A verdade que dói: Ex-chefe do scout abre o jogo sobre Santi Rodríguez
A alma botafuense é forjada na intensidade, na paixão que transcende o campo. E, por vezes, na dor de uma verdade inconveniente que vem à tona. Desta vez, a voz que ecoa dos bastidores de General Severiano é a de Raphael Rezende, ex-Head Scout do Botafogo, que, em uma confissão bombástica, colocou em xeque uma das contratações mais caras da nossa história recente: a de Santi Rodríguez.
Em entrevista ao podcast ‘Glorioso Connection’, Rezende, que deixou o clube no início deste ano, não mediu palavras. A ferida, para muitos torcedores, foi tocada. Aquele sentimento de que algo não se encaixava no investimento feito pelo meia, que chegou em 2025, agora ganha contornos de realidade. A declaração é um soco no estômago do torcedor que sempre se pergunta para onde vai cada centavo da nossa preciosa SAF.
‘Não era para o valor que foi pago’: A confissão sobre os R$ 85 milhões
Vamos aos fatos, torcida alvinegra. A frase que ecoará por muito tempo é esta, dita com todas as letras por quem estava dentro do processo: “O Santi não era um cara para o valor que foi pago, na minha opinião. Mas foi pago e foi acordado”, revelou Rezende. Uma admissão que confirma a suspeita de muitos de nós nas arquibancadas e nas redes sociais.
A negociação, segundo a apuração, foi um desembolso monumental. Foram US$ 15 milhões fixos, o que na cotação da época representava impressionantes R$ 85,6 milhões. Como se não bastasse, o acordo ainda previa mais US$ 2 milhões (cerca de R$ 11,4 milhões) em metas. No total, um potencial de quase R$ 100 milhões. Um valor que coloca qualquer atleta sob uma pressão gigantesca, um fardo pesado para carregar junto com a camisa mais gloriosa do mundo.
Para o povo do Fogão, que vive o clube em sua essência, saber que o próprio departamento de análise considerava o valor excessivo é, no mínimo, frustrante. Levanta questões sobre o processo de tomada de decisão e sobre quem, no fim do dia, bate o martelo em uma aposta tão alta.
Plano A e B: Os verdadeiros alvos que escaparam do Glorioso
A revelação de Raphael Rezende vai além. Santi Rodríguez, o homem de R$ 85 milhões, não era sequer o plano A. O Glorioso tinha outros sonhos, outros nomes que eram vistos como o verdadeiro “impacto” para o time. “Tinham dois nomes, e aí não eram nomes exatamente da função dos que estavam saindo, mas de impacto para o time”, afirmou o ex-chefe do scout.
E quem eram eles? Wendel, do Zenit, e Bitello, hoje no Dínamo Moscou. Dois jogadores de prateleiras diferentes, que poderiam ter mudado o patamar do nosso meio-campo. As negociações, como Rezende mesmo disse, “não tiveram um final feliz para o clube carioca”. E assim, na ausência das primeiras opções, o foco se voltou para Santi, que acabou sendo aprovado pelo scout, mas claramente como uma alternativa.
Fica a pergunta que todo botafoguense se fará: e se Wendel ou Bitello tivessem vestido nossa camisa? O futebol não é feito de “se”, mas é impossível não imaginar um destino diferente para o nosso meio-campo com um desses craques.
A sombra de Almada e a aposta ‘nebulosa’
Mas por que pagar tanto por um plano C? Rezende oferece uma pista, uma análise que ele mesmo classifica como “enviesada” e “nebulosa” no momento da decisão. A diretoria, talvez, estivesse tentando replicar um sucesso de um rival, uma fórmula mágica que não existe no futebol: o ‘efeito Almada’.
“Imagino que tenha havido influência do que o Santi fez na MLS, replicar o que o Almada fez, o impacto que ele teve aqui. A gente não está falando de jogadores da mesma prateleira e, talvez, isso tenha ficado meio enviesado, nebuloso, lá no momento”, continuou Rezende. É a confissão de que se pagou por uma projeção, por uma esperança, e não pelo que o jogador era de fato.
Essa busca por um “extraclasse para a nossa realidade” nos custou caro. Colocou-se em Santi uma expectativa que talvez não fosse dele, comparando-o a um jogador de outro nível. E no futebol, comparações e preços inflados costumam ser uma receita para a frustração, tanto para o atleta quanto para a torcida.
O peso da Estrela Solitária
Raphael Rezende, que chegou ao Botafogo em 2022 e se tornou coordenador do setor de scout com a SAF até fevereiro deste ano, conhece os corredores do clube. Sua fala não é a de um estranho, mas a de alguém que viveu o processo por dentro. E suas palavras, agora públicas, adicionam uma nova camada de complexidade à passagem de Santi pelo Fogão.
O jogador, que até voltou a marcar recentemente, vive uma montanha-russa com a nossa camisa. Agora, entendemos um pouco mais do peso que ele carrega. Não é apenas a Estrela Solitária no peito, mas um caminhão de milhões nas costas. A pergunta que fica, fiel torcedor alvinegro, é: sabendo de tudo isso, como olharemos para o Santi em campo a partir de agora? A culpa é de quem aceita a proposta ou de quem a faz sabendo ser exagerada?
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.