O PREÇO DO ADEUS: Venda de Barboza ao Palmeiras é detalhada: R$ 18 milhões em 4 parcelas até 2027

Os detalhes da saída de Alexander Barboza vieram à tona. O Fogão receberá R$ 18 milhões em 4 parcelas e a venda expõe o drama financeiro do clube.

Barboza admite negociação entre Botafogo e Palmeiras e se defende de críticas: 'Não sou mentiroso' (3:23)Zagueiro falou após vitória do Glorioso na Sul-Americana (3:23)

A Estrela Solitária brilha, mas às vezes, para que sua luz não se apague, sacrifícios são necessários. A notícia que corria em General Severiano foi confirmada com requintes de um drama financeiro: Alexander Barboza está de malas prontas para o Palmeiras, e os detalhes da transação vieram à tona, revelando não apenas os valores, mas a frágil realidade do caixa alvinegro.

A negociação, que já era dada como certa, agora tem seus contornos financeiros expostos. O acordo, assinado no dia 1º de maio, envolve a cifra total de R$ 18 milhões. Um valor que, para a torcida alvinegra, pode parecer pouco ou muito, mas que para a diretoria do Glorioso é um balão de oxigênio em meio a uma tempestade.

O documento da venda carrega assinaturas de peso: a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e o nosso comandante interino, Durcesio Mello, que assumiu a frente do Fogão após o afastamento de John Textor no final de abril. O próprio Barboza, nosso agora ex-zagueiro, também chancelou sua saída. É o futebol e seus negócios, frios e calculistas, batendo à nossa porta.

O Plano de Pagamento: Uma Novela em 4 Capítulos

Para o povo do Fogão, que vive de paixão, os números podem ser indigestos, mas são eles que ditam o futuro. O Palmeiras não pagará a quantia à vista. O montante de R$ 18 milhões será diluído em um cronograma que se estende até o final de 2027. É uma espera longa, um dinheiro que chegará em doses homeopáticas para curar uma ferida aberta.

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De acordo com a apuração da ESPN Brasil, que teve acesso aos documentos, a divisão das parcelas foi estruturada da seguinte forma:

  • Parcela 1: R$ 5,5 milhões, a serem pagos assim que a Justiça do Rio de Janeiro der o sinal verde para a venda.
  • Parcela 2: R$ 4,5 milhões, com vencimento em 30 de dezembro de 2026.
  • Parcela 3: R$ 4 milhões, com vencimento em 30 de junho de 2027.
  • Parcela 4: R$ 4 milhões, com vencimento em 30 de dezembro de 2027.

O contrato, ao menos, prevê alguma proteção ao Glorioso. Caso o time paulista atrase qualquer um dos pagamentos, o Botafogo deverá notificá-los e conceder um prazo de 10 dias para a quitação. Se a inadimplência persistir, uma multa de 5% sobre o valor devido será aplicada, além de juros de mora de 1% ao mês e correção monetária. É o mínimo que se espera para garantir que o que é nosso, de direito, chegue aos cofres.

Um Pedido de Socorro ao Tribunal

O que torna essa venda ainda mais dramática é o contexto por trás dela. O Botafogo não está simplesmente vendendo um jogador; está lutando por sua saúde financeira. A SAF do clube precisou enviar um pedido à 2ª Vara Cível do Rio de Janeiro para obter autorização para a venda, uma vez que o clube está sob os efeitos de uma tutela que antecipou um pedido de recuperação judicial feito em 22 de abril.

Nos documentos apresentados ao tribunal, os advogados do alvinegro de General Severiano foram claros e diretos, pintando um cenário de urgência. A venda de Barboza foi descrita como uma “oportunidade importante para a captação de recursos” em meio à “crise econômico-financeira que já é de conhecimento deste Juízo”.

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As palavras são fortes e ecoam a preocupação de cada torcedor: “A injeção de tais recursos, nessa fase inicial e antecedente ao pedido recuperacional, será essencial para o adimplemento das despesas correntes e manutenção da operação”. O texto ainda alerta para um “caixa negativo” projetado caso receitas não operacionais, como esta venda, não fossem garantidas imediatamente. Em outras palavras: vender Barboza não foi uma opção, foi uma necessidade para manter o Fogão funcionando.

A Despedida e o Futuro

Apesar da negociação sacramentada desde maio, Barboza mostrou profissionalismo. O zagueiro esteve em campo pelo Botafogo na partida da última quarta-feira (6), um gesto que, em meio à frieza dos números, mostra algum resquício de compromisso. No dia seguinte, na quinta-feira (7), ele passou por exames médicos no Rio de Janeiro antes de assinar seu novo contrato.

Contudo, a torcida alvinegra não o verá com a camisa do rival tão cedo. O contrato estabelece que o zagueiro só reforçará o Palmeiras a partir de 20 de julho de 2026, data da reabertura da janela de transferências nacional. Até lá, muita água vai rolar.

Outro detalhe importante da negociação é que o Palmeiras será o responsável por arcar com os custos do mecanismo de solidariedade e direitos de formação devidos ao River Plate, clube que revelou Barboza. Um pequeno alívio para os cofres do Glorioso.

A saída de um jogador é sempre um momento agridoce. Perdemos uma peça em campo, mas, neste caso específico, a transação representa a esperança de dias melhores na gestão financeira do clube. É o preço do adeus, um sacrifício em nome da sobrevivência da Estrela Solitária. E para nós, fiéis da Estrela, resta torcer para que cada centavo seja bem utilizado para reconstruir e fortalecer o nosso amado Botafogo.

Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.