro lado, a crise exigiu experiência. Os jovens da base, nosso eterno orgulho, perderam um pouco de espaço. Dos 30 atletas relacionados por Franclim, 26 entraram em campo, mas apenas um ‘cria’ teve sequência: o valente Kadir. E ele não decepcionou. Agarrou a oportunidade com unhas e dentes e foi titular nos últimos três jogos, mostrando que a base do Glorioso sempre tem lenha para queimar.

Outra gestão inteligente foi o rodízio dos estrangeiros. Com a limitação de nove gringos por partida nas competições da CBF, Franclim soube administrar o elenco, mantendo todos em ritmo e prontos para a batalha.

A Mão Tática de Franclim: O Fim dos 3 Zagueiros e a Ascensão de Novos Protagonistas

A principal assinatura tática de Franclim foi o abandono do esquema com três zagueiros, tão utilizado por seu antecessor, Martín Anselmi. O português é adepto da linha de quatro, com uma dupla de zaga sólida. Nesse novo desenho, uma figura se agigantou: Ferraresi. O zagueiro virou peça-chave, foi titular em seis das nove partidas e ainda deixou sua marca, com um gol contra o Remo.

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No meio-campo, jogadores que andavam em baixa voltaram a ser importantes. O jovem argentino Montoro, pouco aproveitado por Anselmi, ganhou minutos preciosos, atuando em seis partidas (quatro como titular), buscando ainda a regularidade para ser a referência que esperamos.

Quem parece ter encontrado seu lugar ao sol é Medina. O argentino só ficou de fora da estreia contra o Caracas e, desde então, virou figurinha carimbada: foi titular em sete jogos e ainda marcou seu primeiro gol com a camisa mais bonita do mundo, contra o Internacional. Na frente, um verdadeiro guerreiro: Arthur Cabral foi o único atleta a ser utilizado em TODAS as nove partidas da era Franclim, seja como titular (seis vezes) ou saindo do banco (três vezes).

Missão Sul-Americana: A Estrela Brilha no Continente

O primeiro grande objetivo de Franclim era claro: classificar o Botafogo na Sul-Americana. E a missão foi cumprida com louvor. A vitória sobre o Racing garantiu nossa vaga, no mínimo, nos playoffs. A depender dos resultados finais, podemos até avançar direto para as oitavas. O sonho continental está mais vivo do que nunca!

Na competição, o nosso retrospecto sob o comando do português é impecável: estamos invictos, com três vitórias e um empate, um aproveitamento absurdo de 83,3%. Somos os líderes do Grupo E, com dez pontos. Agora, é foco total para os duelos contra Caracas e Independiente Petrolero para selar a liderança.

O Caminho a Ser Trilhado

No Brasileirão, a recuperação é visível. Saltamos para a 10ª posição, com 17 pontos e um jogo a menos, deixando para trás o fantasma do Z-4. É preciso ser justo: a retomada na competição nacional teve a contribuição vital do interino Rodrigo Bellão, que conquistou duas vitórias cruciais. Com Franclim, o retrospecto no campeonato é de uma vitória, dois empates e uma derrota. O caminho é longo, mas pela primeira vez em muito tempo, parece que estamos na direção certa. Um mês se passou, e a torcida alvinegra já sente: com Franclim no comando, a estrela voltou a apontar para o topo.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.