Um Brilho Solitário na Escuridão da Derrota
A noite de segunda-feira foi mais uma prova de fogo para o coração alvinegro. A derrota por 3 a 2 para o Athletico, em pleno Nilton Santos, doeu na alma. Mas em meio ao resultado amargo, uma luz, uma fagulha de esperança, brilhou intensamente. Seu nome: Santi Rodríguez. O uruguaio, que parecia esquecido e com os dias contados em General Severiano, ressurgiu das cinzas para nos lembrar que a mística alvinegra vive nos jogadores que honram o manto.
Quando tudo parecia perdido, foi ele quem saiu do banco para incendiar a partida. Dois gols. Duas bolas na rede que nos colocaram de volta no jogo e fizeram a torcida acreditar. Foi uma atuação de quem tem sangue nos olhos, de quem se recusa a aceitar o roteiro da apatia. Santi não evitou a derrota, mas deu uma sobrevida a si mesmo e um recado claro: ele quer jogar. Ele quer lutar pelo Glorioso.
A Confiança do Comandante Interino
A mudança no comando técnico foi crucial para essa reviravolta. Se com Franclim Carvalho o uruguaio amargava o ostracismo, com o interino Rodrigo Bellão a porta se reabriu. Bellão, em sua coletiva, foi direto e transparente sobre a situação não apenas de Santi, mas também de Matheus Martins, outro jovem talento com futuro incerto.
Nas palavras do nosso comandante temporário: “Enquanto eles (Matheus Martins e Santi Rodríguez) estão no Botafogo, são nossos jogadores. Estão trabalhando normalmente. Confio e acredito em todos. Tanto que o Santi entrou e fez dois gols. Enquanto não tem nada concreto, não tem porque não usar. Confio neles, estão treinado para caramba. Se eu achar necessário, não tem problema nenhum”.
A declaração de Bellão é um sopro de sensatez. Ele usa as peças que tem, valoriza o trabalho diário e mostra que, no futebol, o que manda é o momento. Uma filosofia que parece ter sido esquecida pelo técnico anterior, que chegou a barrar o jogador de forma inexplicável.
O Passado que Quase Custou o Futuro
Para entender por que a atuação de Santi foi tão emblemática, é preciso voltar no tempo. A relação com a comissão técnica anterior estava desgastada. O estopim aconteceu na vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, em 26 de julho. Chamado para entrar nos minutos finais, Santi questionou o auxiliar Luís Felipe Fernandes sobre o pouco tempo que teria em campo. Uma atitude de quem quer mais, de quem se sente subaproveitado.
A resposta de Franclim Carvalho foi dura. Doze dias depois, no clássico contra o Fluminense, o uruguaio, que havia treinado entre os titulares durante a semana, não foi sequer relacionado. Uma decisão puramente técnica, que soou como punição e escanteou um ativo importante do clube. Foi o início de um período sombrio para o meia, que agora parece ter ficado para trás.
Entre a Glória e o Adeus: A Sombra da Janela
Apesar da noite de redenção, a torcida alvinegra não pode respirar aliviada. O futuro de Santi Rodríguez no Botafogo ainda é uma grande interrogação. A janela de transferências se fecha no dia 11 de setembro e uma negociação com o Columbus Crew, dos Estados Unidos, está em andamento.
A diretoria do Fogão já deixou claro sua posição: não aceita um empréstimo. Antes da parada para a Copa do Mundo, o estafe do atleta apresentou essa possibilidade, que foi prontamente descartada. A saída só acontece por meio de uma venda definitiva. A pergunta que fica no ar é: depois de uma atuação como essa, vale a pena abrir mão de um jogador com tanto potencial e vontade?
A Humildade de Quem Luta pelo Manto
Mesmo sendo o herói improvável da noite, Santi mostrou ter os pés no chão. Em sua entrevista após o jogo, o foco não foi em seu brilho individual, mas na dor da derrota coletiva. Uma postura de líder, de quem entende o que é o Botafogo.
“A defesa teve dois erros que terminaram em gol, isso complicou um pouco o jogo. No ataque, nós temos que ser mais eficazes. Muito tempo que convivemos com isso, nosso problema é definir. Nos esforçamos agora no final, mas não foi o suficiente. Eu estava lá, toca em mim, mas não adiantou de nada, perdemos. Nossa intenção era ganhar”, desabafou o uruguaio.
Essa frase, “toca em mim, mas não adiantou de nada”, resume o espírito que queremos ver em campo. A glória pessoal não vale nada sem a vitória do clube. Santi provou em 45 minutos que entende isso. Agora, resta saber se a diretoria também entendeu a mensagem que veio do gramado. A Estrela Solitária precisa de guerreiros assim.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.