PÉS NO CHÃO, MISTER! Franclim celebra vaga, mas freia euforia no Fogão

Missão cumprida, mas a guerra não acabou! Franclim celebra a vaga na Sula, explica ausência de Santi e já mira o próximo desafio. A Estrela Solitária brilha!

A alma alvinegra lavada. O grito preso na garganta, enfim, libertado sob os refletores do nosso Nilton Santos. A vitória por 2 a 1 sobre o Racing, na mítica noite de quarta-feira (6), não foi apenas mais um jogo. Foi a confirmação de que a Estrela Solitária segue pulsando forte na Copa Sul-Americana. E coube ao nosso comandante, o técnico Franclim Carvalho, traduzir em palavras a emoção que tomou conta de cada botafoguense.

Em coletiva após o apito final, o português não escondeu a satisfação, mas manteve a postura serena e focada que já se torna sua marca. O primeiro grande passo foi dado. A classificação, o objetivo primordial, está no bolso. Mas para Franclim, a euforia tem hora para acabar.

‘Primeiro objetivo… Está conseguido’

Com a tranquilidade de quem sabe o peso da nossa camisa, Franclim foi direto ao ponto. A vaga no mata-mata era a prioridade absoluta, a primeira meta traçada desde sua chegada. E ela foi entregue ao povo do Fogão.

“Foi importante ter ganhado, foi muito importante garantir a classificação, pelo menos o segundo lugar, que era o que nós queríamos, era o primeiro objetivo. Está conseguido, já foi, agora é descansar e preparar o próximo jogo”, declarou o treinador, colocando um ponto final na primeira fase da missão.

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É essa mentalidade que a gente precisa. Celebrar o hoje, mas já com os olhos no amanhã. A batalha foi vencida, mas a guerra pela glória continental continua.

A gestão do elenco e a ausência de Santi

Uma das dúvidas que pairavam na cabeça da torcida foi a ausência de Santi Rodríguez entre os relacionados. Sem rodeios, o mister explicou a decisão. “O Santi ficou fora por opção”, afirmou, deixando claro que se trata de uma escolha puramente técnica, parte da complexa gestão de um elenco que vive um calendário insano.

Franclim detalhou a filosofia do ‘jogo a jogo’, uma necessidade em meio à maratona de partidas a cada três ou quatro dias. “Nós não podemos pensar lá longe, não podemos pensar muito à frente. Faltam sete jogos até à parada… Não podemos pensar como é que vai ser o Bahia, que é o último desta etapa, no dia 30 de maio. Não podemos pensar assim. Pensar agora no próximo jogo, o jogo com o Atlético, que é o mais importante porque este já foi.”

É a dura realidade do futebol brasileiro. Não há tempo para sonhar a longo prazo, apenas para lutar pela próxima vitória. E o próximo desafio já tem nome: Atlético.

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Favoritismo? Uma armadilha traiçoeira

No papel, o Grupo E parecia um roteiro escrito para Botafogo e Racing. Mas o futebol, meus amigos, se joga no gramado. E Franclim Carvalho fez questão de rechaçar qualquer soberba, pregando máximo respeito ao Caracas, o surpreendente vice-líder da chave.

“Temos que respeitar todos os adversários, e o Caracas tem demonstrado isso. O Caracas tem oito pontos, não é por acaso”, alertou o português, lembrando do difícil jogo em casa contra os venezuelanos. “Sabemos que dominamos o jogo em termos de números, sofremos um gol num rebote após um escanteio, mas não podemos desvalorizar o Caracas.”

A lição é clara. Enquanto o Independiente Petrolero amarga a lanterna com zero pontos, o Caracas segue firme na briga. “Na próxima rodada enfrenta o Racing, que vai jogar a vida também. Nós temos que ganhar o próximo jogo. É assim que nós olhamos para isto: não olhamos para o favoritismo teórico, porque já vimos que isso é muito traiçoeiro e muito perigoso”, completou o comandante.

Sem caça às bruxas pelo gol sofrido

Até na análise do gol sofrido, Franclim mostrou sua classe. Longe de apontar culpados, como Vitinho ou o lado direito da defesa, ele assumiu a responsabilidade coletiva e analisou o lance com frieza.

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“Estávamos mal posicionados. Sem marcação, sem referência (…) Naquele momento, tivemos azar, isso também faz parte, porque a bola desvia em alguém. E o adversário faz um gol de nível alto. A culpa não é do Vitinho, nem de ninguém naquela posição”, explicou. Uma postura de líder, que protege seu grupo e entende as nuances do jogo.

A noite foi de festa no Nilton Santos. A classificação veio. Mas as palavras do nosso técnico servem como um guia. Com os pés no chão, trabalho duro e a força da nossa torcida, seguiremos em frente. O primeiro objetivo foi cumprido. Agora, que venham os próximos.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.