A Dor de um Clássico e a Palavra do Comandante
A ferida ainda está aberta. O placar de 3 a 0 para o nosso rival no Maracanã, pela 25ª rodada do Brasileirão, ecoa na alma de cada botafoguense. É um daqueles resultados que pesam, que nos fazem questionar tudo. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, o técnico Rodrigo Bellão foi aos microfones. E o que ele disse não foi um bálsamo para a dor, mas um choque de realidade brutal e necessário.
Enquanto a torcida alvinegra sonhava com voos mais altos, o comandante do Glorioso pôs os pés no chão de forma categórica. Esqueçam projeções de Libertadores. Esqueçam contas para a Sul-Americana. O momento é outro. A realidade é crua e o foco é um só, definido em uma única palavra: ganhar.
‘Não sou de fazer projeções’: A filosofia de um passo de cada vez
A sequência é desoladora: apenas um mísero ponto conquistado nos últimos 12 disputados. Um desempenho que acende todos os alertas em General Severiano. Questionado sobre o futuro, Bellão foi direto, quase cirúrgico, afastando qualquer conversa sobre objetivos a longo prazo.
“Eu acredito muito que o Botafogo, enquanto estiver aqui, a gente vai entrar para vencer partidas. Eu penso sempre um passo de cada vez, eu não sou uma pessoa de fazer projeções”, declarou o treinador. Para ele, a matemática é simples: o problema imediato é a falta de vitórias, e é isso que precisa ser resolvido.
Nas palavras do próprio comandante: “O problema que eu tenho, eu preciso resolver. Então, se no momento a gente está precisando de vitórias, o meu foco é tentar fazer, porque a gente está criando, está produzindo, mas não está ganhando.”
Bellão foi ainda mais longe, jogando a responsabilidade sobre as pretensões do clube para a diretoria. “Aí cabe talvez à diretoria responder quais são as pretensões do clube”, afirmou. Para ele, a missão é clara e imediata. “E o meu foco vai ser, tem sido e vai continuar sendo ganhar. Buscar melhoria para ganhar, algum ajuste para ganhar.”
A estratégia no Maracanã: O que Bellão tentou (e não conseguiu) fazer?
Muitos de nós, fiéis da Estrela Solitária, não entendemos o que vimos em campo. Bellão tentou explicar a estratégia, principalmente a do primeiro tempo. A ideia era anular o ponto mais forte do adversário, o jogo por dentro.
“A gente tinha uma estratégia de poder controlar o jogo fechando o corredor central. Isso era muito importante pela qualidade de jogo que o Flamengo proporciona”, explicou. O time entrou num 5-3-2, com uma linha de cinco defensores e três homens no meio, justamente para congestionar o setor e forçar o rival a jogar pelos lados.
Segundo o técnico, o plano funcionou por um tempo. “A gente conseguiu entrar num 5-3-2 e, com essa linha de cinco e os três meio-campistas, fechamos o corredor central por boa parte do primeiro tempo”, analisou. Mas a verdade é que, perto do intervalo, o castelo de cartas desmoronou e a capacidade de reter a bola sumiu.
Para a segunda etapa, a mudança veio com a entrada de Danilo Pereira, buscando mais profundidade e mobilidade. “Eu optei por colocar o Danilo Pereira para a gente conseguir ter mais profundidade, por ter um jogador que faz muita ruptura, tem muita mobilidade, e vir com o segundo atacante”, detalhou Bellão. A escolha de não usar um ponta tradicional, mantendo dois atacantes mais centralizados, visava explorar as costas dos laterais adversários. O resultado, infelizmente, nós já sabemos qual foi.
O rodízio que não para: Por que o time do Fogão muda tanto?
Outro ponto que causa calafrios na torcida alvinegra é a constante mudança na escalação. Desde que assumiu, Bellão não repetiu o time, e ele defendeu essa alternância. Para o treinador, é uma necessidade para conhecer o elenco e lidar com o calendário.
“Todas as três partidas eu fui variando as escalações. Eu acho que todo mundo está tendo oportunidade”, justificou. Ele citou a chegada recente de alguns jogadores como um fator crucial. “Alguns jogadores chegaram mais recentes e eu estou precisando de tempo para conhecê-los melhor, para entender como usá-los melhor.”
A maratona de jogos também pesa. A rotação, segundo ele, é uma forma de gerir o desgaste físico e potencializar as diferentes características que o elenco oferece. A questão que fica para o povo do Fogão é: essa rotação é uma estratégia inteligente ou um sinal de que ainda não encontramos nosso time ideal?
Criamos, mas não marcamos: A busca pela efetividade perdida
Apesar da derrota acachapante, Bellão insiste que o time não está morto em campo. Ele vê criação, vê empenho, mas admite a falha fatal: a falta de efetividade. O time produz, mas não converte. Uma história que já conhecemos bem.
“Acho que é uma questão geral de comportamento da nossa equipe de trabalhar pelos lados. Acho que a gente precisa de mais efetividade. É uma questão que a gente está trabalhando para que isso aconteça”, confessou o técnico. Ele garante que o trabalho está sendo feito, mas a paciência da torcida está no limite.
O discurso de Bellão é um balde de água fria, mas talvez seja o que o Botafogo precisa agora. Um choque de pragmatismo. A hora não é de sonhar com a América, mas de lutar com unhas e dentes pela próxima vitória, seja ela qual for. O foco é um só. A ordem é uma só: ganhar. E que a Estrela Solitária volte a brilhar para nos guiar nesse caminho.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.