VERGONHA ALVINEGRA? Grito de ‘Fica Barboza’ racha torcida do Fogão

Em noite de vitória épica na Sul-Americana, um grito de 'Fica, Barboza' dividiu a torcida do Fogão e gerou revolta na web. Orgulho ou humilhação?

Um Grito que Ecoou como uma Faca de Dois Gumes

A noite era para ser de festa. E foi. Vitória por 2 a 1 sobre o Racing, em um Nilton Santos que pulsava pela Sul-Americana. A Estrela Solitária brilhou mais uma vez. Mas, em meio à celebração, um som estranho, um cântico que dividiu a nação alvinegra: “Fica, Barboza!”. Um grito que, para muitos, soou mais como um lamento de submissão do que um pedido de um povo apaixonado.

Enquanto um setor da arquibancada entoava o nome do zagueiro, que tem sua saída para o Palmeiras praticamente selada, as redes sociais explodiam em um sentimento oposto. A palavra era uma só, e doía na alma: vergonha. Como pode o Glorioso, o clube de Garrincha e Nilton Santos, implorar pela permanência de um jogador que já escolheu seu caminho?

A Divisão: Orgulho Ferido Contra a Última Esperança

É preciso entender o cenário. Alexander Barboza, titular na batalha contra os argentinos, pode ter pisado no gramado sagrado do Niltão pela última vez com nosso manto. O “fica, Barboza” vindo das arquibancadas foi, talvez, um último suspiro, um ato de quem se recusa a aceitar a perda de um pilar da defesa.

Contudo, para uma parcela imensa da torcida alvinegra, a atitude foi inaceitável. Nas redes, o tom era de revolta. “Humilhante”, “pequeno”, “vergonhoso”. A sensação era de que o Botafogo, gigante por natureza, estava se rebaixando. O orgulho do torcedor, que carrega o clube nas costas nos momentos mais difíceis, foi ferido. Pedir para um atleta ficar é uma coisa; implorar quando seu destino já está traçado com um rival é outra completamente diferente.

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Essa fratura expõe a complexidade do nosso amor. De um lado, o coração que não quer deixar partir. Do outro, a razão que exige postura e grandeza. Naquela noite de quarta-feira, o povo do Fogão se viu em um espelho, e a imagem refletida gerou um debate intenso sobre quem somos.

Em Campo, a Vitória que a Estrela Solitária Exigiu

Enquanto o debate fervia fora das quatro linhas, dentro delas o Botafogo fazia o que lhe cabia: lutar. O primeiro tempo foi amarrado, de estudo. O Racing, com a posse de bola, tentava ditar o ritmo, mas era o Fogão quem buscava o gol com mais afinco, mesmo parando na sólida marcação argentina.

Aos 18 minutos, a mística alvinegra se fez presente. Medina, com a classe que lhe é peculiar, acionou o ataque e a bola, caprichosa, encontrou o zagueiro Di Césare, que jogou contra o próprio patrimônio. Fogão 1 a 0. O goleiro Neto, um gigante sob as traves, precisou trabalhar para garantir a vantagem até o intervalo.

Na volta para a segunda etapa, um susto. O Racing veio para cima e, em um cruzamento de Rojas, Adrián Martínez aproveitou uma desatenção fatal de Ferraresi para empatar de cabeça. O adversário cresceu, e Neto operou milagres para evitar a virada. O ar ficou pesado, tenso.

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Mas Botafogo é isso aí. Quando o cenário parece perdido, a estrela brilha. Em um bate-rebate na área, a bola encontrou Matheus Martins. O garoto, com a tranquilidade de um veterano, ajeitou para Danilo. Da entrada da área, ele finalizou. O chute não foi uma bomba, mas tinha endereço. O goleiro Cambeses falhou, aceitou. Explosão no Nilton Santos! Era o gol da vitória, o 2 a 1 que nos colocava em uma situação confortável no grupo. Para coroar a noite, o mesmo goleiro argentino ainda seria expulso nos acréscimos, por meter a mão na bola fora da área em um ato de puro desespero.

E Agora, Glorioso?

A vitória foi conquistada, os três pontos estão na conta. Mas a discussão permanece. A atitude de parte da torcida com Barboza deixa uma marca. Foi um ato de paixão genuína ou um sinal de uma carência que nos diminui?

Barboza foi importante, um guerreiro em muitas batalhas. Mas jogadores vêm e vão. O que fica é o Botafogo de Futebol e Regatas. A instituição, a camisa, a Estrela Solitária. Talvez a lição da noite seja essa: celebrar quem está, lutar com quem quer lutar e seguir em frente, sempre com a cabeça erguida. Porque somos o Glorioso. E o Glorioso não implora. Ele conquista.

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Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.