A BOMBA: ‘SE EU FALAR, VAI ROLAR PROCESSO’
A casa está em ordem. O camisa 9 voltou. Tiquinho Soares foi apresentado oficialmente nesta quinta-feira (27) e, mais do que vestir nosso manto sagrado novamente, ele abriu o coração. E o que saiu foi um desabafo pesado, um grito engasgado sobre suas passagens por Santos e Mirassol. A torcida alvinegra precisava ouvir isso.
Questionado sobre o desempenho abaixo do que conhecemos, Tiquinho não fugiu. Pelo contrário, ele lançou uma bomba que ecoa pelos bastidores do futebol brasileiro. Com a sinceridade de quem sabe o que viveu, ele expôs a ferida: “Será que eu não fui bem ou não deixaram eu ir bem? Essa é uma pergunta que eu tenho até hoje.”
O artilheiro foi além, revelando a sujeira que se esconde sob o tapete do esporte. “No futebol, vocês não sabem o que acontece extracampo”, disse ele, antes de soltar a frase mais impactante da coletiva: “São coisas que acontecem no extracampo que se eu for falar aqui é capaz até de pegar processo. É sério mesmo. Se eu for falar as coisas que aconteceram, vai rolar estresse.”
É um recado claro. O Tiquinho que vimos longe de General Severiano não era o mesmo por culpa de forças ocultas, de problemas que vão muito além das quatro linhas. Não foi falta de futebol. Foi falta de ambiente, de respeito, de deixarem o homem trabalhar.
O CASO DO SANTOS: ‘QUANDO NÃO ESTÁ BOM, NINGUÉM PRESTA’
A passagem pelo Santos foi dissecada. Tiquinho lembrou que chegou para o Paulistão e que, sob o comando do técnico Pedro Caixinha, conseguiu render. “Fiz oito ou nove gols. Tinha um treinador que gostava de mim”, afirmou, mostrando que, quando teve confiança, correspondeu.
Mas o cenário no clube paulista era desolador. Tiquinho usou uma retórica poderosa para descrever o caos de 2024 na Vila Belmiro: “Me fala um jogador do Santos em 2024 que foi bom, que teve um nível elevado? Tirando o homem, que o homem você não pode falar do cara.”
Ele descreveu o peso de um ano terrível para o clube. “A passagem do Santos foi muito difícil não só para mim, mas para todos os jogadores. Foi um ano muito difícil para o Santos e quando não está bom, ninguém presta.” Mesmo com o desabafo, Tiquinho mostrou sua grandeza: “Eu agradeço demais ao Santos, é um clube gigante e eu tive a honra de vestir aquela camisa.”
Os números frios mostram 7 gols e 4 assistências em 40 jogos. Mas, pelas suas palavras, entendemos que cada um desses jogos foi uma batalha contra o ambiente.
O MISTÉRIO EM MIRASSOL: NÃO DEIXARAM JOGAR?
Se no Santos o problema foi o caos, em Mirassol a questão foi outra. Emprestado, Tiquinho praticamente não jogou. Foram apenas 10 partidas e um único gol. A última vez que esteve em campo foi em 16 de maio. Um artilheiro do seu calibre, no banco. Inexplicável? Não para ele.
Tiquinho repetiu a pergunta que o assombra: “A passagem do Mirassol foi a mesma coisa. Será que eu fui mal ou não me deixaram jogar e mostrar o meu valor?” A resposta, mais uma vez, está no extracampo que ele não pode revelar por medo de processos. Fica claro para o povo do Fogão: nosso artilheiro foi sabotado.
DE VOLTA PARA CASA: ONDE A ESTRELA BRILHA
O sofrimento acabou. As passagens apagadas por outros clubes só servem para engrandecer ainda mais o que Tiquinho Soares representa para o Botafogo. Aqui, a história é outra. Aqui, ele é rei.
Em sua primeira jornada com a Estrela Solitária no peito, os números falam por si: 120 partidas e 44 gols. Mais do que isso, ele foi peça fundamental no elenco que, em 2024, nos deu as glórias da CONMEBOL Libertadores e do Campeonato Brasileiro. Ele sabe o caminho das redes e o caminho dos títulos vestindo preto e branco.
Seu retorno não é apenas uma contratação. É a volta de um ídolo, de um símbolo de uma era vitoriosa. É a certeza de que, em seu habitat natural, o matador voltará a ser letal. Longe daqui, tentaram apagar seu brilho. Mas a Estrela Solitária sempre encontra o caminho de casa.
OS PRÓXIMOS PASSOS DO GLORIOSO
Com o retorno do nosso camisa 9, a expectativa da torcida alvinegra vai às alturas para a sequência da temporada. A luta continua e ter Tiquinho de volta ao comando de ataque é um trunfo gigantesco. A agenda do Fogão já tem confrontos pesados pela frente. Prepare o coração, botafoguense!
- Flamengo (Fora): 30/08, às 16h (de Brasília) – Brasileirão
- Palmeiras (Casa): 06/09, às 18h30 (de Brasília) – Brasileirão
- Red Bull Bragantino (Casa): Data a definir – Brasileirão
Bem-vindo de volta, Tiquinho. O povo do Fogão estava com saudades. Agora, fale dentro de campo. Deixe que seus gols sejam a resposta para todos que duvidaram. Aqui, você pode. Aqui, você é de casa.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.