Onde Está Barrera? O Drama da Joia Esquecida no Banco do Glorioso
Quatro jogos. Quatro longas partidas em que o nome de Jordan Barrera sequer foi chamado para aquecer. O torcedor alvinegro, que se acostumou a ver o colombiano relacionado no banco de reservas, agora se pergunta: o que aconteceu com a joia de US$ 4 milhões? O meia, que chegou com status de futuro craque, parece ter ido para o fim da fila sob o comando de Franclim Carvalho, e o silêncio do seu não aproveitamento ecoa mais alto que qualquer vaia em General Severiano.
A situação é um retrato do drama que vivemos: um investimento altíssimo, na casa dos R$ 21,8 milhões na cotação da época, por um talento que hoje parece invisível aos olhos do treinador. Barrera não é apenas mais um no elenco; ele representa uma aposta, um sonho de ver a Estrela Solitária brilhar nos pés de um jovem com potencial de ouro. Vê-lo preterido, jogo após jogo, é um soco no estômago do povo do Fogão que anseia por magia em campo.
Um Investimento de Risco, Uma Promessa Distante
Vamos voltar a fita para julho. O Botafogo anunciava com pompa a contratação de Jordan Barrera. Era sua primeira aventura fora da Colômbia, um passo gigantesco para um jovem atleta. O valor? US$ 4 milhões. Um número que, para a nossa realidade, não é trivial. É o tipo de dinheiro que se espera que se traduza em gols, assistências e, acima de tudo, protagonismo.
No início, a adaptação pesou, como era de se esperar. Mas a esperança da torcida alvinegra foi renovada com força após a Copa do Mundo sub-20. Ali, vestindo a camisa da Colômbia, Barrera brilhou. Ele foi um dos pilares da equipe que conquistou um honroso terceiro lugar, e seu futebol não passou despercebido. O prestigiado jornal espanhol “Marca” o incluiu em uma seleta lista dos 20 melhores atletas do torneio. Naquele momento, o botafoguense pensou: “É ele. A nossa estrela vai brilhar”.
De Peça Utilizada a Figura Decorativa
A verdade é que, antes de Franclim, Barrera vinha ganhando seu espaço, ainda que aos poucos. Com o técnico Martín Anselmi, em 2026, ele esteve em campo em 16 partidas. Não era titular absoluto, mas era parte da rotação, uma peça no tabuleiro. Até com o interino Rodrigo Bellão, que comandou o time por apenas três jogos, o colombiano foi utilizado em dois deles.
Então, o que mudou? A chegada de Franclim Carvalho. O português desembarcou em General Severiano e, com ele, a sorte de Barrera parece ter virado de forma drástica. Nos quatro primeiros jogos sob o novo comando, ele até entrou em campo, sendo titular em uma única ocasião, contra o Coritiba. Depois disso, o deserto.
Nos últimos quatro confrontos, a rotina tem sido a mesma: nome na lista de relacionados, uniforme vestido, mas o corpo preso ao banco de reservas. Uma figura presente, mas não utilizada. É como ter uma ferramenta de precisão na caixa e insistir em usar um martelo para tudo. A única vez que sequer foi relacionado foi contra o Independiente Petroleiro, pela Sul-Americana, mas isso não serve de consolo.
A Fila dos Estrangeiros e os Números que Preocupam
Quando olhamos para a hierarquia de Franclim, a situação de Barrera fica ainda mais clara e dolorosa. O treinador tem promovido um rodízio entre os estrangeiros para cumprir as regras das competições da CBF, mas o colombiano parece ser sempre o último da lista.
Ele hoje vê nomes como Kadir, Medina, Barboza, Montoro, Bastos, Ferraresi, Mateo Ponte e Joaquín Correa passarem à sua frente na ordem de preferência. É uma lista longa, que mostra o quão fundo no banco nosso meia foi parar. Curiosamente, a estatística fria aponta que ele foi mais utilizado que seu concorrente direto, Santi Rodríguez. Porém, há um asterisco gigante aí: Santi passou um bom tempo entregue ao departamento médico por conta de uma lesão no joelho.
Os números de Barrera no ano são um balde de água fria em qualquer expectativa. Em 22 jogos disputados, foram apenas oito vitórias para o time quando ele esteve em campo. Ele foi titular em dez oportunidades, não balançou as redes NENHUMA vez e contribuiu com uma única e solitária assistência. É pouco. É muito pouco para quem custou tanto e para quem carrega o peso de uma camisa como a do Botafogo.
O que fica é a angústia. Temos uma joia que não brilha? Ou temos um talento que não está sendo lapidado? A mística alvinegra é feita de superação, de reviravoltas. Resta saber se Jordan Barrera terá a chance de escrever seu capítulo nessa história ou se será apenas uma nota de rodapé milionária e esquecida. O tempo, e Franclim Carvalho, dirão.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.