A Revelação que Abala General Severiano
Povo do Fogão, respire fundo. A notícia que chega é daquelas que testam o coração do torcedor mais fiel. O zagueiro Alexander Barboza, que vimos em campo com a nossa camisa sagrada contra o Racing na última quarta-feira (6), pela CONMEBOL Sul-Americana, já não era mais, em espírito e contrato, um de nós. Ele jogou já “vendido” ao Palmeiras.
Não é boato, não é especulação. É um fato documentado. O contrato que selou a sua transferência para o time paulista foi assinado no dia 1º de maio. Uma punhalada silenciosa no peito da torcida alvinegra, firmada por cinco nomes: Leila Pereira, presidente do Palmeiras; Durcesio Mello, presidente da nossa SAF; Alessandro Brito e Danilo Caixeiro, como testemunhas da diretoria; e o próprio Alexander Barboza.
Sim, você leu certo. Quando o técnico Franclim Carvalho o escalou para a batalha continental, o zagueiro argentino já tinha o seu futuro carimbado em outro endereço. A mística alvinegra foi usada por um jogador que já tinha a cabeça em São Paulo.
A Cláusula do Absurdo: O Risco de R$ 5,5 Milhões
O documento da transferência, uma obra de arte da burocracia fria do futebol, revela a totalidade do drama. A negociação foi fechada por R$ 18 milhões, um valor que será pago em quatro sofridas parcelas até dezembro de 2027. O jogador só se apresentará ao rival em 20 de julho de 2026, com a reabertura da janela de transferências.
Mas é aqui que a Estrela Solitária se apaga para dar lugar a um nó na garganta. O contrato esconde uma armadilha, uma cláusula que nos deixa de mãos atadas. Barboza, até o momento, já atuou em 10 partidas pelo Glorioso no Campeonato Brasileiro.
A cláusula 5.1 do contrato, que diz “O atleta firma o presente instrumento, concordando sem ressalvas com todos os seus termos”, é a prova da sua ciência. E o acordo estabelece que, se ele completar 12 partidas na Série A, o Palmeiras tem o direito de simplesmente cancelar a compra.
O pesadelo não para aí. Caso isso aconteça, o Botafogo não só perde a venda, como é obrigado a devolver a primeira parcela do negócio, no valor exato de R$ 5,5 milhões. A devolução teria que ser feita em até 10 dias. Uma situação que beira o inacreditável e expõe a fragilidade da nossa gestão.
O Calendário da Angústia: Contagem Regressiva no Brasileirão
Agora, cada jogo do Campeonato Brasileiro se torna uma tortura. O Botafogo precisa do dinheiro, mas também precisa de jogadores em campo. O técnico Franclim Carvalho terá que fazer uma matemática cruel para escalar a defesa.
Olhe para o nosso calendário imediato e sinta o drama:
- Atlético-MG – 10/05 – Campeonato Brasileiro
- Chapecoense – 14/05 – Copa do Brasil
- Corinthians – 17/05 – Campeonato Brasileiro
- Independiente Petrolero – 20/05 – CONMEBOL Sul-Americana
- São Paulo – 23/05 – Campeonato Brasileiro
- Caracas – 27/05 – CONMEBOL Sul-Americana
- Bahia – 30/05 – Campeonato Brasileiro
Temos quatro jogos pela frente no Brasileirão. Com Barboza já somando 10 jogos, ele só pode entrar em campo em mais UM deles. Apenas um! Caso contrário, adeus R$ 18 milhões e olá dívida de R$ 5,5 milhões. Nas outras competições, como a Copa do Brasil e a Sul-Americana, sua utilização é livre, pois não afeta o negócio.
E Agora, Fogão?
A situação é surreal. Temos um zagueiro no elenco que não podemos usar na principal competição do país por medo de um rombo financeiro. Um jogador que assinou sua saída e, dias depois, vestiu nossa camisa como se nada tivesse acontecido. A venda, que ainda aguarda uma liberação da Justiça do Rio de Janeiro para ser oficializada pelo Palmeiras, já nos assombra.
Isso é Botafogo. Um clube que vive no limite da paixão, do drama e, por vezes, de uma gestão que nos deixa perplexos. Resta à torcida alvinegra observar, com o coração na mão, os próximos capítulos dessa novela, torcendo para que a Estrela Solitária encontre um jeito de brilhar em meio a essa escuridão contratual.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.